terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Dê as boas as vindas à mudança




“Não quero amar pela metade, não quero viver de mentiras, não quero voar com os pés no chão... Quero poder ser eu mesmo, mas com certeza, que não serei o mesmo para sempre...", as bonitas palavras de um dos maiores poetas portugueses, Ary dos Santos, são um estímulo quando pensamos em abandonar, de vez, o chamado “medo da mudança”.

Quantas de nós já atingiu um ponto sem retorno, em que as sílabas da palavra ”mudar” tocam, vezes sem conta, à nossa campanhia, mas recusamo-nos a descer as escadas e abrir-lhe a porta...Não nos sentimos bem ou naquele sitio, com algumas pessoas, com exageradas regras e com certas condutas... e de um momento para outro, pouco a pouco, deixa de fazer sentido estar naquele lugar, ou com aquele alguém, ou com determinados sentimentos...

O medo de alterar, falhar, de concretizar é maior do que a vontade de avançar, que nos visita todos os dias com uma simples, mas dura verdade. “Chegou a hora de tomar uma decisão”. Três mulheres, três exemplos... que tiveram a “ousadia” de receber gentilmente em suas casas a mudança mostram que está na hora de tomar o destino nas mãos e também convidar a coragem para a sua vida! Quem está mal mudou-se! Ouvimos diariamente no nosso quotidiano, por isso do que estamos à espera para subir a nossa taxa de felicidade!

Au revoir ao “excessivamente” trabalho

8h00... O telefone toca mas não há vontade de atender. Trimm....Trimm... A insistência daquele barulho faz a ceder. Após os primeiros minutos de conversa, dá-se conta que tem mais um problema para resolver. Há um segundo no meio daquela chamada onde a mente pensa apenas numa pergunta: “O que é que estou a fazer com a minha vida?” Desde o momento em que desliga, apenas toma um banho rápido, tirar a primeira coisa que lhe aparece no guarda-roupa e "voa" até ao trabalho.

Cinco minutos depois de estar no escritório, descobre que ao primeiro inconveniente da manhã junta-se mais dois ou três para solucionar. Olha para a sua equipa e percebe: "eles não sabem o que estão a fazer". Começa a trabalhar rapidamente, da melhor maneira possível, mas a satisfação tarda a chegar. A hora do almoço é uma ilusão. As gargalhadas e boa disposição dos colegas na copa, enquanto saboreiam cada garfada é uma cenário irreconhecível no seu quotidiano. Não há tempo... No período da tarde o telemóvel da empresa não pára de tocar, enquanto que o pessoal nem vibra com uma mensagem. "Os amigos já nem me ligam porque sabem que esqueço-me de responder aos convites". Tempo! não há tempo, o tempo escasseia.

20h00... o único barulho que se ouve é o teclado do computador. O corpo cede está na hora de ir para casa, apesar da cabeça querer ficar mais um pouco, "todos os segundos são sagrados", pensa. Já no doce lar, o frigorífico está muito longe para que se possa percorrer uma pequena distância e buscar qualquer coisa para “tricar”. Deitada no sofá, o sono chega não sem antes pensar: "O que é que estou a fazer com a minha vida? Enquanto um pintor busca pela a perfeição da sua tela, Beatriz anseia necessariamente pela perfeição profissional, onde o excessivamente anda lado a lado com a vontade de querer abrandar: Excessivamente motivada, viciada em trabalho, empreendedora, funcionária incansável, super-mulher, esta mulher de 31 anos é o exemplo real do desejo, da atitude, da procura pelo inatingível.

Uma perfeccionista sobrecarregada de trabalho, que se recusa a delegar tarefas já que ninguém consegue fazer as coisas de uma forma que a satisfaça. "Sempre fui assim, em todos os empregos por onde passei. Não admito sequer que posso falhar, porque sou forte, eu consigo". Produtora de eventos e espectáculos há cerca de 6 anos, Beatriz deixou de ter a vida social que sempre adorou, de ler um livro ao final da tarde, de ir ao cinema numa bela tarde de domingo, em prol de uma carreira onde não há espaço para derrotas.

"Não tenho energias para os meus amigos, só de pensar em sair de casa agonia-me". Há cerca de três meses, o alarme deixou o último aviso: “dei por mim a trabalhar doente em casa com 38 graus, sem nada na despesa para comer. Foi o caos".

Algo tinha de mudar... E o primeiro passo era “dar ouvidos” à palavra que só de pronunciar a assustava-a: mudança. Escutando a voz quase esquecida na cabeça, a empresária nem pensou duas vezes, “porque se assim o fizesse tinha ficado na mesma”. Embarcou para a Polónia para visitar alguns familiares, acabando por tirar umas férias que andavam já prometidas há quatro anos. “Aproveitei esse tempo para recarregar baterias e reflectir... sei que a mudança começou ali ...

Ao regressar a Lisboa, Beatriz continuou a desformatar a velha e doente rotina, fazendo o delete dode vários “vírus doentios”. “Diminui a carga horário, em cada semana tenho um dia reservado para mim, para aquilo que gosto de fazer e outro para estar com os amigos. O mais importante é que comecei a delegar mais funções à minha equipa. Como dizia Fernando Pessoa agora “não me esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo e posso evitar que ela vá à falência... Tive coragem!”.



Um fogo que foi apagado para sempre!

O que faz com que um Homem corra para dentro de um edifício em chamas quando todos os outros de lá fogem? O que faz um bombeiro deixar a sua família todas as manhãs e arriscar a sua vida para resgatar estranhos? Todas estas perguntas perdem o sentido quando o amor à profissão é mais forte. Impulsionados pelo um sonho, uma vontade ou simplesmente pela coragem, muitos jovens optam por aprender gestos que salvam vidas. E isso era o que Rita mais desejava... vencer o fogo! Quis o destino que o pai fosse contra a sua vocação. “Desejava que seguisse os seus passos na advogacia... Dizia-me muitas vezes: ‘era o que faltava uma bombeira na família, és mulher não podes”.

Naquela altura, o quarto da adolescente estava repleto de posters alucidativos ao filme “Mar de Chamas”, em que se distinguia um capacete (dado por um “soldado da paz numa visita de estudo a uma corporação) que a jovem tinha orgulhosamente colocado em frente à cama, para que todos os dias ao abrir os olhos fosse a primeira coisa a ver.
Quando o pai da jovem destemida apercebeu-se que o interesse da sua menina mais nova por montar lances e subir as escadas de ganso estava deixar de ser um capricho de criança, resolveu intervir com a persuassão excessiva que lhe era característica.

“Comuniquei-lhe que gostaria de entrar para a academia de cadetes... Ficou branco, mas como sempre tentou não mostrar parte de fraco. Reuniu todos os elementos “sujos” para que desistisse, como levar-me a conhecer irmãos, pai e filhos daquelas que tinham perdido em incêndios. Fui fraca e resolvi ser a menina bonita do papa.”

Durante três anos, Rita acomodou-se por entre livros de direito e código civil, deixando de ser a rapariga extrovertida ciente do que queria, para uma mulher adversa à mudança. “Pensava muitas vezes, agora já nao vale a pena, tomei aquela decisão vou levá-la até ao fim”. Ao cansaço dos exames aliou-se a depressão... e todas as noites antes de se deitar a futura advogada arrependia-se da decisão tomada! Mas não havia como voltar atrás...

Até que dois anos antes de acabar o “tão detestável curso”, uma frase de um professor fê-la acordar: “Todas as profissões só são bem desempenhadas quando se gosta realmente delas. Quando estiverem em tribunal e, caso não acreditarem no que estão a fazer o vosso cliente será a principal vítima das vossas más escolhas”. “Nem mais” pensou Rita... No mesmo dia “alistou-se” sem pensar nas consequências que puderiam vir desse acto.

Hoje, apesar de o pai ter deixado de lhe falar durante dois anos, Rita já nota alguma cedência da sua parte. “Quando lhe contei informou-me que nunca me iria ajudar em nada, actualmente já me telefona para saber como estou”. “Alegando que há sempre uma luz ao fim do túnel, há é que sabe procurá-la”, orgulha-se de já ter ajudado num incêndio de escala menor, mas tem a certeza que as chamas maiores do seu “eu” já foram “apagadas” para sempre: o medo de mudar é agora cinzas!





Uma força da natureza

Desde míudos que se conheciam... Aliás eram vizinhos porta à porta! Quando os pais de Pedro saiam para o emprego, o menino saltava de imediato da janela, tudo em nome de Ana, a menina mais bonita do bairro e sua melhor amiga. Quando a fábrica apitava, dando por terminado mais um dia de trabalho, a jovem tratava de empurrá-lo com uma vassoura para dentro de casa, já que Pedro queria sempre ficar mais um bocadinho! Da cumplicidade nasceu o amor e aos 20 anos resolveram casar, nada que espantasse os mais chegados já que estava escrito no destino de cada um.

Chegou a guerra colonial e o jovem, como tantos, teve de partir, o Ultramar convocava-o para uma guerra que não era a sua. Ana esperou pelo amado tal como uma donzela espera pelo seu príncipe. Mas na vez do “cavaleiro andante” regressou um homem que agora a empregada de escritório desconhecia. “Vinha completamente diferente, os trabalhos que arranjava despediam-no sempre, ficava fora até altas horas da manhã, já não havia bondade dentro ele”.

Nem mesmo com a chegada da pequena Matilde as coisas mudaram. “Quando a filha nasceu tiveram que o acordar pois estava de ressaca. A droga tomou conta dele”. Um ano e meio foi o tempo que a mãe da bebé aguentou. “Por mais que o amasse não ia dar uma vida de horror à minha filha. Por ela e por mim deixei-o sem olhar para trás”. O caso de Ana é diferente de muitas mulheres, que aguentam anos infindavéis ao lado de alguem que não lhe traz felecidade. “Não tive medo de mudar, apesar de ter sido muito dificil criar a Matilde sozinha, sem ajuda de ninguém. Deixei muitas vezes de comer para lhe dar a ela. Mas voltava a fazer tudo igual. A minha filha é a minha razão de viver".

Hoje as duas mulheres vivem numa casa humilde, mas onde reina o amor. A rapariga hoje com 27 anos é uma escritora conceituada e até já tem argumento para o próximo livro. Ana: uma força da natureza!”.

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Criancinhas - by Miguel Carvalho



Um retrato fiel, nu e cru... Escrito por Miguel Carvalho na Revista Visão... que ao menos ajude certos pais a "wake up to reality"!

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comece a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo.

A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Brava uma prisão de portas abertas



Uma reportagem que me deu imenso gozo fazer, não só pelo facto de ter conhecido uma ilha lindíssima, mas também pela temática em si. Os repatriados. De quem é a culpa pela falta de integração na sociedade?

Nha Terra Nha Cretcheu - Amanhã, quarta-feira, dia 2 de Dezembro
RTP Afica - 22h15 (Portugal)
- 21h15 (Cabo Verde)

TCV - Sexta-feira - 21h15

O caminho é longo. Voa-se pelos céus, aterra-se sob o olhar atento do Vulcão, atravessa-se mares que por vezes vivem em conflito, para só depois se entrar noutra dimensão. A visão quer assimilar tudo…. Chega-se finalmente. Vários sentimentos são trazidos na pouca bagagem. Diversas emoções que carregam no coração. Poucas memórias tem-se daquele lugar, ou aquelas que ficaram perderam-se nas teias da emigração.


Regressar a um país onde a única ligação são os familiares distantes e um bilhete de identidade com a indicação: local de nascimento Cabo Verde. Retornar a uma ilha onde não há raízes, não há afecto, não há nada. Essa será a palavra mais acertada… nada.

Deixa-se uma América moderna, abandona-se forçosamente uma terra em que o dia de hoje é bem diferente do o de ontem. Recomeça-se uma nova vida numa ilha perdida no século XX, em que os dias do presente irão ser iguais ao do futuro. A ilha da Brava está assim…


Os repatriados. Aqueles que por um crime cometido noutro país são obrigados a regressar ao seu pais natal e a permanecer por um tempo determinado. Três, cinco, dez anos ou então para sempre. Porque quando é altura para regressar já não há mais forças.

Na Brava, a mais isolada das nove ilhas habitadas de Cabo Verde, 90 por cento dos que são mandados de volta provem dos Estados Unidos. Até porque desde o século XVIII que a emigração daquela ilha é quase toda para aquele país. Naquela altura, a pesca da Baleia era o motivo principal. Desde então, é sentar nnum dos sobrados da Vila de Nova Sintra e vê-los a partir.

Enquanto crianças, deixam a sua terra natal com os seus pais em busca do sonho americano. Mas basta um pequeno delito para serem deportados para um local que não conhecem nem lembram-se de conhecer.

Três histórias. Três exemplos de luta pela sobrevivência diária, sem perder a cabeça. O objectivo é viver sem pensar no amanhã, sem relembrar the old good days em Bóston ou Massuchetts ou noutro qualquer estado americano, e sem se debaterem consigo próprios que só estão bem aonde não estão e que só querem ir aonde não vão…

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Confissões de uma Vítima de Violência Doméstica

Hoje, dia 25 de Novembro, Dia internacional de Combate à Violência contra as mulheres.

Escolher a denuncia como arma. Saltar para a liberdade através da denuncia e não através de uma qualquer janela de um prédio. Escolha a vida como libertação e não a morte como fuga.


Sou um corpo que deambula ao acaso,
Que vive com medo todo o dia.
Amostra de ser mal amado
Sem conhecer felicidade e alegria.

Uma mulher constantemente criticada
Que chora apenas escondida,
Consciente que não vale nada,
E a imagem totalmente denegrida.

Escondo os hematomas como sei.
Habituei-me há muito a mentir...
Vivo uma vida como nunca pensei,
Com a maior parte do tempo a fingir.

Esta mão, assim queimada, e a doer,
É porque sou tão distraída...
Meti-a numa panela a ferver
E fiquei tão arrependida.

Tapo as nódoas negras com roupa
De Inverno, mesmo no Verão.
Apenas porque sou meia louca
Passo a vida a cair ao chão.

A boca, assim cortada,
Foi apenas porque sorri...
Não sei estar calada...
Apanhei porque mereci.

Quando parti o braço direito,
Foi porque me maquilhei nesse dia.
Mas afinal, foi bem feito,
Porque parecia uma vadia.

O meu corpo está tão cansado
Não aprendo a me comportar
Para viver bem com meu amado,
Que tudo faz por me amar.

Farta dos meus erros e maldade
Subo até ao vigésimo andar!
Salto, enfim, para a liberdade,
E já sou feliz... a voar!



Escrito por Vera Sousa Silva

Mi casa es su casa - Reportagem no Nha Terra Nha Cretcheu


A gastronomia é o nosso bilhete de identidade cultural. Paladar… Cheiro… Cor… Variedade… O estômago agradece e o coração fica feliz. Saber comer ou comer bem… É sempre a questão… Mas o mais importante é desfrutar de uma boa refeição.

Os temperos vindos de terras lusas, os condimentos aromáticos da Columbia, os fortes cheiros do Senegal, a rica culinária cabo verdiana.

A variedade dos sabores culturais já chegou a terras crioulas…

A troca do conhecimento gastronómico no mesmo espaço, na mesma casa, no mesmo lar. A química do amor multicultural na cozinha!


Reportagem hoje no Nha Terra Nha Cretcheu - RTP Africa - 22h15, hora de Portugal.
TCV - Sexta-feira, depois da novela

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Limpeza na luta contra Dengue... E depois como será?

Cabo Verde está em estado de Alerta! A dengue, aquela epidemia que tanto se houve falar no Brasil, chegou a Cabo Verde mas com a promessa de que veio para ficar.

Perante os inumeros casos que têm surgido, mais de cem por dia, o Primeiro Ministro, José Maria Neves, resolveu decretar o dia de hoje, 6 de Novembro, como Feriado Nacional, para que se procedesse a uma limpeza geral da capital caboverdiana, acabando com os focos, onde há maior prevalência do mosquito.

É de louvar a união do povo caboverdiano nesta luta. Hoje a meio da manhã cheguei da Ilha do Fogo, onde também aqui as pessoas tinham se juntado em prol de uma causa, e reparei que desde o caminho do aeroporto até à Achada de Santo António, muitos caboverdianos e não só, tinham respondido ao apelo de eliminar os residuos que podem servir de propagação do mosquito.

É de louvar sim... mas é de se esperar que esta limpeza continue. Ainda bem que se está a fazer algo, mas tudo seria melhor se esta ideia tivesse sido dada antes do estado de alerta.

Desde o primeiro dia que cheguei à Praia, a 4 de Outubro de 2009, que fiquei chocada com a quantidade de lixo, sujidade, residuos, que as ruas da capital comporta. E ao fim de um ano posso dizer que o quadro é o mesmo.

Porquê é que no Fogo, Brava, Sal (ilhas que já visitei) as ruas estão limpas? Será que é da mentalidade dos badios? Ou então porque culpa das autoridades locais que não se esforçam o suficiente para minimizar este drama?

Gostava sinceramente que houvesse uma mudança de comportamento, mas também adoraria que em cada localidade da Praia, houvesse mais caixotes do lixo. Porquê senão há opções é obvio que as pessoas vão continuar a colocar os seus residuos na rua à espera que passe o camião da recolha, que por vezes também falha...

Agora tenho receio... que a Dengue passe e que tudo volte ao mesmo. Sacos do lixo a "voarem" de dentro das casa para as ruas, as praias poluidas, os escassos caixotes lotados em que como não há espaço coloca-se no chão. O cheiro.. o mau estar...


O melhor é esperar para ver... e acreditar. Mas antes de mais, e muito importante que tudo é que esta epidemia faça as suas malas para nunca mais voltar!!!

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Um ano dja passa...

Um ano em ilhas crioulas... Meu deus como o tempo voa.

Tantas emoções vividas, experiências que guardo religiosamente, num país que já faz parte de mim... por dezenas de razões.

Do balanço apenas uma coisa: O bom supera o mau!!! apesar das saudades, de muitas vezes desesperar: "Quero Regressar"... dou por mim a pensar no clima... no imenso mar, ali bem pertinho de casa, que chama por mim... o tempo e o espaço que gritam comigo "aqui e agora é o teu lugar", o amor que fala mais alto, o trabalho que é gratificante, a alma, as tradições,os costumes, o que se aprende todos os dias, a toda a hora, mesmo que não seja da melhor maneira. As desilusões que nos tornam mais fortes, a descoberta de novos amigos, que nos dizem "dá-nos o melhor de ti", sem haver cobranças....

Cresci em Cabo Verde...

Aqui sou feliz! E porquê? Os que estão cá sabem, os que me conhecem verdadeiramente imaginam, os que estão longe... Venham até cá e assim descobrirão!

Que bem se está em Cabo Verde! Quando um dia esse sentimento passar, é hora de regressar a casa ou conhecer outras paragens :)






segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Adeus Manuel D´Novas



Quando ouvi pela primeira vez,"Nos Morna", pela voz celébre de Ildo Lobo, mas pensada por Manuel D´Novas, foi como uma comunhão de sentimentos novos, uma sensação de felicidade...é isso mesmo o que esta letra dá.

Tal como "Lamento d´um imigrante... outra sonoridade que nos arrasa a alma perante a força da sua letra...

Morreu um grande senhor que sabia brincar com as palavras que as conjugava numa perfeita harmonia...

Há muito a dizer sobre este homem de Santo Antão mas que foi "adoptado" por S. Vicente. Eu só me posso referir às suas músicas. E que belas que elas são!!!!

Foto retirada do site do Semana Online

Portugal e a bicharada

O problema é que mais do que nunca Portugal está entregue à bicharada. Literalmente... Com os deputados do CDS, Sócrates consegue maioria no Parlamento, mas para isso claro terá que se aliar ao "vira-casacas" do Dr. Paulo Portas, que certamente irá "delirar" com a oferta socialista de alguns ministérios. O momento que Portas desejou nos últimos tempos... voltar a fazer parte de um Governo...

Esquerda e extrema direita (sim porque não me venham com coisas que o CDS/PP não é de extremos, começando pelo seu líder) juntos? Valha-nos todos os santos.

Aos que estão lá Boa Sorte, aos portugueses espalhados pelo mundo aguentem-se mais uns quatro anos fora, porque de certeza que qualquer lugar é bem melhor para viver do que o nosso Portugal socrático com uma pitada de direita ferrenha à mistura.

Lá começam novamente as dores de cabeça de Cavaco Silva!!!

Aguarda-se por novos episódios...

E o vencedor é… José Sócrates sem maioria

José Sócrates e o PS ganham a continuação no Governo, mas perdem a maioria absoluta. Após a noite onde se decidiu quem irá comandar os destinos de Portugal, uma pergunta impera… Com quem o Partido Socialista irá fazer coligação?


Às 19h00 de Portugal, 17h00 em Cabo Verde, as primeiras projecções eram dadas. A abstenção situava-se entre os 38% a 43%, um valor acima do indicado nas últimas legislativas. (Em 2005, 35,7%).
As primeiras reacções. Da parte do PS, “alguma prudência” aos dados, já o PSD referiu que a abstenção era “demasiado preocupante”.
Estava-se no arranque dos motores. As expectativas eram muitas. E o nervosismo era sentido na cara dos diversos apoiantes de cada partido.

A dezoito minutos de se saber quem seria o mais provável vencedor, Luís Marques Guedes, do PSD, veio lamentar a elevada taxa de abstenção. Seguindo-se o CDS.
Depois de 15 dias de campanha, de frente a frente, de debates, de troca de acusações, e visitas a feiras e mercados, as projecções dão vitória ao PS e a José Sócrates, (primeira projecção 40 a 36%), mas… sem maioria absoluta.

Partidos da oposição congratulam-se com perda de maioria do PS. O partido socialista foi o primeiro a manifestar-se. Vieira da Silva, director de campanha de Sócrates, salientou que “o povo foi chamado a escolher, e escolheu”, defendendo que o PS “obteve uma clara vitória”. “Alcançamo-la em condições muito difíceis, depois de termos sido abalado pela pior crise económica mundial, depois de termos um resultado negativo nas últimas eleições europeias, podemos dizer que hoje o PS deverá estar satisfeito com os resultados obtidos”.
Vieira Silva foi mais longe e clarificou que foi “uma vitória sobre o pessimismo, um factor esperança de que somos capazes de recuperar e colocar Portugal na rota do crescimento e a coesão social”.

Da sede dos sociais-democratas, reinava o silêncio e algum desconforto perante os resultados…

O Bloco de Esquerda (BE) foi o segundo a comentar pela voz de Luís Fazenda. “Derrotámos o PS, pois não teve maioria absoluta. Estas projecções trazem como resultado político o reforço do BE e o seu crescimento. Estamos orgulhoso por ter contribuído para a derrota da direita e tirar a maioria absoluta ao PS, e à sua arrogância”, referiu.

Também a primeira reacção do CDS/PP e da CDU era unânime: a congratulação pela retirada da maioria absoluta ao partido dos rosas.
Um facto que se destaca destas eleições é que há muito que as duas maiores forças politicas (PS e PSD) não somavam tão pouco, tanto a nível de percentagem como no que diz respeito ao número de deputados.

Às 21h00 da noite, o duelo era agora travado entre o CDS/PP e o Bloco de Esquerda e a disputa renhida pelo terceiro lugar.

Manuel Alegre, o deputado do PS que nas presidenciais concoreu contra Mário Soares, perde o seu lugar no Parlamento, mas não deixou de salientar que a maioria relativa “obriga a um maior diálogo político e institucional, a um esforço para ouvir e dialogar com os outros partidos", mas defendendo “não haver condições para uma coligação, nem à esquerda nem à direita”.

Futuro de Ferreira Leite decidido depois das autárquicas
Um dos discursos mais aguardados da noite. Acompanhada por Aguiar Branco, Manuela Ferreira Leite fez a sua declaração após a derrota: “Quero cumprimentar os vencedores, nesse sentido já telefonei ao Eng. José Sócrates”. Na bancada Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, Fernando Negrão, Leonor Beleza, eram alguns dos sociais-democratas que ouviam o discurso da líder do PSD.

“Ao longo de toda esta campanha eleitoral fizemos aquilo que em consciência achamos que deveria ser feito. O PSD não se calara nem se deixará intimidar no exercício dos seus direitos democráticos. Não abdicamos do princípio que nunca nos afastaremos, continuaremos o combate político guiamo-nos pelos princípios firmados e que mantemos… os resultados não foram esperados e isso assumo inteira responsabilidade”.
Manuela Ferreira Leite acrescentou ainda que o PSD agora tem de estar mobilizado para as eleições autárquicas. “Amanhã começa uma outra campanha eleitoral, o PSD tem de se concentrar nessas importantes eleições, que têm uma grande importância na vida da população, após essa data, convocarei o congresso para analisar todos estes factos”.

Muito cuidadosa no discurso de oposição, Manuel Ferreira Leite não fechou a porta, a dar “o seu voto” pontualmente, a assuntos cruciais como por exemplo o orçamento.
Após a líder do PSD sair de palco, foi visível nas televisões portuguesas, ouvir algumas opiniões que defendem, entre linhas, a sua saída. Como o caso do Presidente da Câmara de Gaia e ex-líder do PSD, Luís Filipe Menezes.

Já o secretário geral da CDU, Jerónimo de Sousa referiu que a perda da maioria absoluta constitui a maior na vitória e uma viragem nacional, enquanto que Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, ressalvou que o BE teve um resultado extraordinário ao subir para mais de 200 mil votos e eleger 16 deputados.
“O PS aclama vitória hoje, mas Maria de Lurdes Rodrigues (Ministra da Educação) perdeu o seu lugar, dou os parabéns aos professores”, salientou Louçã.

Sócrates e Portas… Possível União?
“Meus caros amigos o Partido Socialista teve esta noite uma vitoria extraordinária eleitoral, o povo falou e falou bem claro, o PS foi de novo escolhido para governar Portugal, sem nenhuma ambiguidade tudo faremos para honrar e estar altura dessa confiança”, foi desta maneira que o vencedor da noite começou o seu discurso. Clarificando que o PS pode estar orgulhoso de ter feito uma boa campanha, positiva e justa, fazendo assim uma critica indirecta a Manuela Ferreira Leite, José Sócrates afirmou que “o povo português valorizou essa atitude, pois o PS não se candidatou para combater ninguém, mas sim servir Portugal e os portugueses”.

Quanta a possíveis coligações, o Primeiro-ministro respondeu de uma só forma:
“Devemos observar todos os procedimentos institucionais, esperar a Indigitação Presidencial, depois irei fazer consulta com todos os partidos com assentos parlamentares. Esta legislatura merece estabilidade, é cedo para responder a essa pergunta se irei governar sozinho”.

Mal Sócrates acabou o discurso, o líder o CDS/PP, Paulo Portas iniciava o seu. Conseguindo atingir os 10% que há muito tempo desejava, sendo agora a terceira força política e parlamentar, Portas não conseguia deixar de sorrir. “O povo tirou a maioria absoluta a José Sócrates, o PS desceu cerca de 45 para 36%, perdeu mais de meio milhão de votos. O país recusou a arrogância e prepotência duma maioria transformada em poder absoluto, acrescentando que a forma de governar Portugal terá que mudar radicalmente e que “deputado a deputado, voto a voto, provou-se que o voto do CDS não é útil mas sim utilíssimo”.

Com 22 deputados eleitos, o CDS entrou para a história elegendo pela primeira vez um deputado no círculo da Madeira, mas também, em círculos mais fechados como, Coimbra e Faro. Portas agradeceu ainda aos jovens que em muitos concelhos deram ao CDS mais de 20 por cento, mas também, às deputadas eleitas pela sua inteligência nata e competência já provada.

Acaba mais uma noite de eleições. A 11 de Outubro há novamente mais uma meta a ser atingida por cada partido. Resta saber se até lá saberemos se haverá coligação entre socialistas e democratas cristão ou entre as esquerdas ou se Sócrates irá se aventurar numa governação sozinha sem ajudas de ninguém.

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Ultimos momentos... Até Breve 2!!






Últimos momentos... até breve!!!







segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Mais momentos...






domingo, 16 de Agosto de 2009

Momentos...













terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Primeiras impressões mais o casamento da Mel e do Edgas


Cá estou... Ao fim de sete meses a desesperar por um belo sushi, uma cinemada daquelas com muitas mas acreditem muitas pipocas à mistura, o zapping com dezenas de canais bem ali à minha mercê... Cá estou em terras lusas.

Estamos em Agosto, mas a 2 circular continua cheia de carros em hora de ponta. O IC 19 um pandemónio. Efeitos da tal crise que tem acabado com o humor dos portugueses. Nao há money para as férias nem no sítio do costume: o algarve. Esse ao que parece está minado da classe média alta e alta, uma preciosidade já de longos anos.

Um amigo meu definiu a crise assim: "Os pobres estão cada vez mais pobres, os ricos cada vez mais ricos. É um karma do caraças!"

No entanto uma coisa que me espantou desde que cheguei é que já vi mais de 10 anúncios a proclamar: PRECISA-SE DE EMPREGADA/0

Cafés, restaurante, lojas... Ao entrar em vários lojas do Colombo (sim não resisti, o meu lado consumismo, o meu lado de mulher que adora lojas e mais lojas) reparei que os funcionários não falam o mesmo português que eu... Em vez de um "Boa tarde, precisa de ajuda" oiço "Oi, tudo bem, quer alguma coisa"... Os brasileiros estão por todo o lado naquele centro.

E sabem que mais... É bem feita para aqueles "portugas" que armados em intelectuais com cursos superiores, em época de crise, recusam-se a trabalhar em centros comerciais por acharem que "não é bom para a imagem". E depois queixam-se que isto está mal!!! Claro que está... as pessoas não querem trabalhar, querem sim de repente continuar com a mesma vidinha que tinham, com o mesmo status, com a mesma conta bancária. Wake up to reality!

Em épocas de grande aperto, onde a vida não está mesmo fácil há que agarrar as oportunidades que surgem. É obvio e não se precisa de ser um génio para se saber que uma pessoa não anda a estudar 4 a 5 anos para depois acabar atrás de um balcão. Mas enquanto não se encontrar melhor há que fazer sacrifícios para pagar o carro que tanto gostamos, ou para levarmos a namorado/a ao cinema, ou para irmos até albufeira só marcar presença e propagar aos sete ventos que tivemos lá.

Entretanto, dizem as más linguas que a gripe suina está a provocar tanto pânico, que basta uma pessoa espirrar pelo facto de o ar condicionado estar mais alto, para que toda a gente fique a olhar para ela a pensar: "Oh meu deus! Será que está infectada, será que lhe toquei, será? será? será?".


A par disso, lá ando a desfrutar dos meus primeiros dias na minha "santa terrinha". Tive a honra, no dia que cheguei, ir ao casamento de dois grandes amigos meus Melina e Edgar e ser a madrinha destes dois maravilhosos friends.
Tive também a honra de os juntar e fiquei muito contente que ao fim de um ano estejam felizes e com um baby a caminho.

Ainda dizem que as histórias de amor já não existem????

Viva os noivos!

Foto: Hugo Castanheira (o verdadeiro fotografo do casório lolol)

P.S Só faltava mesmo a completar o grupo a Natacha e a Mary Jon