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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Para não esquecer!

Ela entrou meio tímida com a tal cara do "está tudo bem, estou feliz!" Os seus gestos, expressões são de quem está a fazer de tudo para que não se repare... Quem não a conhecia, como eu, percebeu de imediato que aquele não era o seu comportamento normal. "Tentar disfarçar o que não se consegue". Quando as marcas não estão escondidas não é preciso ser um génio para entender...

Em poucas palavras, o nervosismo... Ela temia a tal pergunta. Até que surgiu. "Como é que fizeste essa nódoa negra no olho?... Caí, tive um acidente!"

A coragem falta para fazer mais questões, todas naquele espaço sabíamos que a resposta não era a verdadeira, mas ninguém teve a "ousadia" de fazer mais nenhuma pergunta.

Sentia-se a vergonha no rosto daquela mulher que além de carregar uma enorme depressão na alma, carrega também, segundo uma amiga, vários hematomas no corpo.

As únicas palavras que se ouvia baixinho: coitada! ... Foi inevitável o sentimento de pena.

Quando as estatísticas saem cá para fora, a confirmar que cada vez há mais mulheres a sofrer de violência doméstica, os números assustam-nos... mas apenas naqueles segundos em que se lê a notícia.

Com as muitas tarefas diárias que temos de realizar, acabamos por ocupar a nossa mente com outros problemas mais chegados, com outros pensamentos mais intímos, com outras dores mais próximas. Simplesmente esquecer, não pensar mais nisso...

Hoje ainda não consegui deixar de pensar naquela mulher... Talvez por ter chocado de frente com a sua fragilidade, medo, preocupação em não dar nas vistas.

Sentimento de impotência... Da próxima vez que a encontrar, talvez, fale com ela. Talvez, uma simples palavra de conforto, de uma quase desconhecida, a ajude de alguma forma.

Não sei... Talvez, mas o talvez a mim não me custa ... e antes que me esqueça, devido às multíplas tarefas diárias que tenho sempre para fazer, resolvi escrever este post para me lembrar sempre!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O estranho caso de Benjamin Button


" I hope you live a life you’re proud of. If you find that you’re not, I hope you have the strength to start all over again."

I was thinking how nothing lasts, and what a shame that is."

Nascer velho, morrer em bebé... Um relógio que anda ao contrário, uma vida que anda ao sabor de ponteiros diferentes.
Um filme. Sensações Estranhas. Mas nada que David Fisher já não nos tenha habituado. Uma interpretação irresistível de Cate Blanchett, um Brad Pitt ao mais alto nível.

Recomendado mais que recomendado...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Look who´s back!




Chegou em força e ao que parece veio para ficar... Ele está de volta! Os fins de semanas já estão definidos: tardes bem quentes na praia e noites amenas na paródia.

Sun is shinning again!!!!


Que bem que se está em Cabo Verde!!!


Ilustração: Platinum FMD

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O síndroma e as línguas...


Em pesquisa pela internet encontrei um site http://www.sitedecuriosidades.com/ver/10_doencas_mais_estranhas_do_mundo.html que fala das 10 doenças mais estranhas do mundo, no qual deparei-me com esta:
Síndroma do sotaque estrangeiro: "Após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas deste distúrbio passam a falar com sotaque francês... ou italiano... ou espanhol.
A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma. Segundo cientistas, a pronúncia não é efectivamente estrangeira, só dá impressão disso.
Alguns pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acreditam que o sintoma é causado por um trauma em áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, provocando mudanças na entoação, na pronúncia e em outras características da fala.
Um caso bem recente desta doença passou-se com a britânica Lynda Walker. Após sofrer um ataque cardíaco, Lynda acordou e começou a falar com um sotaque jamaicano".


Que engraçado... Será que não deveria haver também um estudo que analisasse em profundo aquelas pessoas que falam a mesma língua que a nossa, mas que não se entende nada do que elas dizem?
É caso para dizer falam, falam, mas não dizem nada...

A moment like this...



Foto: Pedro Moita

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O cérebro masculino...



Desculpem rapazes mas não resisti! hihihi

Via: E-mail

Sentir o Tarrafal





Parte-se em busca do tal paraíso. O Tarrafal... vila ligada ao mar, às lendas de outras épocas. A presença do monte, dos espelhos de água, guardados pelas montanhas... imunes ao sussurro do tempo que viaja em câmara lenta.




Parte-se com o anseio de descobrir os pedaços da história espalhados pelo Campo de Concentração em Tchom Bom, um património histórico que impressiona pelas vivências drámaticas. que as paredes fazem questão de guardar...


Parte-se para encontrar os sentimentos perdidos de uma terra que criou os “Rabelados da Ilha de Santiago”. Entender o que sentiu em tempos passados. Olhar para os momentos presentes: de um Tarrafal em que as potencialidades turísticas anseiam por um desenvolvimento há muito esperado.



Embarca-se numa viagem com cerca de duas horas, onde imagens dignas de um cartão de postal não combinam com o caminho que se tem de percorrer. Muitas curvas, subidas, descidas e uma estrada em alcatrão que começa na Praia e termina na cidade da Assomada.

A partir daí, o resto do troço fica à mercê de sobressaltos, próprios de uma caminho inacabado. Hiaces, jipes, carros, que transportam aqueles que querem conhecer ou reconhecer o tal paraíso, não têm a vida facilitada neste percurso.
Hiacistas, turistas, habitantes locais, todos querem o mesmo: Uma estrada em boas condições até ao paraíso.

A Vila, um diamante por lapidar. Cada grão de areia branca espalhado pelas praias paradisíacas carrega as pisadas de pescadores e peixeiras que pedem ao mar o seu sustento.

Uma baía rodeada de coqueiros, na Praia do Mangue, serve de cenário para as brincadeiras dos mais novos, onde o mar e o futebol se conjugam num só.


A tradição já não é o que era. Os mais de 200 pescadores da Vila, usam a sobrevivência como palavra de ordem. À rotina exaustiva e arriscada junta-se um regresso das águas, incógnito a cada dia que passa. As culpas dividem-se entre a falta de investimento e uma política de gestão inexistente.




O porto que no antigamente serviu de abrigo a muitos iates vindos de terras europeias, actualmente, apenas recebe os homens do mar e alguns habitantes locais.

O abandono é visivel e a epoca aúrea de outros períodos, foi levada pela brisa. Apenas ficou o porto e os tarrafalenses. Quanto aos barcos de outras paragens, esses podem ser vistos ao longe, pelo buraco do tempo.




A mudança espera-se a cada segundo vivido no alto mar. A esperança está retratada nos rostos, nas expressões calorosas que recebem de braços abertos os escassos turistas que vão aparecendo.
O seu objectivo na Vila é diferente. Procuram um pedaço de céu na terra, a sua própia pausa e descanso: calmo, sossegado com as águas cristalinas e mornas como banda sonora que convida a horas perdidas de mergulho.

Mas não é só do mar que vive o Tarrafal. Os cerca de 22 mil habitantes dividem-se entre a agricultura, o artesanato, a restauração, o comércio... E as unidades hoteleiras... Poucas mas sobreviventes a um período em que as reservas de quartos são mínimas.





O aldeamento Turístico Baía Verde, situado estrategicamente num dos extremos da praia , não é excepção. Os 34 Bungalows que dão vida ao espaço têm acolhido poucos visitantes nos últimos tempos.

A acompanhar a crise estão os aumentos dos roubos na zona e aos poucos a perda do mercado, holandês, alemão e francês. O sentimento é geral: o Tarrafal necessita de uma cara nova. As opiniões dividem-se: fala-se de assaltos, insegurança a aumentar, comenta-se as crispações políticas entre a Câmara (MPD e o Governo (PAICV) opina-se sobre investimentos estrangeiros que nunca se realizaram. E a espera continua à espreita.

Investir. Foi o que levou o dono do Baía Verde, Manuel Gonçalves a sair de Portugal e regressar às ilhas crioulas. Apesar do hotel sobreviver à custa do turismo internacional, o responsável tem fé num futuro risonho... apesar de não ser para já. Crê que o investimento só começará a dar frutos daqui a 3 anos, entretanto avizinha um 2009 negro.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. O Hotel Tarrafal, um dos mais antigos da zona, com 20 quartos disponíveis, também não foge à mão pesada da crise. Face aos problemas que tem atravessado, a unidade hoteleira prepara-se agora para enfrentar um novo desafio. O trunfo lançado pelas mãos de investidores europeus será reconstruir por completo o edíficio, dando lugar a um pequeno resort de luxo.

Espera-se nos bancos de jardim da praça central pelo tão ansioso investimento. Olha-se para os ponteiros do relógio e aguarda-se por mais meios policiais. São cerca de 14 os efectivos da esquadra, mas apenas quatro estão disponíveis para as patrulhas diárias, que se fazem em turnos de 24 horas. O cansaço. A inércia.


Anseia-se pela chegada de um aeroporto, de uma marina por algo que traga prosperidade. Enquanto as promessas não se cumprem, os tarrafalenses vão dando azo à imaginação e tentam através da própria criatividade, cativar os estrangeiros. Gastronomia apetitosa, uma simpatia genuína e irresistivel, uma hospitalidade que enquadra-se na perfeição com o ambiente paisagístico.

O Mercado Municipal. Uma das obras com maior utilidade para os Tarrafalenses. O local enche-se de gente misturada com o barulho do regatear de preços ou dos pregões crioulos das vendedoras... O cenário deveria ser esse.

A infra-estrutura que custou cerca de 14 mil contos e comporta cerca de 3500 comerciantes, não escapa aos efeitos da crise e às queixas de quem olha para ele como modo de vida, modo de ser, modo de estar.

Conotado como um dos municípios mais pobres da Ilha da Santiago, sem um hospital que preencha as necessidades de quem lá vive e de quem o visita, tendo apenas um posto de Saúde com condições rudimentares, o Tarrafal assume-se como uma pérola à espera dos tais holofotes que iluminem o seu caminho.



Enquanto isso, um dos postais turísticos da terra de Morabeza mantém-se fiel a si mesmo. Com as praias, as montanhas, a pesca, as águas de coco, a baía, e a música como pano de fundo. Sempre à espera do tal desenvolvimento...


A Não perder: Quinta-feira, dia 12, Nha Terra Nha Cretcheu, programa dedicado ao Tarrafal. 20h30 Cabo Verde, 21h30 Portugal.