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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Momento enriquecedor

Ao estilo de uma tocatina onde a música é rainha, o Liceu de S. Domingos prestou uma homenagem ao mestre das sonoridades, Fulgêncio Lopes Tavares, mais conhecido como Ano Nobu, na noite de ontem, 13.

Seis anos após a sua morte, amigos, convidados e familiares recordaram as suas composições que sobrevivem à passagem do tempo.

O espaço era singular, sem ser necessário muita pompa e circunstância. Uma sala, várias cadeiras expostas em direcção ao palco e diversas mesas com comes e bebes para os convidados. Um espaço sem muitos requintes, mas em que o essencial estava lá: alegria, boa disposição, muito convívio e o espírito de Ano Nobu em cada música tocada, em cada voz sentida.

O cavaquinho, a viola e o violão foram os primeiros a entrar em cena, por volta das 19h30, conduzidos por Flávio Tavares, mais conhecido como “Furacão” (filho de Ano Nobu), Joaquim Leal e Idílio Leal, as mornas e os funanás eram progressivamente recordados, com um sentimento de nostalgia e emoção à mistura.

Tal como o discípulo Manuel de Candinho referiu: “cada vez que subo a um palco para prestar-lhe uma homenagem sinto a sua presença. Não é por acaso que se gosta tanto dele. Ano Nobu dava a toda a gente aquilo que não tinha”, referiu o músico.

Fui somente para observar, escutar, ouvir, sentir. Ali ninguém me conhecia. Não havia pessoas famosas... Não havia vestuário requintado, as palavras entoadas em conversas não eram "caras", falava-se antes a lingua do povo, das gentes, sem medos, sem constrangimentos.

Respira-se ao convivio da pura paródia, quer-se ouvir música pelo simples de se gostar. Todos se sentem à vontade, porque as aparências não se sentam nas cadeiras disponíveis.

Ri-se com o poema da "Julia" dedicado ao Ano Nobu, comove-se com a maneira de Pascoal cantar, gosta-se do que o Manuel de Candinho exprime quando pega na viola.

Todos participam, todos se exprimem da forma que querem, sem estarem preocupados se estão a fazer bem ou não. Estão apenas a divertirem-se a prestar uma homenagem a um homem que adorava estar rodeado de amigos.

Uma salva de palmas para estes momentos que se repetem um pouco por todo o Cabo Verde...

Basta ir à procura e sair daquela concha em que estão fechados, deixando de lado os grandes eventos, os grandes concertos de circunstância, onde às vezes vão sem terem conhecimento de causa, vão porque a moda é ir, porque fica bem aparecer.

E fechamos muitas vezes a porta a riquezas culturais como esta, onde se tem a hipótese de descobrir histórias antigas, partilhar experiencias e acima de tudo ouvir sons improvisados. Isto também é cultura!

Venham mais!

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