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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eça, Pessoa e muito mais!



Revisitar os escritores portugueses que fizeram parte da sua vida. Quis o escritor Oswaldo Osório... no "Colóquio sobre a Língua Portuguesa e o Diálogo Cultural", a decorrer no Campus do Palmarejo, que contou com uma plateia recheada de estudantes e mais importante atentos ao que se contava por ali...

Na sua intervenção, o escritor lembrou o dia em que conheceu Aquilino Ribeiro, no café "A Brasileira", em Lisboa, local de encontro entre os intelectuais da época e as primeiras emoções ao ler "Jardim das Tormentas".

Lembrou o dia em que "encontrou" a "Vida Sexual" de Ega Moniz. Um encontro envergonhado... mas necessário.

"A Mensagem" de Fernando Pessoa, "A Sibila" de Agustina Bessa-Luís, viagens literárias que nunca esqueceu. Já o episódio de 1962, aquando em circunstâncias de privação de liberdade (por se encontrar numa cadeia em Lisboa, acusado de tentar emigrar para a Holanda) conheceu Alfredo Margarido, também preso pelas suas crónicas, impróprias para o regime colonial, foi um dos momento altos da conversa que teve com a plateia, pela voz cativante de sua esposa.

Contou como ficou rendido à Biografia de Eça de Queiroz, de Maria Filomena Mónica de 2000, de como se apaixonou pela Divina Comédia, de Dante, fabulosamente traduzida por Vasco Graça Moura e ainda louvou o Jornal de Letras Artes e Ideias.


Que prazer ouvir as palavras de Oswaldo Osório e conhecer a sua relação com os mais diversos escritores portugueses.

Já a escritora Fátima Bettencourt que segundo a própria "navega pelas águas das crónicas e dos contos" escolheu a poesia, através do maior poeta português... Fernando Pessoa.

"Aos 6 anos perde o pai, crítico musical do Diário de Noticias e passado um ano o seu irmão. A mãe volta a casar e vão viver para África do Sul, mas Pessoa deixa de ser o ‘menino querido'... A dor da perda, as melancolias familiares são retratadas em muitos dos escritos de Álvaro de Campos, seu heterónimo", retrata.

Fátima Bettencourt deu a conhecer aos vários alunos presentes no Auditório a solidão de Pessoa. Homem que sempre viveu sozinho, deambulando de apartamento em apartamento na baixa lisboeta, sobrevivendo de sub-empregos. O poeta, que durante o seu ciclo de vida contou com poucos apoios institucionais, aos sete anos escreve os seus primeiros poemas, dedicados à mãe. Aos 15 lia Shakespeare e... muito poucos escritores portugueses.

E Fátima Bettencourt continuou... a falar de Pessoa e da sua imensidão literária. "Vivia obcecado por um profundo amor patriótico. Os estudiosos contabilizam mais de 14 heterónimos. E a sua alma era desassossegada. 'Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma'. A plateia ficou rendida aos agitados mas geniais poemas de Fernando Pessoa.



Mas foi com Eça de Queiroz que as primeiras gargalhadas se sentiram na sala. A escritora da nova geração Eileen Barbosa contou como foi o seu amor à primeira vista com a escrita daquele que brincava com um humor delicado e com as descrições inigualáveis. "Na troca de livros que fazíamos entre colegas, trouxe o Crime do Padre Amaro. Vi se não havia outro, deixei-o para o fim... até que não havia outra solução. Foi com imensa surpresa que li às escondidas já que continha uma temática insólita... um padre que se apaixona por uma rapariga. Fiquei rendida".

Ao contar as peripécias da "Relíquia", a escritora conseguiu trazer a boa-disposição à sala, perante aquela história humorística cativante.

No final, Eilleen Barbosa deixou só uma mensagem aos diversos estudantes presentes: "Façam o favor de ler".

Na segunda parte, sob a temática Diálogos Literários Contemporâneos: "Jogos de espelhos: ler e reler o Outro", participaram ainda o escritor Filinto Elísio e Vera Duarte.




O Cóloquio continua amanhã! Com mais surpresas esperemos!

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