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sábado, 31 de janeiro de 2009

A enciclopédia viva da Cidade Velha


Cidade Velha... candidata a Património Mundial da Humanidade. Como arquivo de tempos remotos, que conta histórias que nunca deverão ser esquecidas. A época dos escravos, o nascimento do crioulo, o berço da Cabovernidade.
Cidade Velha é uma máquina de viagem no tempo que deve ser preservada. Tal como as suas gentes...
Rosalinda nasceu, cresceu, casou e enviuvou naquele local. É sem dúvida "a enciclopédia viva" da Cidade Velha. Com 71 anos passados na tal memória territorial que por vezes esquece os homens e mulheres que hoje lhe dão cor e expressão.
Quando, como, porquê, quem, onde? Ela responde a tudo, com um palavreado e entoação que dá vontade de ficar a ouvi-la durante horas a fio.
Em 1975, o padre Campos confiou-lhe as chaves da igreja de Nossa Senhora do Rosário, aquela que se define por ser a mais antiga de Cabo Verde. Hoje continua a ser a guardiã do templo religioso, diariamente visitado por dezenas de turistas. Sem pedir nada em troca, a sábia mulher tem orgulho em dar a conhecer aos estrangeiros as suas origens.


Mas não é só os que vem de fora que têm o privilégio de escutar os vastos conhecimentos de Rosalinda que só conta com a 3º classe. Os mais novos da Vila batem-lhe à porta sentam-se ao seu lado e pedem-lhe que os cultive.
Festas do Santo Nome de Jesus. O convento é o lugar escolhido para a realização dos eventos solenes. A "elite" está lá. Rosalinda não. "Não me convidaram".
A mulher que já participou num filme português, que privou com o arquitecto Siza Vieira, que em casa tem medalhas do Infante D. Henrique... a idosa, cujo sorriso ilumina o rosto cada vez que se fala na Cidade Velha... simplesmente não fazia parte da "Guest List".
Os monumentos são pedaços do antigamente que o turista adora visitar. O Forte de São Filipe, a Sé Catedral, o Convento de S. Francisco, o Pelourinho, património incontestável de Cabo Verde, mas "ka ten manera" de se expressarem e de falarem como tão bem faz a D. Rosalinda.
"Quando morrer é que irão me dar o valor", diz a velha senhora. Talvez quando essa hora chegar acabem por lhe erguer um monumento para fazer companhia aos outros. Talvez nesse dia voltem a organizar um evento solene, e colocarão D. Rosalinda na "Guest List", mas desta vez como convidada principal. Nessa altura, somente o seu espírito estará presente.
"Só damos valor as coisas quando as perdemos", que bem que este cliché se emprega neste tema.
Resta desejar longos anos de vida à D. Rosalinda, porque todos só temos a ganhar e a Cidade Velha também!

3 comentários:

Johnny disse...

Princesa Gui, estás a viver uma experiencia invejavel!!! Obrigado por a ires partilhando!!!

Margarida Conde disse...

Obrigada princeso heheheh a intenção é essa. É puder partilhar as minhas vivências, aventuras, emoções e sentimentos com os meus queridos amigos de quem tenho muitas saudades.

beijinhossssssssssss

Amílcar Tavares disse...

É uma pena. Na minha infância conheci dezenas de pessoas assim. Com muito saber e quando desaparecem levam tudo com elas.

Mil estórias!!

Com essa triste febre universitária, cada vez mais desvaloriza-se pessoas como Nha Rosalinda.