Escrever, escrever, escrever... mas escrever o quê? Não me apetece!
Mas, escreve para não quebrar o ritmo. Mas o ritmo nunca é quebrado quando se gosta de escrever.
Escrever para quem? Para mim? Para o meu eu? Ou para ti, para vocês, para o mundo? Não, não me apetece escrever só por escrever... há dias, semanas, meses que nos falha a inspiração. Que a alma não está para ai virada. E isso é mau? Somos menos amantes das palavras porque não escrevemos habitualmente, ou porque simplesmente as ideias não nos saíem. Somos menos pessoas, menos ser humanos, menos escritores, menos jornalistas, menos artistas, menos poetas, menos vendedores ambulantes de sonhos, menos fazedores de histórias, porque os pensamentos ficaram presos e não há maneira de levantar a tal alavanca para os libertar?
Que sufoco... escrever, escrever, escrever, mas porquê? Porque “eles” assim mandam, assim exigem, assim o esperam... ansiosos, sem dó nem piedade! Porque a dó é só para alguns e a piedade fica em casa a dormir!
Escreve qualquer coisa, merda! Nem que sejam palavras que não façam qualquer sentido, e que só as tais mentes mais brilhantes e egocêntricas é que vão propagar que perceberam. Ou então escreve caro, bastante caro, busca as palavras mais “deveras melancolicamente transcendentais” e escreve com o fogo de artificio que essas palavras requerem... escreve coisas que ninguém percebe mas que todos fingem perceber, porque escrever caro é sempre caro. Uma coisa de status estás a entender?
Continua não pares... continua a tua escrita de hoje porque amanhã a mesma missão inconveniente irá sussurrar te ao ouvido, e caso a inspiração te feche novamente as portas, o mesmo dilema, o mesmo bla bla irá tocar à tua companhia.
Escrever, escrever, escrever... mas escrever o quê? Não me apetece! Mas acabei por fazê-lo...
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
A PAT já tem um blogue!!!!
www.elguinhas.blogspot.com
Mais um blogue para seguir... não é por ser só de uma grande amiga minha, mas porque as suas dissertações humorísticas, as suas loucuras saudáveis e devaneios apetitosos valem a pena ser divulgados!
(Uma beija Pat, o mundo da blogosfera é fantastico não é?)
Mais um blogue para seguir... não é por ser só de uma grande amiga minha, mas porque as suas dissertações humorísticas, as suas loucuras saudáveis e devaneios apetitosos valem a pena ser divulgados!
(Uma beija Pat, o mundo da blogosfera é fantastico não é?)
segunda-feira, 8 de março de 2010
Foi a 8 de Março de 1857 que tudo começou...
"A ideia da existência de um Dia Internacional Da Mulher foi proposta na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque".
Lembrar sempre este dia por este feito… pela luta de mulheres oprimidas inseridas num sistema machista, esclavagista, onde o sexo feminino era tratado como um mero acessório do homem.
Graças ao suor, às lágrimas, ao sangue, à revolta de muitas mulheres, somos livres em muitas das sociedades deste mundo, somos consideradas também seres humanos, sem haver a dualidade de masculino feminino. Sem haver a crueldade de outros tempos…
Mas também devido à luta de muitos homens, que movidos por uma visão muito à frente da sua época defenderam as suas mães, irmãs, mulheres, primas, amigas, como parte integrante da sociedade, aniquilando no seu pensamento, nas suas ideias, a clausula da inferioridade imposta em qualquer contrato verbal proferido por alguns homens.
Tal como o Natal, o Dia Internacional da Mulher deveria ser todos os dias, no sentido de nem que fosse por cinco minutos… lembrarmo-nos de que naqueles instantes há uma mulher que é preterida numa empresa simplesmente por ser mulher, outra que “apanha” do marido ou do namorado por ser considerada “uma coisa inferior”, que há aquelas que casam por conveniência, sem amor nem carinho, porque na sociedade que estão inseridas não têm direito a opinar, não tem direito à educação, aos livros, à escola, a um gesto mais amável. Porque se não fizer o que o “senhor” lhe dizer é chicoteada mentalmente ou morta em praça pública, considerada assim um mau exemplo.
A equidade do genero... a falta dela!
Talvez esses cinco minutos podem-se transfomar em 100 anos de arrependimento, de introspecção, de julgamento da consciência, e que esses actos maléficos parassem de ocorrer.
Sabemos que não é asssim... O mundo não é cor de rosa, nem azul, verde, amarelo, mas uma confusão de cores, que ocupam o espaço uma das outras.
Este dia também deve ser dedicado aqueles que movidos por um sentido de soliedariedade ajudam estas mulheres a sair do inferno das suas vidas. Um simples gesto, palavra, ajuda psicologica ou numa fuga, pode ser tudo!
Este dia faz todo o sentido pelo sentido de como começou… agora o Dia Internacional da Mulher é todos os dias, por menos eu tento que os meus dias assim o sejam, diariamente um melhor que o outro.
Uma amiga minha disse-me há pouco tempo uma frase que até hoje não esqueço "Reune-te das pessoas que tiram o melhor de ti", e é esse melhor que quero todos os dias.
Para aquelas mulheres que não têm a oportunidade de privar da mesma liberdade que eu tenho, essas sim devem ser ajudadas dia após dia, e não serem recordadas apenas quando chega o 8 de Março…
Eu já pequei… lembrei-me delas somente no Dia Internacional da Mulher!
Lembrar sempre este dia por este feito… pela luta de mulheres oprimidas inseridas num sistema machista, esclavagista, onde o sexo feminino era tratado como um mero acessório do homem.
Graças ao suor, às lágrimas, ao sangue, à revolta de muitas mulheres, somos livres em muitas das sociedades deste mundo, somos consideradas também seres humanos, sem haver a dualidade de masculino feminino. Sem haver a crueldade de outros tempos…
Mas também devido à luta de muitos homens, que movidos por uma visão muito à frente da sua época defenderam as suas mães, irmãs, mulheres, primas, amigas, como parte integrante da sociedade, aniquilando no seu pensamento, nas suas ideias, a clausula da inferioridade imposta em qualquer contrato verbal proferido por alguns homens.
Tal como o Natal, o Dia Internacional da Mulher deveria ser todos os dias, no sentido de nem que fosse por cinco minutos… lembrarmo-nos de que naqueles instantes há uma mulher que é preterida numa empresa simplesmente por ser mulher, outra que “apanha” do marido ou do namorado por ser considerada “uma coisa inferior”, que há aquelas que casam por conveniência, sem amor nem carinho, porque na sociedade que estão inseridas não têm direito a opinar, não tem direito à educação, aos livros, à escola, a um gesto mais amável. Porque se não fizer o que o “senhor” lhe dizer é chicoteada mentalmente ou morta em praça pública, considerada assim um mau exemplo.
A equidade do genero... a falta dela!
Talvez esses cinco minutos podem-se transfomar em 100 anos de arrependimento, de introspecção, de julgamento da consciência, e que esses actos maléficos parassem de ocorrer.
Sabemos que não é asssim... O mundo não é cor de rosa, nem azul, verde, amarelo, mas uma confusão de cores, que ocupam o espaço uma das outras.
Este dia também deve ser dedicado aqueles que movidos por um sentido de soliedariedade ajudam estas mulheres a sair do inferno das suas vidas. Um simples gesto, palavra, ajuda psicologica ou numa fuga, pode ser tudo!
Este dia faz todo o sentido pelo sentido de como começou… agora o Dia Internacional da Mulher é todos os dias, por menos eu tento que os meus dias assim o sejam, diariamente um melhor que o outro.
Uma amiga minha disse-me há pouco tempo uma frase que até hoje não esqueço "Reune-te das pessoas que tiram o melhor de ti", e é esse melhor que quero todos os dias.
Para aquelas mulheres que não têm a oportunidade de privar da mesma liberdade que eu tenho, essas sim devem ser ajudadas dia após dia, e não serem recordadas apenas quando chega o 8 de Março…
Eu já pequei… lembrei-me delas somente no Dia Internacional da Mulher!
domingo, 7 de março de 2010
We are The World - for Haiti
Passados 25 anos uma nova versão, adaptada aos estilos modernos, mas sem nunca perder a sua verdadeira mensagem!
sábado, 6 de março de 2010
Poemix que me deixou felix
Uma das coisas que mais me chateia na cidade da Praia é a falta de actividades nocturnas... chega o fim-de-semana acompanhado da pergunta: "Aonde é que vamos beber um copo? ou "O que vamos fazer no serão de sexta-feira? Sempre os sítios do costume, o mesmo ritmo, as banalidades constantes… as mesmas conversas!
E mesmo naqueles locais apelidados “de outsiders”, mas muito cool acabam por cansar ao final de um tempo. Quer-se partir à descoberta de novidades, mas estas tardam em aparecer.
Por isso, quando aparecem eventos como "Poemix - Poemas de nenhum lugar", sentimos que estamos noutra dimensão, a respirar outro ar...Sentimos sim, uma lufada de ar fresco, de contentamento, de um simples assimilar para mais tarde recordar.
O conceito é simples: Pela voz artística de Mito Elias juntando a sensibilidade musical de Binga de Castro, durante cerca de uma hora, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa deu as boas vindas à escrita poética, que se fez acompanhar dos mais diversos instrumentos... Estes embalavam a plateia, com os sons pensados para cada um dos poemas. O vídeo deixava-nos perdidos nos nossos pensamentos… cada um mais livre que o outro.
O entusiasmo verbal de Mito é cativante. Sentiu-se que alma queria saltar do corpo ao recitar os 12 poemas de vários autores cabo-verdianos: Alexandre Cunha, Arménio Vieira, Danny Spínola, Eurico Barros, Filinto Elísio, Jorge Carlos Fonseca, José Luíz Tavares, Mário Fonseca, Mito, Oswaldo Osório, Vadinho Velhinho e Zé di Sant'y'agu.
Houve alguns que me deixaram atordoada: o saudoso Mário Fonseca com uma escrita fora do vulgar tocou-me o coração, o habitual controverso Arménio Vieira fez-me sorrir algumas vezes, Filinto Elisio com as suas letras apaixonadas, mas talvez o mais agressivo mas eficaz o de José Carlos Fonseca, "Praia Cidade Minha", saboroso texto, mas com uma terapia de choque à mistura.
"Viva a poesia" foi a deixa final de Mito e Binga, e de facto não poderia ter sido melhor.
"O objectivo deste evento é procurar realçar a beleza das palavras, dos gestos, das imagens e dos sons que cada escrito sugere, para que a poesia não fique estática e empoeirada nas estantes", escrevia na nota de imprensa.
Não podia estar mais de acordo. Praia, os praienses, todos os cabo-verdianos, e nós os que escolhemos Cabo Verde como a nossa segunda terra, têm o direito de assistir a acontecimentos como este. Iniciativas simples, sem grandes pompas e circunstâncias mas de uma beleza rara perdurante na memória.
No final uma diversidade de sentimentos. O decifrar dos poemas, dos sons, da imagem, da voz... o simples sentir bem, o querer mais e mais... mas depois vem novamente a escolha difícil... onde ir? Não me apetece ir aos sitíos do costume, com os mesmos ritmos, escutar as banalidades de sempre ou desviar-me das conversas habituais… a vontade não era muita, mas lá fui para casa, sem sono e até este chegar lá fiquei a pensar “no silencio que mata” pois “todos os paraísos são artificiais”.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Saudade o mais dificil dos sentimentos
Fresquinhas!
Notícias do dia
Público: "Portugal está acima da média mundial relativamente ao número de mulheres em cargos parlamentares e supera a maioria dos países desenvolvidos do G8 na liderança feminina dos ministérios governamentais, revela um estudo internacional".
Uma boa notícia...
Jornal I: "A greve geral da função pública já está em movimento. Escolas, hospitais, tribunais e repartições de finanças deverão reflectir o descontentamento dos trabalhadores com o congelamento de salários dos funcionários públicos em 2010."
Como dizia o outro Está se bem aqui,tá-se tá-se!
Público: "Foi instaurado um inquérito sobre o caso de suicídio de uma criança de 12 anos em Mirandela. Colegas e familiares afirmam que o aluno era uma vítima de outros estudantes e até já identificaram os agressores"
bullying - "O termo “Bullying” compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adoptadas por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os actos repetidos entre elementos da mesma comunidade(colegas) e o desequilibro de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima da “brincadeira”, esta pode entrar em depressão" -
Visitem http://www.bullyingescola.com é importante ficarmos a par de uma realidade que qualquer filho, neto, primo, irmão pode se deparar na escola.
Jornal I: "São cada vez mais frequentes os casos de correios de droga que morrem durante a viagem de avião."
Uma peça a ser lida.
Diário de Noticias: António Vitorino desmente as afirmações feitas ontem por Manuela Moura Guedes em Comissão Parlamentar, segundo as quais o dirigente do PS teria pressionado a Prisa para afastar a apresentadora do jornal de sexta feira da TVI.
"Não querer saber é pior do que desconhecer", apesar da divulgação das escutas nos orgaos de comunicação ser uma violação, já que são do foro privado e não foram pedidas por nenhum juiz, vão me desculpar mas a VERDADE, neste caso, tem de superar a justiça que há muito anda de olhos fechados. Aqui é a jornalista que fala, que recrimina os actos de pressão feitos pelo Governo ou por qualquer outra instituição. Sabemos que as pressões acontecem em todo o lado faz parte... não há muito a fazer... mas tudo o que é em exagero cheira mal! Liberdade de imprensa já ouviram falar? Apesar de ser apologista da verdade não sou ingenua e as verdades podem ser muitas... acabando cada um por ficar com a sua verdade, e o povo com nenhuma.
Porém,não nos podemos esquecer que a história do good cop Bad Cop também faz figura no mundo do jornalismo... fazia muito bem a alguns pseudo-jornalistas darem uma vista de olhos no codigo deontológico, talvez todos os dias antes de se deitarem, para que durante a noite o cerebro assimile aquilo que durante o dia faz questão de esquecer!
Santos só no altar e até esses, procurando bem no fundo, irão encontrar alguns pecados para confessar!
Público: "Portugal está acima da média mundial relativamente ao número de mulheres em cargos parlamentares e supera a maioria dos países desenvolvidos do G8 na liderança feminina dos ministérios governamentais, revela um estudo internacional".
Uma boa notícia...
Jornal I: "A greve geral da função pública já está em movimento. Escolas, hospitais, tribunais e repartições de finanças deverão reflectir o descontentamento dos trabalhadores com o congelamento de salários dos funcionários públicos em 2010."
Como dizia o outro Está se bem aqui,tá-se tá-se!
Público: "Foi instaurado um inquérito sobre o caso de suicídio de uma criança de 12 anos em Mirandela. Colegas e familiares afirmam que o aluno era uma vítima de outros estudantes e até já identificaram os agressores"
bullying - "O termo “Bullying” compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adoptadas por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os actos repetidos entre elementos da mesma comunidade(colegas) e o desequilibro de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima da “brincadeira”, esta pode entrar em depressão" -
Visitem http://www.bullyingescola.com é importante ficarmos a par de uma realidade que qualquer filho, neto, primo, irmão pode se deparar na escola.
Jornal I: "São cada vez mais frequentes os casos de correios de droga que morrem durante a viagem de avião."
Uma peça a ser lida.
Diário de Noticias: António Vitorino desmente as afirmações feitas ontem por Manuela Moura Guedes em Comissão Parlamentar, segundo as quais o dirigente do PS teria pressionado a Prisa para afastar a apresentadora do jornal de sexta feira da TVI.
"Não querer saber é pior do que desconhecer", apesar da divulgação das escutas nos orgaos de comunicação ser uma violação, já que são do foro privado e não foram pedidas por nenhum juiz, vão me desculpar mas a VERDADE, neste caso, tem de superar a justiça que há muito anda de olhos fechados. Aqui é a jornalista que fala, que recrimina os actos de pressão feitos pelo Governo ou por qualquer outra instituição. Sabemos que as pressões acontecem em todo o lado faz parte... não há muito a fazer... mas tudo o que é em exagero cheira mal! Liberdade de imprensa já ouviram falar? Apesar de ser apologista da verdade não sou ingenua e as verdades podem ser muitas... acabando cada um por ficar com a sua verdade, e o povo com nenhuma.
Porém,não nos podemos esquecer que a história do good cop Bad Cop também faz figura no mundo do jornalismo... fazia muito bem a alguns pseudo-jornalistas darem uma vista de olhos no codigo deontológico, talvez todos os dias antes de se deitarem, para que durante a noite o cerebro assimile aquilo que durante o dia faz questão de esquecer!
Santos só no altar e até esses, procurando bem no fundo, irão encontrar alguns pecados para confessar!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura? Diga lá outra vez não percebi...
É a cultura que define o homem, une a nação e identifica o povo. É a maior riqueza imaterial do ser humano. É aquela que acontece a cada instante, bastando, simplesmente respirarmos ou existirmos.
Se o assim é porquê relegá-la para um plano secundário, longe do lugar em que merece estar, conquistado esse estatuto por mérito e notoriedade. Merecia continuar sozinha, única, e nao ser "deportada" para uma prateleira, onde terá ao seu lado o Ensino Superior e a Ciência. Companheiros esses, impensáveis, que também almejavam outro tratamento... como se diz "dividir as águas" não "colocando tudo no mesmo saco".
Ela irá agora dividir as poucas atenções que já tinha e no confronto das verbas e apoios, certamente, que não sairá vencedora, no momento certo "os seus companheiros" irão lhe pregar uma valente partida. E mais uma vez apesar de todos sabermos que ela é a tal maior riqueza imaterial do ser humano ficará confinada a um letreiro: “quando nos der jeito está ali bem arrumada”.
Se o assim é porquê relegá-la para um plano secundário, longe do lugar em que merece estar, conquistado esse estatuto por mérito e notoriedade. Merecia continuar sozinha, única, e nao ser "deportada" para uma prateleira, onde terá ao seu lado o Ensino Superior e a Ciência. Companheiros esses, impensáveis, que também almejavam outro tratamento... como se diz "dividir as águas" não "colocando tudo no mesmo saco".
Ela irá agora dividir as poucas atenções que já tinha e no confronto das verbas e apoios, certamente, que não sairá vencedora, no momento certo "os seus companheiros" irão lhe pregar uma valente partida. E mais uma vez apesar de todos sabermos que ela é a tal maior riqueza imaterial do ser humano ficará confinada a um letreiro: “quando nos der jeito está ali bem arrumada”.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Um hospital psiquiatrico, o teatro e varias maluquices
As vezes basta uma pequena reportagem, após o já habitual zapping, aquando o intervalo da novela, para a atenção ficar presa em histórias invulgares, mas carregadas de um impressionante realismo… vidas autenticas que não nos lembramos que podem existir.
O cenário e o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, antigamente conhecido como Júlio de Matos. Os actores são aqueles que pela esquizofrenia, esgotamentos, ou depressões “refugiaram se” naquele local para fugir a sociedade que os atormenta, tal como diz convictamente Estella uma das figuras principais, “não gosto das sociedades”, ou então como o cego Carlos, que há 14 anos frequenta aquela terapia teatral, e para isso diariamente, enfrenta a loucura do barulho e das enchentes de gentes nos comboios e, o stress dos passageiros nos autocarros, para simplesmente chegar aonde mais quer estar: No grupo de Teatro do Hospital.
Aqueles que são considerados por muitos como os “maluquinhos da sociedade” provam que a tal doideira, devaneios, demência, ou insanidade podem ser derrotadas, mesmo que temporariamente, por um simples encarnar de personagens, um magico vestir e despir personalidades… ou um libertar de expressões e movimentos, aprisionados num cérebro cansado, que não compreende a tal “sociedade”.
Eles são diferentes… como todos nos somos, cada um a sua maneira. Criem o seu próprio mundo e dele não saiem, só deixam entrar quem querem, mas isso não implica que não consigam fazer as mesmas coisas, ter os mesmos desejos, emoções, que os tais que vivem na sociedade.
Sentam se numa mesa quadrada para que todos se possam olhar e debater ideias. Os argumentos para as pecas são escolhidos por todos, juntamente com o encenador João Silva. Guiões que pactuam com a sua realidade, que neles transportam as mais diversas frustrações, fúrias, revoltas, medos, mas também, os sonhos mais resguardados ou paixões reprimidas.
Sobem a palco. Teatro Nacional. Espaço esse que acolhe uma peca da grande actriz Eunice Munoz. O receio esta presente nas mãos que suam, ou nos olhares assustados. Vários actores conhecidos marcam presença. Estella antes do final sai de cena. Não aguenta o confronto com a “tal sociedade” de que tanto foge.
Tal como ela diz “não estou preparada para as sociedades”, pois e uma pessoa “com feitio complicado e difícil”.
O outro dia. A imagem regressa ao inicio. Como tudo começou. A mesma rotina Estella passa a ferro, na Lavandaria do Hospital, a roupa dos seus vizinhos amigos colegas. Não abandona o seu mundo e o seu mundo não a quer abandonar. De vez em quando da permissão assim mesma para entrar no universo teatral, deixando a porta meio aberta. Assim sabe que poderá sempre fugir quando já não se sentir bem.
Sem duvida, o Teatro consegue despertar a mais revoltada e confusa mente, enquanto que uma pequena reportagem, sem espaço para muitos efeitos especiais ou muito dramatismo consegue despertar no telespectador sentimentos de pura alegria, de satisfação por estar a conhecer aquelas historias.
Tanto que não resiste longo no final da reportagem em pegar numa caneta e escrever este texto, para que hoje pudesse publicar no blog e partilhar estes trechos de uma reportagem que soube ser fiel ao seu conceito: captar a atenção, informar e no final levar a que se continue a pensar nela.
Nota: A reportagem passou ontem na RTP Africa, no programa 30 minutos, que costuma dar na RTP. Nao captei o nome da jornalista, do editor nem do reporter de imagem mas estao de parabens pelo excelente trabalho
O cenário e o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, antigamente conhecido como Júlio de Matos. Os actores são aqueles que pela esquizofrenia, esgotamentos, ou depressões “refugiaram se” naquele local para fugir a sociedade que os atormenta, tal como diz convictamente Estella uma das figuras principais, “não gosto das sociedades”, ou então como o cego Carlos, que há 14 anos frequenta aquela terapia teatral, e para isso diariamente, enfrenta a loucura do barulho e das enchentes de gentes nos comboios e, o stress dos passageiros nos autocarros, para simplesmente chegar aonde mais quer estar: No grupo de Teatro do Hospital.
Aqueles que são considerados por muitos como os “maluquinhos da sociedade” provam que a tal doideira, devaneios, demência, ou insanidade podem ser derrotadas, mesmo que temporariamente, por um simples encarnar de personagens, um magico vestir e despir personalidades… ou um libertar de expressões e movimentos, aprisionados num cérebro cansado, que não compreende a tal “sociedade”.
Eles são diferentes… como todos nos somos, cada um a sua maneira. Criem o seu próprio mundo e dele não saiem, só deixam entrar quem querem, mas isso não implica que não consigam fazer as mesmas coisas, ter os mesmos desejos, emoções, que os tais que vivem na sociedade.
Sentam se numa mesa quadrada para que todos se possam olhar e debater ideias. Os argumentos para as pecas são escolhidos por todos, juntamente com o encenador João Silva. Guiões que pactuam com a sua realidade, que neles transportam as mais diversas frustrações, fúrias, revoltas, medos, mas também, os sonhos mais resguardados ou paixões reprimidas.
Sobem a palco. Teatro Nacional. Espaço esse que acolhe uma peca da grande actriz Eunice Munoz. O receio esta presente nas mãos que suam, ou nos olhares assustados. Vários actores conhecidos marcam presença. Estella antes do final sai de cena. Não aguenta o confronto com a “tal sociedade” de que tanto foge.
Tal como ela diz “não estou preparada para as sociedades”, pois e uma pessoa “com feitio complicado e difícil”.
O outro dia. A imagem regressa ao inicio. Como tudo começou. A mesma rotina Estella passa a ferro, na Lavandaria do Hospital, a roupa dos seus vizinhos amigos colegas. Não abandona o seu mundo e o seu mundo não a quer abandonar. De vez em quando da permissão assim mesma para entrar no universo teatral, deixando a porta meio aberta. Assim sabe que poderá sempre fugir quando já não se sentir bem.
Sem duvida, o Teatro consegue despertar a mais revoltada e confusa mente, enquanto que uma pequena reportagem, sem espaço para muitos efeitos especiais ou muito dramatismo consegue despertar no telespectador sentimentos de pura alegria, de satisfação por estar a conhecer aquelas historias.
Tanto que não resiste longo no final da reportagem em pegar numa caneta e escrever este texto, para que hoje pudesse publicar no blog e partilhar estes trechos de uma reportagem que soube ser fiel ao seu conceito: captar a atenção, informar e no final levar a que se continue a pensar nela.
Nota: A reportagem passou ontem na RTP Africa, no programa 30 minutos, que costuma dar na RTP. Nao captei o nome da jornalista, do editor nem do reporter de imagem mas estao de parabens pelo excelente trabalho
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Um Bem Haja para a Casa do Cidadão
Porque as coisas boas também devem ser louvadas... Hoje de manhã estive na Casa do Cidadão, no Plateau, e de facto é de elogiar o serviço publico que ali é prestado. Todos os sectores bem divididos, um acompanhamento desde o momento em que se entra, o atendimento é optimo e principalmente rápido, já que os funcionários sabem do que estão a falar e respondem prontamente a todas as questões que lhes são feitas. Não há muito tempo de espera.
Espero que com o passar do tempo continue-se a manter este nivel de atendimento e a boa organização, porque de facto todos nós merecemos serviços assim.
Espero que com o passar do tempo continue-se a manter este nivel de atendimento e a boa organização, porque de facto todos nós merecemos serviços assim.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
"Os Kassabudi" do meio ambiente
Aqui vai a malta num belo passeio pelo interior de Santiago. Objectivo: desfrutar de um pic nic “à moda di nhos”, com direito a tudo, desde a famosa sandoca, à bela da cervejinha, marmelada, pastéis de nata, um manjar propício para um domingo de bom convívio e de descanso.
Destino: Ribeira da Barca, concelho de Santa Catarina. Localidade piscatória, com difícil acesso mas que vale a pena conhecer. Agora não é para falar da convivência dominical que este post foi pensado, mas sim denunciar aquilo que já tantas vezes foi falado, mas ao que parece as autoridades fazem "ouvidos moucos". É o poder dos grandes grupos, das grandes empresas que fala mais alto. A cor do dinheiro que é mais valioso que qualquer destruição paisagística, que qualquer atentado ao ambiente.
Mas vamos aos factos, que esses é que valem por si.
Praia da Ribeira da Barca, ali está para quem quiser ver! Em plena luz do dia, sem medos nem constrangimentos, como se tratasse de um trabalho normal, digno e respeitado… pois lamento informar… a extracção de areia é ilegal. Uma coisa, meus caros, é ouvir falar, outra é presenciar, acreditem que não é um cenário bonito de se ver.
Primeiro take: várias mulheres daquela zona, onde a idade não é importante, por cerca de 10.000 contos por grupo, enchem de segunda a segunda, diversos camiões com areia daquela praia. A famosa lei da sobrevivência entra agora em cena. Sem terem nada para fazer numa localidade fustigada pelo desemprego, enquanto os homens sentam-se à mesa de um qualquer bar para “concorrerem” ao “quem é o campeão do grogue”, elas por sua vezes são aliciadas para realizarem aquele trabalho ilícito, todos os dias, varias horas seguidas, pois o importante é o camião ficar cheio.
Segundo Take: Os condutores dos tais camiões, após cumprirem com a sua "demanda", transportam a areia para as grandes empresas de construção onde esta é vendida a um preço mais baixo do que se fosse exportada. Houve quem me dissesse que não… o preço é o mesmo, mas só que desta forma ilegal dá menos trabalho. A lei do menor esforço prevalece à destruição do meio ambiente.
Terceiro Take: A praia fica digna de um postal envenenado, sem cor, sem magia, despida daquilo que a mãe natureza lhe deu, a perder as qualidades que outrora faziam dela uma paisagem inesquecível.
Ao que apurei o ICIEG está a realizar formações para estas mulheres que se dedicam a este tipo de “trabalho”. É lhes dado um subsídio durante a iniciativa, para que não voltem a recorrer à apanha da areia e no início de cada formação é feito um estudo com as mesmas, de modo a analisar os seus gostos, para depois as direccionar para o curso mais indicado.
Informaram-me também que as mulheres que têm frequentado este tipo de formações estão todas a trabalhar e não voltaram à extracção de areia.
Como se costuma dizer corta-se o mal pela raiz. Mas o grande problema reside no facto de serem as grandes empresas que praticam estes actos vândalos. Sim também as podemos considerar como os “Kassabudi” do meio ambiente, já que vivem sob os mesmos princípios daqueles que roubam diariamente nas ruas da capital.
Lá está… Quem do Governo vai se colocar contra aquelas empresas que muitas vezes são parceiras em varias construções ou que “contribuem” para o desenvolvimento de Cabo Verde?
Retirar as mulheres daquele trabalho já é um começo… um inicio a destacar. Ataca-se de alguma forma o problema, agora não se pode é ficar à espera que um dia por obra do espírito santo a situação se resolva (melhor dizendo que as situações se resolvam já que Ribeira da Barca não é o único exemplo), por isso meus caros nem com as ajudas de todos os santinhos isso vai acontecer… e depois dá-se o inevitável um Cabo Verde a preto e branco nos cartões postais.
Destino: Ribeira da Barca, concelho de Santa Catarina. Localidade piscatória, com difícil acesso mas que vale a pena conhecer. Agora não é para falar da convivência dominical que este post foi pensado, mas sim denunciar aquilo que já tantas vezes foi falado, mas ao que parece as autoridades fazem "ouvidos moucos". É o poder dos grandes grupos, das grandes empresas que fala mais alto. A cor do dinheiro que é mais valioso que qualquer destruição paisagística, que qualquer atentado ao ambiente.
Mas vamos aos factos, que esses é que valem por si.
Praia da Ribeira da Barca, ali está para quem quiser ver! Em plena luz do dia, sem medos nem constrangimentos, como se tratasse de um trabalho normal, digno e respeitado… pois lamento informar… a extracção de areia é ilegal. Uma coisa, meus caros, é ouvir falar, outra é presenciar, acreditem que não é um cenário bonito de se ver.
Primeiro take: várias mulheres daquela zona, onde a idade não é importante, por cerca de 10.000 contos por grupo, enchem de segunda a segunda, diversos camiões com areia daquela praia. A famosa lei da sobrevivência entra agora em cena. Sem terem nada para fazer numa localidade fustigada pelo desemprego, enquanto os homens sentam-se à mesa de um qualquer bar para “concorrerem” ao “quem é o campeão do grogue”, elas por sua vezes são aliciadas para realizarem aquele trabalho ilícito, todos os dias, varias horas seguidas, pois o importante é o camião ficar cheio.
Segundo Take: Os condutores dos tais camiões, após cumprirem com a sua "demanda", transportam a areia para as grandes empresas de construção onde esta é vendida a um preço mais baixo do que se fosse exportada. Houve quem me dissesse que não… o preço é o mesmo, mas só que desta forma ilegal dá menos trabalho. A lei do menor esforço prevalece à destruição do meio ambiente.
Terceiro Take: A praia fica digna de um postal envenenado, sem cor, sem magia, despida daquilo que a mãe natureza lhe deu, a perder as qualidades que outrora faziam dela uma paisagem inesquecível.
Ao que apurei o ICIEG está a realizar formações para estas mulheres que se dedicam a este tipo de “trabalho”. É lhes dado um subsídio durante a iniciativa, para que não voltem a recorrer à apanha da areia e no início de cada formação é feito um estudo com as mesmas, de modo a analisar os seus gostos, para depois as direccionar para o curso mais indicado.
Informaram-me também que as mulheres que têm frequentado este tipo de formações estão todas a trabalhar e não voltaram à extracção de areia.
Como se costuma dizer corta-se o mal pela raiz. Mas o grande problema reside no facto de serem as grandes empresas que praticam estes actos vândalos. Sim também as podemos considerar como os “Kassabudi” do meio ambiente, já que vivem sob os mesmos princípios daqueles que roubam diariamente nas ruas da capital.
Lá está… Quem do Governo vai se colocar contra aquelas empresas que muitas vezes são parceiras em varias construções ou que “contribuem” para o desenvolvimento de Cabo Verde?
Retirar as mulheres daquele trabalho já é um começo… um inicio a destacar. Ataca-se de alguma forma o problema, agora não se pode é ficar à espera que um dia por obra do espírito santo a situação se resolva (melhor dizendo que as situações se resolvam já que Ribeira da Barca não é o único exemplo), por isso meus caros nem com as ajudas de todos os santinhos isso vai acontecer… e depois dá-se o inevitável um Cabo Verde a preto e branco nos cartões postais.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Beber um chá com...
Um novo blog para seguir... http://omeuchaverde.blogspot.com/ O nome não podia ser mais sui generis: chá verde. Não fosse ela de S. Miguel, que tem das únicas plantações de chá da Europa. Um bem haja aos Açores e a ti Claudia por brindar-nos com a tua escrita que é sempre um prazer ler.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Momento enriquecedor
Ao estilo de uma tocatina onde a música é rainha, o Liceu de S. Domingos prestou uma homenagem ao mestre das sonoridades, Fulgêncio Lopes Tavares, mais conhecido como Ano Nobu, na noite de ontem, 13.
Seis anos após a sua morte, amigos, convidados e familiares recordaram as suas composições que sobrevivem à passagem do tempo.
O espaço era singular, sem ser necessário muita pompa e circunstância. Uma sala, várias cadeiras expostas em direcção ao palco e diversas mesas com comes e bebes para os convidados. Um espaço sem muitos requintes, mas em que o essencial estava lá: alegria, boa disposição, muito convívio e o espírito de Ano Nobu em cada música tocada, em cada voz sentida.
O cavaquinho, a viola e o violão foram os primeiros a entrar em cena, por volta das 19h30, conduzidos por Flávio Tavares, mais conhecido como “Furacão” (filho de Ano Nobu), Joaquim Leal e Idílio Leal, as mornas e os funanás eram progressivamente recordados, com um sentimento de nostalgia e emoção à mistura.
Tal como o discípulo Manuel de Candinho referiu: “cada vez que subo a um palco para prestar-lhe uma homenagem sinto a sua presença. Não é por acaso que se gosta tanto dele. Ano Nobu dava a toda a gente aquilo que não tinha”, referiu o músico.
Fui somente para observar, escutar, ouvir, sentir. Ali ninguém me conhecia. Não havia pessoas famosas... Não havia vestuário requintado, as palavras entoadas em conversas não eram "caras", falava-se antes a lingua do povo, das gentes, sem medos, sem constrangimentos.
Respira-se ao convivio da pura paródia, quer-se ouvir música pelo simples de se gostar. Todos se sentem à vontade, porque as aparências não se sentam nas cadeiras disponíveis.
Ri-se com o poema da "Julia" dedicado ao Ano Nobu, comove-se com a maneira de Pascoal cantar, gosta-se do que o Manuel de Candinho exprime quando pega na viola.
Todos participam, todos se exprimem da forma que querem, sem estarem preocupados se estão a fazer bem ou não. Estão apenas a divertirem-se a prestar uma homenagem a um homem que adorava estar rodeado de amigos.
Uma salva de palmas para estes momentos que se repetem um pouco por todo o Cabo Verde...
Basta ir à procura e sair daquela concha em que estão fechados, deixando de lado os grandes eventos, os grandes concertos de circunstância, onde às vezes vão sem terem conhecimento de causa, vão porque a moda é ir, porque fica bem aparecer.
E fechamos muitas vezes a porta a riquezas culturais como esta, onde se tem a hipótese de descobrir histórias antigas, partilhar experiencias e acima de tudo ouvir sons improvisados. Isto também é cultura!
Venham mais!
Seis anos após a sua morte, amigos, convidados e familiares recordaram as suas composições que sobrevivem à passagem do tempo.
O espaço era singular, sem ser necessário muita pompa e circunstância. Uma sala, várias cadeiras expostas em direcção ao palco e diversas mesas com comes e bebes para os convidados. Um espaço sem muitos requintes, mas em que o essencial estava lá: alegria, boa disposição, muito convívio e o espírito de Ano Nobu em cada música tocada, em cada voz sentida.
O cavaquinho, a viola e o violão foram os primeiros a entrar em cena, por volta das 19h30, conduzidos por Flávio Tavares, mais conhecido como “Furacão” (filho de Ano Nobu), Joaquim Leal e Idílio Leal, as mornas e os funanás eram progressivamente recordados, com um sentimento de nostalgia e emoção à mistura.
Tal como o discípulo Manuel de Candinho referiu: “cada vez que subo a um palco para prestar-lhe uma homenagem sinto a sua presença. Não é por acaso que se gosta tanto dele. Ano Nobu dava a toda a gente aquilo que não tinha”, referiu o músico.
Fui somente para observar, escutar, ouvir, sentir. Ali ninguém me conhecia. Não havia pessoas famosas... Não havia vestuário requintado, as palavras entoadas em conversas não eram "caras", falava-se antes a lingua do povo, das gentes, sem medos, sem constrangimentos.
Respira-se ao convivio da pura paródia, quer-se ouvir música pelo simples de se gostar. Todos se sentem à vontade, porque as aparências não se sentam nas cadeiras disponíveis.
Ri-se com o poema da "Julia" dedicado ao Ano Nobu, comove-se com a maneira de Pascoal cantar, gosta-se do que o Manuel de Candinho exprime quando pega na viola.
Todos participam, todos se exprimem da forma que querem, sem estarem preocupados se estão a fazer bem ou não. Estão apenas a divertirem-se a prestar uma homenagem a um homem que adorava estar rodeado de amigos.
Uma salva de palmas para estes momentos que se repetem um pouco por todo o Cabo Verde...
Basta ir à procura e sair daquela concha em que estão fechados, deixando de lado os grandes eventos, os grandes concertos de circunstância, onde às vezes vão sem terem conhecimento de causa, vão porque a moda é ir, porque fica bem aparecer.
E fechamos muitas vezes a porta a riquezas culturais como esta, onde se tem a hipótese de descobrir histórias antigas, partilhar experiencias e acima de tudo ouvir sons improvisados. Isto também é cultura!
Venham mais!
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