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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura? Diga lá outra vez não percebi...

É a cultura que define o homem, une a nação e identifica o povo. É a maior riqueza imaterial do ser humano. É aquela que acontece a cada instante, bastando, simplesmente respirarmos ou existirmos.

Se o assim é porquê relegá-la para um plano secundário, longe do lugar em que merece estar, conquistado esse estatuto por mérito e notoriedade. Merecia continuar sozinha, única, e nao ser "deportada" para uma prateleira, onde terá ao seu lado o Ensino Superior e a Ciência. Companheiros esses, impensáveis, que também almejavam outro tratamento... como se diz "dividir as águas" não "colocando tudo no mesmo saco".

Ela irá agora dividir as poucas atenções que já tinha e no confronto das verbas e apoios, certamente, que não sairá vencedora, no momento certo "os seus companheiros" irão lhe pregar uma valente partida. E mais uma vez apesar de todos sabermos que ela é a tal maior riqueza imaterial do ser humano ficará confinada a um letreiro: “quando nos der jeito está ali bem arrumada”.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um hospital psiquiatrico, o teatro e varias maluquices

As vezes basta uma pequena reportagem, após o já habitual zapping, aquando o intervalo da novela, para a atenção ficar presa em histórias invulgares, mas carregadas de um impressionante realismo… vidas autenticas que não nos lembramos que podem existir.

O cenário e o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, antigamente conhecido como Júlio de Matos. Os actores são aqueles que pela esquizofrenia, esgotamentos, ou depressões “refugiaram se” naquele local para fugir a sociedade que os atormenta, tal como diz convictamente Estella uma das figuras principais, “não gosto das sociedades”, ou então como o cego Carlos, que há 14 anos frequenta aquela terapia teatral, e para isso diariamente, enfrenta a loucura do barulho e das enchentes de gentes nos comboios e, o stress dos passageiros nos autocarros, para simplesmente chegar aonde mais quer estar: No grupo de Teatro do Hospital.

Aqueles que são considerados por muitos como os “maluquinhos da sociedade” provam que a tal doideira, devaneios, demência, ou insanidade podem ser derrotadas, mesmo que temporariamente, por um simples encarnar de personagens, um magico vestir e despir personalidades… ou um libertar de expressões e movimentos, aprisionados num cérebro cansado, que não compreende a tal “sociedade”.

Eles são diferentes… como todos nos somos, cada um a sua maneira. Criem o seu próprio mundo e dele não saiem, só deixam entrar quem querem, mas isso não implica que não consigam fazer as mesmas coisas, ter os mesmos desejos, emoções, que os tais que vivem na sociedade.

Sentam se numa mesa quadrada para que todos se possam olhar e debater ideias. Os argumentos para as pecas são escolhidos por todos, juntamente com o encenador João Silva. Guiões que pactuam com a sua realidade, que neles transportam as mais diversas frustrações, fúrias, revoltas, medos, mas também, os sonhos mais resguardados ou paixões reprimidas.

Sobem a palco. Teatro Nacional. Espaço esse que acolhe uma peca da grande actriz Eunice Munoz. O receio esta presente nas mãos que suam, ou nos olhares assustados. Vários actores conhecidos marcam presença. Estella antes do final sai de cena. Não aguenta o confronto com a “tal sociedade” de que tanto foge.

Tal como ela diz “não estou preparada para as sociedades”, pois e uma pessoa “com feitio complicado e difícil”.

O outro dia. A imagem regressa ao inicio. Como tudo começou. A mesma rotina Estella passa a ferro, na Lavandaria do Hospital, a roupa dos seus vizinhos amigos colegas. Não abandona o seu mundo e o seu mundo não a quer abandonar. De vez em quando da permissão assim mesma para entrar no universo teatral, deixando a porta meio aberta. Assim sabe que poderá sempre fugir quando já não se sentir bem.

Sem duvida, o Teatro consegue despertar a mais revoltada e confusa mente, enquanto que uma pequena reportagem, sem espaço para muitos efeitos especiais ou muito dramatismo consegue despertar no telespectador sentimentos de pura alegria, de satisfação por estar a conhecer aquelas historias.

Tanto que não resiste longo no final da reportagem em pegar numa caneta e escrever este texto, para que hoje pudesse publicar no blog e partilhar estes trechos de uma reportagem que soube ser fiel ao seu conceito: captar a atenção, informar e no final levar a que se continue a pensar nela.

Nota: A reportagem passou ontem na RTP Africa, no programa 30 minutos, que costuma dar na RTP. Nao captei o nome da jornalista, do editor nem do reporter de imagem mas estao de parabens pelo excelente trabalho

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Porque estamos sempre a mudar...

Porque adoro mudanças...

Porque não há nada melhor do que algumas mudanças para alegrar o dia

Porque simplesmente não me assusta a palavra mudar...

E... também porque o meu cantinho das letras precisava já de uma mudança :) Eis que ela chegou!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um Bem Haja para a Casa do Cidadão

Porque as coisas boas também devem ser louvadas... Hoje de manhã estive na Casa do Cidadão, no Plateau, e de facto é de elogiar o serviço publico que ali é prestado. Todos os sectores bem divididos, um acompanhamento desde o momento em que se entra, o atendimento é optimo e principalmente rápido, já que os funcionários sabem do que estão a falar e respondem prontamente a todas as questões que lhes são feitas. Não há muito tempo de espera.

Espero que com o passar do tempo continue-se a manter este nivel de atendimento e a boa organização, porque de facto todos nós merecemos serviços assim.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Os Kassabudi" do meio ambiente

Aqui vai a malta num belo passeio pelo interior de Santiago. Objectivo: desfrutar de um pic nic “à moda di nhos”, com direito a tudo, desde a famosa sandoca, à bela da cervejinha, marmelada, pastéis de nata, um manjar propício para um domingo de bom convívio e de descanso.

Destino: Ribeira da Barca, concelho de Santa Catarina. Localidade piscatória, com difícil acesso mas que vale a pena conhecer. Agora não é para falar da convivência dominical que este post foi pensado, mas sim denunciar aquilo que já tantas vezes foi falado, mas ao que parece as autoridades fazem "ouvidos moucos". É o poder dos grandes grupos, das grandes empresas que fala mais alto. A cor do dinheiro que é mais valioso que qualquer destruição paisagística, que qualquer atentado ao ambiente.

Mas vamos aos factos, que esses é que valem por si.

Praia da Ribeira da Barca, ali está para quem quiser ver! Em plena luz do dia, sem medos nem constrangimentos, como se tratasse de um trabalho normal, digno e respeitado… pois lamento informar… a extracção de areia é ilegal. Uma coisa, meus caros, é ouvir falar, outra é presenciar, acreditem que não é um cenário bonito de se ver.

Primeiro take: várias mulheres daquela zona, onde a idade não é importante, por cerca de 10.000 contos por grupo, enchem de segunda a segunda, diversos camiões com areia daquela praia. A famosa lei da sobrevivência entra agora em cena. Sem terem nada para fazer numa localidade fustigada pelo desemprego, enquanto os homens sentam-se à mesa de um qualquer bar para “concorrerem” ao “quem é o campeão do grogue”, elas por sua vezes são aliciadas para realizarem aquele trabalho ilícito, todos os dias, varias horas seguidas, pois o importante é o camião ficar cheio.

Segundo Take: Os condutores dos tais camiões, após cumprirem com a sua "demanda", transportam a areia para as grandes empresas de construção onde esta é vendida a um preço mais baixo do que se fosse exportada. Houve quem me dissesse que não… o preço é o mesmo, mas só que desta forma ilegal dá menos trabalho. A lei do menor esforço prevalece à destruição do meio ambiente.

Terceiro Take: A praia fica digna de um postal envenenado, sem cor, sem magia, despida daquilo que a mãe natureza lhe deu, a perder as qualidades que outrora faziam dela uma paisagem inesquecível.

Ao que apurei o ICIEG está a realizar formações para estas mulheres que se dedicam a este tipo de “trabalho”. É lhes dado um subsídio durante a iniciativa, para que não voltem a recorrer à apanha da areia e no início de cada formação é feito um estudo com as mesmas, de modo a analisar os seus gostos, para depois as direccionar para o curso mais indicado.
Informaram-me também que as mulheres que têm frequentado este tipo de formações estão todas a trabalhar e não voltaram à extracção de areia.

Como se costuma dizer corta-se o mal pela raiz. Mas o grande problema reside no facto de serem as grandes empresas que praticam estes actos vândalos. Sim também as podemos considerar como os “Kassabudi” do meio ambiente, já que vivem sob os mesmos princípios daqueles que roubam diariamente nas ruas da capital.

Lá está… Quem do Governo vai se colocar contra aquelas empresas que muitas vezes são parceiras em varias construções ou que “contribuem” para o desenvolvimento de Cabo Verde?

Retirar as mulheres daquele trabalho já é um começo… um inicio a destacar. Ataca-se de alguma forma o problema, agora não se pode é ficar à espera que um dia por obra do espírito santo a situação se resolva (melhor dizendo que as situações se resolvam já que Ribeira da Barca não é o único exemplo), por isso meus caros nem com as ajudas de todos os santinhos isso vai acontecer… e depois dá-se o inevitável um Cabo Verde a preto e branco nos cartões postais.