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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A simpatia compensa


Colhemos aquilo que semeamos… já diz o ditado, mas o certo é que se plantarmos simpatia o resultado será bons negócios, óptimas relações profissionais e um acordar feliz por ir para aquele trabalho. Quem, como, porquê? A reposta nas próximas linhas...
Abra um jornal. Vá até à secção Emprego. Conte quantas vezes as palavras simpatia, simpática/o aparecem. Espantado? Na verdade, quando se olha com atenção para os anúncios que figuram no «oferece-se» ou «procura-se», as frases que mais saltam à vista são «possuo alguma experiência e simpatia, ou procura-se pessoa dinâmica, profissional…. e que seja simpática».
Segue-se o momento decisivo. A entrevista. Aqui a simpatia terá um papel fundamental para a primeira impressão. Depois fica tudo nas mãos da dedicação e do empenho. Mas será que o ser-se simpático/a pode ajudar numa carreira promissora, a melhorar o ambiente laboral ou até mesmo na relação com a chefia? Estudos revelam que sim…Oito tópicos que provam como é bom exercitar os músculos da simpatia, enquanto se fecha um grande negócio ou se decide sobre outro.



1. Os adversários de hoje podem ser aliados de amanhã
George Washington deu uma verdadeira lição de como a estratégia pode estar ligada à simpatia. Durante a Guerra da Independência, o «pai» dos Estados Unidos da América deu ordem para que os soldados tratassem bem os prisioneiros. Os próprios presos sentiram-se chocados com o tratamento recebido. Mas, o governante não estava apenas a ser um homem correcto, ele sabia que esses prisioneiros seriam eventualmente alguns dos primeiros cidadãos dos Estados Unidos e por isso queria trazê-los para o lado dos colonos.
Opinião dos especialistas Vários teóricos defendem que nos negócios não existem verdadeiros inimigos. Por vezes podemos rivalizar uns com os outros, mas é bom manter a cordialidade e a simpatia como se fosse um código de honra.
2. As boas impressões são uma «bola de neve»
O grupo Kaplan Thaler fez um anúncio para uma seguradora norte-americana, que pediu que contratassem Melina, mulher de Donald Trump. Como protagonista do filme publicitário, Melina teve direito à sua própria caravana, sendo tratada com todo o conforto. Mas não por ser mulher de um dos homens mais influentes dos E.U.A, mas pelo facto da simpatia ser um dos lemas da Kaplan Thaler.
Alguns meses mais tarde, Linda, uma das proprietárias da agência, foi convidada para fazer parte do reality show produzido por Trump. Antes de começar a filmar, a executiva apresentou-se ao magnata. Lembrando-se que Linda fazia parte da empresa para quem a mulher tinha trabalhado, o discurso dele foi o seguinte. «Foram excelentes com a Melina. Vejam como vos vou retribuir».
Para milhões de espectadores, Donald Trump fugiu ao alinhamento do programa e classificou a Kaplan Thaler como uma das melhores agências de publicidade dos E.U.A. Tudo em nome da simpatia.
Opinião dos especialistas Sempre que sorrimos a um porteiro que nos abre a porta, rimos da anedota do colega, ou simplesmente tratamos um estranho com respeito e simpatia, enamamos energia positiva. Esta deixa uma boa impressão na outra pessoa que será transmitida a todos os que com ela se cruzem. É o efeito «bola de neve.»

3. Good vibes
Quantas vezes já não deu por si a chegar bem-disposto/a ao trabalho e, passado duas horas, estar de mau-humor, simplesmente porque o seu colega do lado está irritado. A boa notícia é que as emoções positivas são mais contagiantes do que as negativas. Segundo um estudo da Universidade de Yale, a alegria e a cordialidade espalham-se mais rapidamente num escritório do que a irritabilidade ou a depressão.
Opinião dos especialistas Segundo Daniel Goleman, um psicólogo de renome nos Estados Unidos da América, os pensamentos positivos no local de trabalho fazem com que os funcionários se comportem com mais ética e funcionem melhor em grupo. E, porque estão mais felizes, é menos provável que aceitem um lugar noutra empresa.
4. Um elogio sabe sempre bem
Um dia um jovem perguntou ao presidente americano Abraham Lincoln se não era irritante pedirem-lhe constantemente autógrafos. O governante respondeu apenas com uma frase. «Os homens aguentam quase tudo quando se sentem lisonjeados». Uma frase que passado alguns séculos continua a fazer sentido. Que levante a mão a pessoa que não goste de receber elogios. Certamente nenhuma se verá. Mas a verdade é que hoje em dia é muito raro elogiarmos os que estão à nossa volta.
Opinião dos especialistas Algumas pessoas reprimem os elogios porque receiam que soem a algo falso ou a bajulação. O simples facto de não se preocupar com esse facto, significa que não o é, por isso nunca confundirão com uma bajulador/a.
5. Ser perito/a em espontaneidade
Três empresas de consultoria foram rivais na conquista de um importante contrato. Uma foi afastada, apesar ter apresentado uma excelente proposta. Neste momento deve estar a pensar: como é que isso foi possível? Simples. Quando a cliente chegou ao aeroporto, o executivo de uma das empresas nem se deu ao trabalho de ajudá-la com a bagagem. Nesse preciso momento ele perdeu o contrato. Perante a falta de educação, a senhora ficou aborrecida e decidiu não fechar negócio. Toda uma equipa trabalhara noite e dia para criar uma proposta irrecusável e o contrato não se concretizou por causa de uma mala de viagem.
Opinião dos especialistas A simpatia tem de ser espontãnea. No caso anterior, se o executivo fosse naturalmente simpático com todas as pessoas o lapso em questão nunca teria ocorrido. Pegar na mala do cliente teria sido instintivo, em vez de um gesto esporádico reservado só para pessoas importantes. Pequenos gestos e atitudes podem ter um impacto enorme.
6. Cortesia pode mudar o rumo de um negócio
Muitas vezes olhamos para o universo empresarial, como um bicho de sete cabeças, convencidas de que o factor X é sem dúvida as tecnologias de ponta. Surpreendemo-nos quando um simples estímulo ou uma recompensa pode derrubar o mais sofisticado dos sistemas. Veja o exemplo... Antes de entrevistar Warren Buffet, considerado pela Forbes em 2007 como o segundo homem mais rico do mundo, para um anúncio de rádio da Bolsa de Valores de Nova Iorque, Linda Kaplan Thaler, um dos nomes mais conhecidos do meio publicitário norte-americano, lera na sua biografia que adorava coca-cola de cereja, a qualquer hora do dia ou da noite. Por isso antes da entrevista, foi dado a Warren a sua bebida preferida. Ele olhou para a lata e sorriu. «Linda, conto-lhe tudo o que quiser saber, porque me trouxe esta maravilha».
Opinião dos especialistas Segundo os entendidos na matéria, uma pequena cortesia pode fazer milagres. Concentramo-nos no lado errado da questão, deixando passar pequenos pormenores que podem fazer a diferença.
7. Partilhe os seus recursos
Antigamente quando as pessoas abandonavam a empresa de renome Procter & Gamble acabavam por ser marginalizadas. Já não pertenciam à família. No entanto, muitos dos antigos funcionários mantiveram os contactos e criaram uma espécie de »antigos alunos». Quando A.C Lafley assumiu o cargo de CEO a empresa começou a participar nessas reuniões. Lafley percebeu que os antigos empregados não eram traidores mas sim aliados. O exemplo disse é de um ex-funcionário, agora presidente de uma empresa de produtos naturais vitaminas e suplementos, que fez um acordo milionário com a sua antiga empresa. Ambas lucraram com o negócio.
Opinião dos especialistas Quando partilhamos informação e conhecimento acabamos por fazer com que um todo seja maior do que as partes. As vezes grandes parcerias demoram anos para acontecer. Mas vale o tempo de espera.
8. As pessoas mudam
Há uns anos, uma agência de publicidade foi contactada por uma mulher que procurava uma empresa que criasse uma campanha publicitária para duas empresas de vulto que liderava. A primeira pergunta que lhe fizeram foi: Porque é que nos escolheu? Vinte e cinco anos antes, essa mulher trabalhou com uma das administradoras da agência que lhe demonstrou muita amabilidade e respeito. Mais de duas décadas depois, a agência lucrou com esse contrato 40 milhões de dólares, simplesmente devido ao poder da simpatia.
Opinião do especialistas é um erro comum as pessoas pensarem que só devem ser gentis para os seus pares e superiores. Para algumas, é indiferente se é se simpática para uma assistente, recepcionista ou uma empregada de limpeza. Afinal, elas não podem fazer nada por nós. Talvez não naquele momento, mas nunca se sabe quem poderá a vir a ser importante para nós daqui a 20 ou 30 anos.
Nota: Ser simpático não quer dizer que tenhamos de sorrir quando nos pisam. Muito pelo contrário, a simpatia é das palavras mais fortes que existem: significa seguir em frente com confiança, segurança, de quem sabe que, por ser capaz de colocar as necessidades dos outros ao mesmo nivel das suas, conseguirá alcançar tudo o que desejar.

Com base: The Power of Nice, Linda Kaplan Thaler e Robin Koval
Fotos: Mario Sánchez (Newcastle, UK) e Pete Harrison (London, UK)

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