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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

I´m Back (não encontrei um titulo mais giro)

Poderia ter mudado a "cara" ao blog... Poderia sim senhora!
Poderia ter escolhido um novo tipo de letra, com umas cores "girissímas" no fundo... Poderia sim senhora!
Poderia transformar o "sei que quero saber" por "saber é o que eu quero"... Poderia sim senhora!
Poderia ter colocado uns alertas chamativos, coloridos, que são uma "benção para os nossos olhos"... poderia sim senhora!

Ok poderia tanta coisa, mas sinceramente não tenho pachorra e não quis dar-me ao trabalho. Simplesmente deixar uma pequena notinha, para aqueles que sempre seguiram este blog (não... vocês anónimos continuam a não estarem convidados para esta festa) a noticiar o meu regresso. Estou de volta à blogosfera só porque tenho saudades de escrever o que quiser e o que me der na gana... de vez em quando. Quando estiver para aí virada. É tipo uma terapia q.b? Get it?

Durante 12 meses, tentei outro tipo de tratamentos relaxantes. Como yoga de manhã, recorrendo ao maravilhoso You Tube, ou então a improvisação na cozinha, através de um bolo de iogurte de cocô, com chocolate, aroma a limão e sem esquecer o oléo com sabor a bacalhau (nem vale a pena contar)... Desculpem aqueles que já comeram não vos ter avisado... Ups.

E nesse ano Cabo Verde mudou... eu mudei... (Pausa para recordar os melhores momentos destes últimos 365 dias) O.k já está! Continuando... Pela necessidade de escrever o que quiser e o que me der na gana, naquele espaço que é meu e de quem quiser (quer dizer... e de quem tenha boas e sentidas intenções) ... eis que: I´m Back, sem data, sem hora marcada, sem local definido. Simplesmente (desde já aviso que adoro utilizar o simplesmente, soa bem no término de uma frase emotiva) quando tiver tempo, e prontos (neste momento estão a pensar ela "escreveu prontos????...adoro este prontos). Até ao meu regresso... que deverá ser breve...

Voz Off: Este post foi acompanhado pela banda sonora do Exterminador Implacável

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mindelact



Nunca vi, não estive lá, mas adorava ter estado. É uma das iniciativas culturais mais aclamadas em Cabo Verde, que em Setembro, no Mindelo, durante cerca de duas semanas, apresenta as mais diversas peças teatrais, made in Cabo Verde, mas também trazendo "sensações" de outras paragens. Há para todos os estados de espírito, personalidades ou mentalidades, (mas de preferência que sejam abertas).

Há o palco Principal, o Festival Off, a Teatrolândia para a criançada, o Teatro de Rua, e este ano pela primeira vez, a Praia também vai receber algumas peças.

Há Utopia de Leo Bassi, "o maior provocador dos palcos do mundo", há Void de
Clara Andermatt, "a coreógrafa que melhor conhece a alma cabo-verdiana regressa com um espectáculo único" (este gostaria de não perder), há "A Vítima", de Miragens Teatro,
"o primeiro monólogo feminino do teatro angolano", há Lanka - Finlândia, de Essi Kausalainen, "E uma performance em pleno vulcão?". E... há mais... muito mais...

Mas acima de tudo, para além do espectáculo em si, há o "intercâmbio entre todos os participantes, acções de formação nas mais diversas áreas artísticas ligadas ao teatro, concertos de música, exposições de design e artes plásticas".

O mais importante acontecimento teatral de toda a África Lusófona que foi considerado em 2005, o mais importante evento teatral do continente africano, começa já no dia 16 de Setembro.


Confira a programação aqui!

http://www.mindelact.com

A não perder!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Feelings nothing more than feelings

"Lisboa menina e moça"... Sempre!
Expressar o que se sente quando está novamente no nosso horizonte é controverso... porque procura-se as palavras mais belas, as mais adequadas à sua imponência, adjectivos que a elevem ao seu estado mais majestoso, mas também, pensa-se na simplicidade das frases e chega-se à conclusão que por mais que se procure as palavras nunca são suficientes.

Olha-se para o seu encantamento como um refúgio, o nosso bem querer, a nossa paz interior. Inspira-se e expira-se! Encontrou-a diferente do que há um ano, mas já ansiava pelas mudanças.

Mais luminosa, cosmopolita, mais nostálgica. Sente-se no ar que o único feeling que resulta é o aroma das férias e isso Lisboa oferece como ninguém. A conjuntura não permite mais e diariamente as frases repetem-se como míticos dejá vu: "Não há condições para se ficar aqui, isto está muito mal, este país está sem sal". Lisboa, Portugal está de mãos dadas com a crise e com a depressão em geral.

Não consigo dizer nada. Também o que vou dizer? Se tento dar algumas boas vibes do género "as coisas vão melhorar, é preciso é ter pensamento positivo e não baixar os braços", recebo de imediato uma resposta "tu que estás longe não te apercebes das coisas"... ora ai está! então limito-me a ouvir, a assimilar e a concordar com algumas coisas que têm vindo a ser feitas. Frustração, dar o jogo por vencido e simplesmente navegam de acordo com a disposição das marés!

Aproveito o máximo que puder e adoro esse máximo. De casa em casa, de conversa em conversa, saboreiar cada minuto sem pensar como será o último.

Oiço as conversas no metro (já tinha saudades), redescubro novamente o prazer de andar de comboio e todos os dias reaprendo a gostar de passear de autocarro.

O Cinema com o filme "Contra-Luz" de Fernando Fragata (o melhor filme que já vi até ao momento, excelente fotografia, argumento de se lhe tirar o chápeu, película que prende desde a primeira aparição de Joaquim de Almeida até ao simpático final, que ainda nos deixa ali umas horas a pensar naquele "the end") o sushi especialmente preparado pelos amigos, os dias constantes de sol e praia, sim porque são sinónimo de "Les vacances", o Bairro Alto...

Os betos, os freaks, as gajas boas com os saltos em agulha, os tios e as tias, os rappers, os nerds, os intelectuais os artistas, todos num só. Na mesma onda, mas em opostas sintonias mentais.

Uma harmonia de personalidades que contrasta a cada gesto feito, a cada vestimenta escolhida, a cada palavra proferida. Todos com as suas manias, todos a curtir o Bairro.

E esse está cada vez melhor... conversar em frente à ginginha e depois segue-se mais outra capelinha. E no meio desse percurso os olhares querem assimilar tudo e todos e guardar para levar...

Conhecer o meu afilhado, paixão à primeira vista, aproveito para dançar com ele um funaná ou um zouk e pela movimentação do seu rosto no meu ombro parece que ficou fã. Quando regressar da próxima vez, já está com um ano e se calhar já diz "quero a madrinha maluca". E já agora é sagitário como eu. Só podia!

Encontro os amigos de Cabo Verde que já partiram. Na mesma, iguais a eles próprios, prontos para outra aventura, principalmente e mais importante, felizes!

Danço até as 6h00 na antiga Pastorinha, oiço as novas músicas, "está também é recente não é?" e simplesmente divirto-me com um grupo que adoro. Momentos Kodak como sempre. Obrigada :)

Compras e mais compras (sim sou muito consumista)... Livraria: Nelson Mandela, uma lição de vida!", inspirada pelo filme "Invictus" de Clint Eastwood, duas formas leves e suaves de sentir que os heróis podem ser de carne e osso e que é um previlégio viver na mesma era que Nelson Mandela.

A visita habitual ao Casino que já é da praxe, as derradeiras compras, de repente as malas cheias, o último jantar desta visita, as depedidas, uma adeus até breve e um olá estou de volta!

Daqui a pouco há mais...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Saudade, esse bem querer!

Procurar a definição da palavra da saudade. Agulha no palheiro. Uma tarefa difícil que provavelmente não irá ser decifrada. São muitas as definições, os pensamentos que divagam sobre a tal saudade... mas nenhuma delas é suficiente igualável à saudade sentida por cada um de nós.

É isso que este sentimento tem de bom... o ser livre, único, implacável, mas ao mesmo tempo, saboroso, representativo de diversas faces, rostos, batidas de coração, mas que surte sempre o mesmo efeito: ou uma dor nostálgica, controlável, deixada por momentos memoráveis, que se espera que no futuro se repita… ou a dor cravada a ferros, que dura uma vida toda, não é apagável nem dissolvida com a passagem dos anos. Que magoa a cada suspiro!

A partida e a saudade caminham de mãos dadas e hoje a tal dor nostálgica tomou conta de mim... saudades de dois seres especiais que com os seus sorrisos, boa disposição, almas grandes, boas vibrações, emanadas de um espírito rebelde que se entrelaçou com um mais calmo, formam um dos pontos desta constelação que se chama amizade... forti e sabi!

A saudade que hoje sinto é a mais ingrata… queremos que eles fiquem, mas sabemos que o melhor é partirem… em busca de novos desafios, dos sonhos agora recuperados, de experiências que tragam de novo o calor de novas amizades, mesmo que o cenário seja mais cinzento e frio :)

Deixaram a sua marca em Cabo Verde… para aqueles que tiveram o privilégio de os conhecer, de partilhar as mais loucas aventuras, de rir e chorar de acordo com o estado da alma. Foram sempre leais, defensores daqueles que amam, mas acima de tudo, os melhores amigos, prontos para o que der e vier!

Ai, ai… Saudade sem definição certa, mas com uma carga emocional maior do que tanta outras palavras que fazem parte do nosso quotidiano.

E é bom que assim continue… sem explicação consensual, sem poetização artificial. O bom é senti-la, cá dentro com toda a pujança, com as recordações que nos aconchegam e com um até já (muito, muito breve) que nos faz sorrir!

Inez e Diogo… são os principais pontos na constelação que estará sempre mas sempre viva!

Tenho um orgulho tremendo em vocês!





quarta-feira, 21 de julho de 2010

Felling Good

Sensação de hoje... Feeling Good... será que está a chegar uma daquelas notícias bombásticas?????

Esperemos pelo final do dia.
Entretanto vou saborear esta sensação de "feeling good"

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Se tiver com Amigdalite... cuidado com o seu nariz!





Mais um episódio surreal ocorrido num hospital, desta vez aqui em Cabo Verde, mais precisamente no Agostinho Neto... Uma rapariga dá entrada com 39ºde febre e cheia de dores na garganta. Diagnóstico: Amigdalite. Tratamento: Primeiramente,injecção para baixar a febre.

Além do local onde lhe deram a injecção estar cheio de sangue espalhado pelo chão, o enfermeiro, que segundo a paciente deveria ser estagiário, decidiu que lhe deveria aplicar a tal injecção, considerada uma das mais fortes, de pé. Sem que a doente tivesse a possibilidade de se agarrar a alguma coisa.

Conclusão: Caiu num ápice no chão desmaiada e quando acordou tinha o nariz partido. O estagiário ainda ouviu uma reprimenda do médico: "nunca se deve dar uma injecção assim" e... desta forma a moça foi para casa com a amigdalite e mais um bónus... o nariz partido e uma operação para endireitar o "assunto".

O que vale é que no meio deste sufoco todo, encontrou um médico fora de série... que foi excepcional no acompanhamento.

Um estagiário a dar injecções sem estar habilitado para isso? que medo.

É óptimo, por exemplo, que os estudantes do Curso de Enfermagem da Uni-CV, desde o primeiro ano, tenham a possibilidade de juntar a teoria à prática e possam estagiar em comunidades carenciadas ou em centros de Saúde/Hospital.

Desconheço se o estagiário era aluno ou não...

Agora não se pode é deixar estagiários, tenham completado o curso ou não, que ainda não têm a tal prática necessária, nem conhecimento de causa suficiente, cometer erros que podem pôr em risco a vida de uma pessoa.

Se a rapariga tivesse batido com a cabeça e feito um qualquer traumatismo? Se o sangue que se encontrava no chão estivesse contaminado?

Diariamente, se ouve um pouco por todo o mundo, diversos relatos hospitalares...os mais "sui generis", "absurdos", "incompreensíveis" "revoltantes"... as vezes até pensamos que já são "banais"... mas quando nos é próximo, aí como se diz em bom português "é que a porca torce o rabo" e pensamos e se fosse connosco?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os Pontos nos Is da Margarida - Round 2

Uma semana em cheio a que passou!

O Colóquio sobre a Língua Portuguesa e o Diálogo Cultural... Confesso que o primeiro dia deixou-me rendida às recordações literárias de Oswaldo Osório, que através de uma "visita guiada" aos autores portugueses que marcaram a sua vida, deu-nos a conhecer vários episódios pitorescos, que pela voz da sua esposa ainda tiveram mais emoção!

Ficamos assim a saber que foi um encontro envergonhado, mas necessário, o que teve com o livro “A Vida Sexual” de Egas Moniz, que esteve preso com Alfredo Margarido, numa cadeia em Lisboa e mesmo num ambiente privativo de liberdade trocaram opiniões, pensamentos sobre a literatura portuguesa e a época que se vivia (1962).

E tem mais...

Viajou com “A Mensagem” de Pessoa, abraçou as palavras de “A Sibila” de Agustina Bessa-Luis e elogiou a Biografia de Eça de Queiroz, de Maria Filomena Mónica.
Escutar os seus pensamentos, as suas paixões pelas mais diversas escritas, sentir um pouco o "feeling" de quando as leu pela primeira vez... é saboroso, simplesmente saboroso.

O dia não ficou por aqui. Fátima Bettencourt falou sobre o maior poeta português... Pessoa e a sua imensidão literária.Mas também das controversas personalidades, da solidão que convivia todos os dias consigo, retratando-se como a sua melhor amiga, do poeta obcecado pelo amor patriótico e da sua alma desassossegada... ou será melhor dizer almas?

Claro que as atenções centraram-se no terceiro dia, com o esperado discurso da Primeira Dama de Portugal e do Presidente da República. “Como no amor não há língua como a primeira”, disse Maria Cavaco Silva. Como concordo... por isso, tal como Jorge Amado o referiu, e muitíssimo bem, “a vida em Cabo Verde decorre em Crioulo”. O Crioulo é a mãe. É a língua ensinada desde o momento em que uma criança começa a proferir as suas primeiras palavras. Até sensivelmente aos 6 anos, altura em que entra no ensino primário, é a expressão que domina, que fala, que conhece. E continua a ser assim ao longo dos anos... língua que melhor domina, que melhor conhece... língua do seu coração, das suas raízes, que os seus pais falam, com que expressa as suas mágoas, é através dela que conta um segredo a um amigo, que se revolta quando está chateado, que pede desculpas quando erra, é a língua que serve para exaltar as suas alegrias. O crioulo é a mãe as outras são as madrastas... e pode se gostar imenso de uma madrasta mas não amá-la como uma mãe.

Tal como ficou claro neste colóquio há que apostar num melhor ensino do português. Mas sem esquecer o ensino do crioulo. Fundamental? Não, mais do que isso... uma obrigação. Aprender a nossa língua, as suas regras, grámatica, para depois conseguirmos aprender melhor uma outra. Ka si?

E continuando pelas literaturas... eis que consegui ir visitar a Feira do Livro na Biblioteca Nacional (brutal!!!) Confesso que andava um pouco desanimada com os últimos livros que comprei... e aquela sensação de começar a ler um livro e deixá-lo a meio porque não me inspirou para mim é uma experiência dolorosa.

Mas...”Maníacos de Qualidade”... encontrei, finalmente! O meu namoro com este livro já tem alguns meses, desde que vi uma entrevista da autora Joana Amaral Dias, mulher por quem tenho uma grande admiração, no programa da RTP2 “Cinco para Meia-Noite”.

Uma análise psíquica a Fernando Pessoa, Marquês de Pombal, ou a João César Monteiro... simplesmente não dá para recusar! Agarrei-o de imediato, como uma louca em busca de um tesouro há muito desejado e até sair daquele recinto nunca mais o deixei. E não é que tem sido uma bela surpresa?! Está comigo dentro da mala, para me acompanhar em horas mortas, está comigo depois de almoço, está comigo antes de deitar. E aquela sensação de começar a ler um livro e ficar desiludida dissipou-se com a clareza psicanalítica e ao mesmo tempo histórica, da escrita de Joana Amaral Dias.

Além dos “Maníacos de Qualidade” “perdi a cabeça”, mas os livros são sempre boas causas, e trouxe mais cinco para que nos próximos tempos as desculpas para ler sejam muitas...

Sim, é verdade, um simples livro pode nos animar... Mesmo que se chame “Maníacos de Qualidade”...

Desta semana fica ainda o passeio ao Tarrafal no fim de semana... mas do Tarrafal já há pouco a dizer. É sempre aquela magia ainda mais com “dois bombons” chamados Jacira e Fred. A malta do costume também foi e lá andamos nós sempre com as mesmas palhaçadas, com a mesma energia positiva no ar... já com um cheirinho a despedida!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ora da cá um e a seguir dá outro ora dá mais um que só dois é um pouco, ai eu gosto tanto e é tão docinho e no entretanto mais um anonimozinho! heheh

O tempo pergunta ao tempo
quanto tempo o tempo tem.
E o tempo responde ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.

e tempo para o "tudo a seu tempo"????

não há lololololoolololololololololol porque o tempo simplesmente não tem tempo!!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eça, Pessoa e muito mais!



Revisitar os escritores portugueses que fizeram parte da sua vida. Quis o escritor Oswaldo Osório... no "Colóquio sobre a Língua Portuguesa e o Diálogo Cultural", a decorrer no Campus do Palmarejo, que contou com uma plateia recheada de estudantes e mais importante atentos ao que se contava por ali...

Na sua intervenção, o escritor lembrou o dia em que conheceu Aquilino Ribeiro, no café "A Brasileira", em Lisboa, local de encontro entre os intelectuais da época e as primeiras emoções ao ler "Jardim das Tormentas".

Lembrou o dia em que "encontrou" a "Vida Sexual" de Ega Moniz. Um encontro envergonhado... mas necessário.

"A Mensagem" de Fernando Pessoa, "A Sibila" de Agustina Bessa-Luís, viagens literárias que nunca esqueceu. Já o episódio de 1962, aquando em circunstâncias de privação de liberdade (por se encontrar numa cadeia em Lisboa, acusado de tentar emigrar para a Holanda) conheceu Alfredo Margarido, também preso pelas suas crónicas, impróprias para o regime colonial, foi um dos momento altos da conversa que teve com a plateia, pela voz cativante de sua esposa.

Contou como ficou rendido à Biografia de Eça de Queiroz, de Maria Filomena Mónica de 2000, de como se apaixonou pela Divina Comédia, de Dante, fabulosamente traduzida por Vasco Graça Moura e ainda louvou o Jornal de Letras Artes e Ideias.


Que prazer ouvir as palavras de Oswaldo Osório e conhecer a sua relação com os mais diversos escritores portugueses.

Já a escritora Fátima Bettencourt que segundo a própria "navega pelas águas das crónicas e dos contos" escolheu a poesia, através do maior poeta português... Fernando Pessoa.

"Aos 6 anos perde o pai, crítico musical do Diário de Noticias e passado um ano o seu irmão. A mãe volta a casar e vão viver para África do Sul, mas Pessoa deixa de ser o ‘menino querido'... A dor da perda, as melancolias familiares são retratadas em muitos dos escritos de Álvaro de Campos, seu heterónimo", retrata.

Fátima Bettencourt deu a conhecer aos vários alunos presentes no Auditório a solidão de Pessoa. Homem que sempre viveu sozinho, deambulando de apartamento em apartamento na baixa lisboeta, sobrevivendo de sub-empregos. O poeta, que durante o seu ciclo de vida contou com poucos apoios institucionais, aos sete anos escreve os seus primeiros poemas, dedicados à mãe. Aos 15 lia Shakespeare e... muito poucos escritores portugueses.

E Fátima Bettencourt continuou... a falar de Pessoa e da sua imensidão literária. "Vivia obcecado por um profundo amor patriótico. Os estudiosos contabilizam mais de 14 heterónimos. E a sua alma era desassossegada. 'Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma'. A plateia ficou rendida aos agitados mas geniais poemas de Fernando Pessoa.



Mas foi com Eça de Queiroz que as primeiras gargalhadas se sentiram na sala. A escritora da nova geração Eileen Barbosa contou como foi o seu amor à primeira vista com a escrita daquele que brincava com um humor delicado e com as descrições inigualáveis. "Na troca de livros que fazíamos entre colegas, trouxe o Crime do Padre Amaro. Vi se não havia outro, deixei-o para o fim... até que não havia outra solução. Foi com imensa surpresa que li às escondidas já que continha uma temática insólita... um padre que se apaixona por uma rapariga. Fiquei rendida".

Ao contar as peripécias da "Relíquia", a escritora conseguiu trazer a boa-disposição à sala, perante aquela história humorística cativante.

No final, Eilleen Barbosa deixou só uma mensagem aos diversos estudantes presentes: "Façam o favor de ler".

Na segunda parte, sob a temática Diálogos Literários Contemporâneos: "Jogos de espelhos: ler e reler o Outro", participaram ainda o escritor Filinto Elísio e Vera Duarte.




O Cóloquio continua amanhã! Com mais surpresas esperemos!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Uma reliquia de outros tempos!




Termo de Exame do 2º Grau de Ensino Primário de Amilcar Cabral, com distintivo

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago desafiou até ao último momento...



"Morreu José Saramago!" Escreveu numa mensagem uma amiga de Portugal através do Facebook... "acho que gostarias de saber".

Senti uma espécie de tristeza. Sentida mesmo. Li o "Evangelho Segundo Jesus Cristo", ainda na adolescência e rendi-me. Mesmo sem a pontuação exigida, com agressividade das palavras tão criticada "“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo", uma visão nua e crua de um assunto delicado que provoca fúrias, iras, mágoas, perante um Saramago sem meias medidas para dizer o que pensa sobre Jesus e o seu Deus.

“Dizer um anjo que não é anjo de perdões, ou nada significa, ou significa demasiado, vamos por hipótese, que é anjo das condenações, é como se exclamasse, Perdoar, eu, que ideia estúpida, eu não perdoo, castigo. Mas os anjos, por definição, tirando aqueles querubins de espada flamejante que foram postos pelo Senhor a guardar o caminho da árvore da vida para que não voltassem pelos frutos dela os nossos primeiros pais, ou os seus descendentes, que somos nós, os anjos, íamos dizendo, não são polícias, não se encarregam das sujas mas socialmente necessárias tarefas de repressão, os anjos existem para tornar-nos a vida mais fácil, amparam-nos quando vamos a cair ao poço, guiam-nos no perigoso passo da ponte sobre o precipício, puxam-nos pelo braço quando estamos quase a ser atropelados por uma quadriga sem freio ou por um automóvel sem travões. Um anjo realmente merecedor de Jesus (...)”.

Saramago foi assim... Desafiou no Ensaio sobre a Cegueira, Terra do Pecado o seu primeiro livro aos 25 anos, Memorial do Convento que conquistou o público e a critica, A Caverna, o seu último romance Caim... Tantos outros... todos eles com doses certas de ironia, arrogância saudavelmente lida e revivida em muitos dos nossos pensamentos, mas que por vezes temos medo de os colocar cá para fora.

Ganhou os melhores prémios que um escritor pode desejar: Prémio Nobel da Literatura em 1998, Prémio Camões, foi um escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português e acima de tudo... foi um critico sempre que achou que fosse necessário, mesmo que implicasse voltar as costas ao seu país.

Foi polémico... mesmo não concordando com algumas das suas ideias, comentários, opiniões, é de louvar... a maneira como nunca baixou a cabeça, nunca dando espaço para venias circunstâncias... porque esse não era Saramago... E até o Papa não se livrou de estar na mira das suas palavras despidas de qualquer conceito pré-definido.

Viveu uma grande vida, uma vida cheia... levou o nome de Portugal além-fronteiras, apesar de se ter auto-exilado na Ilha de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Hoje Portugal e o Mundo perdeu mais um grande escritor e um grande Homem!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fim de semana com a natureza



Fim de semana sabi!!!! Pessoal acampar no Parque da Serra da Malagueta é simplesmente divinal! O bosque encantado, o chicharro, a música, o nevoeiro, os passarinhos logo pela manhã, as caminhadas, a sensação de estar noutra dimensão, acordar às 5h00 com o guarda e o seu bom dia cheio de energia, e principalmenteee... os amigossss!!! Recomenda-se um sítio que por vezes é tão pouco divulgado e que proporciona uma estadia inesquecível!

Serra da Malagueta rocks ehehehhe

"A serra Malagueta é um maciço montanhoso situado na parte Norte da ilha de Santiago.O seu território encontra-se na confluência de três municípios (Stª Catarina, S. Miguel e Tarrafal) apresentando assim uma localização estratégica e privilegiada não só para o sector turístico (eco turismo) como também para a educação ambiental e centro de pesquisa e investigação.

A área do parque da Serra Malagueta compreenderá o actual perímetro florestal estatal, algumas escarpas onde a presença de endemismos seja significativo. A delimitação da área do parque ainda carece de alguns estudos de campo, ainda a decorrer.

A área contém o maior número das plantas endémicas da ilha de Santiago (26) 14 dos quais estão classificados como ameaçadas na lista vermelha de Cabo Verde.

As maiores ameaças que as espécies enfrentam na área são: por um lado a pressão antrópica na procura de espaços para cultivo e corte e recolha de madeira para lenha, por outro lado a erosão do solo e a competição das espécies invasoras como a Frurcraea foetida e Lantana camara".

Fonte: Parque Natural Serra Malagueta
Foto tirada do site: polemikos - a opinião indispensável

quarta-feira, 9 de junho de 2010

I´m so fucking Happy!

Já vos disse que é bom lutar, ultrapassar obstáculos, vencer dificuldades para depois saborear o gosto da vitória? Apesar de todas as barreiras que Cabo Verde as vezes impõe não é fantástico viver neste país?... porque as coisas boas são imensamente maiores que as coisas más e rapidamente se esquece o sacrificio duro, quando atingimos os nosso objectivos. Desculpem mas hoje... I´m so fucking Happy!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mostra de cinema para todos os gostos!

Começou ontem no Auditório Nacional "Cinema e os 35 anos da Independência, Mostra em Cabo Verde", uma organização da Comissão Executiva Nacional das Comemorações dos 550 anos da Descoberta de Cabo Verde.

Poucas pessoas, um pianista com as suas sonoridades a enganar o tempo de espera (era para começar as 18h00 começou às 19h20), uma banca com livros muito interessantes à venda no átrio (sobre Eugénio Tavares, João Lopes, o percurso da Cultura em Cabo Verde) e finalmente o filme. O primeiro de muitos.

"Bitú", do realizador Leão Lopes. 52 minutos em que só em determinados momentos me prenderam a atenção. Gostei do facto do próprio realizador ser o fio condutor da história que fala "de um pintor da cidade do Mindelo que tanto pinta paredes interiores de bares e discotecas, como fachadas de edifícios ou cartazes de publicidade. Mas é no Carnaval de S. Vicente que o pintor dá largas à sua imaginação e criatividade".

Gostei de ouvir os testemunhos de Tchalé Figueira (expressão mais cativante e clara do filme), Vlu, da riqueza visual das pinturas daquele artista: Bitú.

O que não gostei? da falta de dinâmica, de mais diálogos e explicações, de dispersar a atenção das pessoas que estavam na plateia, ao ponto de se ouvir o burburinho das conversas mantidas baixinho.

De simplesmente sair com aquela sensação pesada: de não gostei... simplesmente.

Claro que não posso dizer que gosto ou não dos filmes de Leão Lopes, apenas por ter visionado o "Bitú" o que posso dizer é que do "Bitú" filme não gostei...

Ao sair da sala, uma pessoa que estava presente também na projecção do filme disse o seguinte: "se fosse eu a fazer isto chamavam me maluco, mas como é o Leão Lopes é uma relíquia".

Temos de conseguir diferenciar o nome que as pessoas carregam com cada trabalho que apresentam. Sempre ouvi falar de Leão Lopes, se calhar tem filmes que vou adorar ver, e talvez numa próxima saia da sala com a tal sensação leve, mas o "Bitú", que adorei conhecer, mesmo que tenha sido através de uma tela de cinema, não me convenceu!

Venham os próximos! Bela iniciativa esta! Cinema Móvel... uma ideia de se lhe tirar o chapéu. Praia está rica em actividades culturais! Espero que após o encerramento das comemorações, estes bons presságios continuem e não sejam sol de pouca dura, pois todos nos merecemos mais cultura, mais arte, mais lufadas de ar fresco.

Programa

Dia 8 de Junho
18h00 - Cinema Móvel - Filme Kontinuasom de Óscar Martinez na localidade de São Tomé - Praia

18h30 - Deportados de Paulo Cabral
20h30 - Documentário Amilcar Cabral de Ana Lisboa

Dia 9 de Junho
18h30 - Some Kind os a Funny Porto Rican? de Claire Andrade Watkins
20h30 - São Tomé, os últimos contratados de Leão Lopes

Dia 10 de Junho
18h00 Cinema Móvel Documentários: Amilcar Cabral de Ana Lisboa e Deportados de Paulo Cabral na localidade de São Martinho - Praia

18h30 - O Percurso de Cabo Verde - Guenny Pires
20h30 - Nha Terra Nha Cretcheu de Ana Lisboa

Dia 11 de Junho
18h30 - Music of Badyos - de Gei Zantzingir
20h30 - Kontinuasom de Óscar Martinez

Dia 12 de Junho
16h30 - Batuque a alma de um povo de Júlio Silvão
18h30 - Colectivos
20h30 - Ilha dos Escravos de Francisco Manso

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"In Your Eyes"

A Inez com z enviou me esta letra de Peter Gabriel que achei por bem compartilhar

Saboreiem cada palavra! :)

love I get so lost, sometimes
days pass and this emptiness fills my heart
when I want to run away
I drive off in my car
but whichever way I go
I come back to the place you are

all my instincts, they return
and the grand facade, so soon will burn
without a noise, without my pride
I reach out from the inside

in your eyes
the light the heat
in your eyes
I am complete
in your eyes
I see the doorway to a thousand churches
in your eyes
the resolution of all the fruitless searches
in your eyes
I see the light and the heat
in your eyes
oh, I want to be that complete
I want to touch the light
the heat I see in your eyes

love, I don't like to see so much pain
so much wasted and this moment keeps slipping away
I get so tired of working so hard for our survival
I look to the time with you to keep me awake and alive

and all my instincts, they return
and the grand facade, so soon will burn
without a noise, without my pride
I reach out from the inside

in your eyes
the light the heat
in your eyes
I am complete
in your eyes
I see the doorway to a thousand churches
in your eyes
the resolution of all the fruitless searches
in your eyes
I see the light and the heat
in your eyes
oh, I want to be that complete
I want to touch the light,
the heat I see in your eyes
in your eyes in your eyes
in your eyes in your eyes
in your eyes in your eyes"