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domingo, 25 de setembro de 2011

O crioulo nas Nações Unidas

Tenho um crioulo "mariado", que é como quem diz "verdinho, verdinho, verdinho", mas tento todos os dias melhorá-lo, alías se fosse realizar um estudo estátistico de: "qual a língua que falo mais vezes ao dia" diria que a Língua Cabo-Verdiana era a vencedora. Nunca vou esquecer esta frase de Jorge Amado "A vida em Cabo Verde decorre em Crioulo", pois não poderia estar mais certo. No ambiente formal lá está o Português, cheio de "solenidades, com toda a pompa e circunstância", nas conversas diárias, na intimidade, no melhor do saber expressar as nossas emoções lá está o Crioulo. Numa entrevista, se quero captar a essência do meu entrevistado deixe-o expressar em Crioulo, até porque daí poderá sair "expressões" bem engraçadas. Sempre fui apologista da oficialização da Língua Cabo-Verdiana... e só quem vive em Cabo Verde e que sente este povo, esta cultura, é que se apercebe que não há outro caminho.

O Crioulo é a mãe. É a língua ensinada desde o momento em que uma criança começa a proferir as suas primeiras palavras. Até sensivelmente aos 6 anos, altura em que entra no ensino primário, é a expressão que domina, que fala, que conhece. E continua a ser assim ao longo dos anos... língua que melhor domina, que melhor conhece... língua do seu coração, das suas raízes, que os seus pais falam, com que expressa as suas mágoas, é através dela que conta um segredo a um amigo, que se revolta quando está chateado, que pede desculpas quando erra, é a língua que serve para exaltar as suas alegrias. O crioulo é a mãe as outras são as madrastas... e pode se gostar imenso de uma madrasta mas não amá-la como uma mãe.

Sou também apologista do melhoramento do ensino do Português, da minha Língua materna, que tanto encanta, quinta mais falada do mundo. Mas como complemento à Lingua Cabo-Verdiana, sem nunca se esquecer do ensino do crioulo. Fundanmental? Não, mais do que isso... uma obrigação. Aprender a nossa língua, as suas regras, grámatica, para depois conseguirmos aprender melhor uma outra. Sinceramente, acho que Cabo Verde necessita disso.

E deixem-se de lá de politiquices, daquelas como: "Cabo Verde irá perder com isso, Portugal e o seu "apoio externo" não irão gostar disso, Cabo Verde irá ficar sozinho"... Desculpem a expressão "Bolshit" que é como quem diz "vão lá para o outro lado..." Basta olhar para a 2º, 3º geração, falam inglês, francês, chinês, japonês, mas a todos foi ensinado o crioulo. Onde estão os cabo-verdianos está o crioulo.

Sei que há a questão do Alupec, sei que há questão das variantes, sei que há questão do Barlavento e Sotavento... Mas sinceramente apetece-me ter uma visão utópica da coisa... uma visão simples e talvez sonhadora, mas é a visão que quero manter... Acredito profundamente que a Língua Cabo-Verdiana irá ser oficializada brevemente.

Por isso, fiquei muito contente quando o Primeiro Ministro, José Maria Neves, falou pela primeira vez em Crioulo à Assembleia das Nações Unidas.

Podem dizer que é estratégia, que foi uma atitude de puro populismo, que quando são os países mais pequenos a discursar a sala está quase sempre vazia e por isso não surtiu efeito. Who cares? O importante é a atitude, teve essa ousadia, e essa ousadia é de ser louvada.

Palmas Sr. Primeiro Ministro... mas agora está na altura de regressar pois a Electra e a falta de Segurança chamam por si!

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2011/09/discurso/

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Wedocare - Eles e Elas são uma inspiração!

Hoje fui entrevistar o grupo que formou a "wedocare". O que pretendem? Mudar o mundo com pequenos gestos que façam a diferença... desde Maio que cerca de 12 jovens, na casa dos vinte e tal anos, decidiram dar o seu contributo, através de acções de soliedariedade no terreno... simplesmente ajudar aqueles que mais precisam. Idosos, casais, crianças, não há distinções. O que querem? Simples... Que outros jovens se inspirem na sua ideia e criem mais "wedocares", que a iniciativa possa ganhar pernas, para que corra à procura de parceiros e simpatizantes para o projecto. Demonstram que apesar de todos os problemas típicos da sociedade XXI, há sempre tempo para numa 1 hora ou numa tarde, por semana, recuperar sorrisos ou simplesmente encontrá-los. Foi bonito de conhecer o seu espírito, as suas convicções, as suas vontades de quererem mais e melhor, para uma sociedade que está sempre dividida: entre o amarelo e o verde, entre governo e oposição, entre poliquitices e.... politiquices. Os jovens da wedocare têm as suas ideologias, mas são transparentes nos seus actos, querem apenas mudar um pouco do seu mundo, e se o mundo mudar por eles a sua missão será compensada. O seu trabalho é demonstrado através de acções organizadas, como por exemplo a entrega de cabazes a famílias carenciadas, ou angariação de fundos para a Associação Acarinhar que recentemente foi assaltada. Mexem-se, procuram, reunem-se, debatem e executam. No final, sentem-se abençoados pelo abraço daquela senhora que na pobreza do seu lar não estava à espera da bondade de desconhecidos. Afinal há quem faça a diferença, há quem tenha iniciativa própria, há quem acredite que pode mudar o mundo, o seu mundo, o seu Cabo Verde! E a ideia simplesmente surgiu numa noite de paródia... É bom sentirmo-nos úteis.


Não perca a reportagem na 3º edição da Revista Krioula, que irá sair no final do mês de Setembro!