Seguidores

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nice to meet Michael Jackson



Sempre gostei de dançar... é um facto. Sei que se não tivesse escolhido a profissão de jornalista gostaria de estar ligada aos ensaios, às coreografias, aos plíes.

Alias na mítica pergunta da infância: O que queres ser quando fores grande? A minha resposta só era uma: bailarina.

Ainda me lembro quando no meu quarto colocava a música em altos berros e, durante horas a fio, dançava, dançava e dançava, imaginando que estava num grande espectáculo.

"Bill Jean", "Triller", "Black and White", ou "They don´t car about us", eram a minha banda sonora.

Não fazia, claro, os movimentos como o "Rei da Pop", mas as suas músicas inspiravam-me a sonhar. Eram simplesmente vibrantes, alegres... era uma emoção para mim com dez, doze, quinze, vinte e mesmo agora aos vinte e oito anos ouvi-las.

O legado de Michael Jackson revolucionou o mundo e a mim também... nem que seja no sentido de me oferecer uma pequena revolução dentro de mim, cada vez que dançava naquele meu quarto e deixava a minha mãe com os cabelos em pé por estar sempre a ouvir repetidamente.

"Billie Jean is not my lover
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son"


Tal como disse alguém, "há certos génios que aparecem de 100 em 100 anos... como o Michael nunca mais irá aparecer".

Rest in peace Michael - 1958/2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Morna é...




É inspiração de poetas. Princesa de serenatas. É o choro do violão que ao ouvi-la desperta do seu sono mais profundo.

Lamentos que se querem para sempre escutar. É a noiva sem grinalda. O tal expressar de almas. O reviver de sentimentos nostálgicos.

Simplesmente cantar o que o coração sente, e ir ao mais fundo dos fundos.
Para sempre a senhora de Cabo Verde.

É a morna...

Um símbolo nacional... do mesmo modo que o tango é na Argentina, a rumba em Cuba e o fado em Portugal. Um hino que atravessa mares e fronteiras.

Com um andamento lento, um compasso binário, e na sua forma mais tradicional, com uma estrutura harmónica baseada no ciclo de quintas...
Já a sua estrutura poética organizada em estrofes que vão alternado como um refrão.

Sempre a acompanhá-la estão o violão, os violinos, a viola de dez cordas, o cavaquinho,o piano... e uma voz dolente, emotiva, forte.

Nos anos 30 admitiu a entrada para a sua orquestra do clarinete e do trompete, nos anos 70 e 80 aparece com versões eruditas...

O único género musical que consegue ser largamente transversal a todos os grupos etários, que se gosta sem hesitar, que se escolhe para se caracterizar cada episódio da vida.

A sua origem não está esclarecida. Permanece num debate sem fim, rico em especulações. Os registos históricos não são abundantes e a transmissão oral foi o veículo que a fez chegar aos nossos dias.

A maioria alega que a illha da Boavista é a sua mãe. Outros dizem que foi criada no Mindelo, em S. Vicente. Alguns afirmam que o seu nascimento se deu na Brava. Mas nenhuma ilha revindica a sua paternidade...

As influências. Na hora de escolher a variedade impera.

Modinha brasileira, muito popular nas colónias portuguesas do séc. XVIII, fado, passando pelo lundum. Trazida pelos marinheiros, ou pelos escravos de várias regiões de África.
Várias teorias.

Há ainda quem defenda que a morna, como o fado, são descendentes de canções de escravos de SãoTomé e Príncipe.


O Fado e a morna. Muito as distingue e pouco as separa. Tem entre elas um amigável diálogo, uma até respeitável confraternização. Ambas se afirmaram como voz musical dos seus povos.

Há mornas ao jeito de fado e fados com cheirinho a morna. Mas saber se a musicalidade crioula nasceu dos acordes do destino português, para isso só há diversos pontos de vista.


A palavra. Para uns, deriva do inglês to mourn, que significa lamentar ou chorar os mortos. Para outros, a palavra tem origem no francês morne, que é o nome dado a colinas nas Antilhas francesas, onde são interpretadas as chansons des mornes.

Mas para uma grande parte, a palavra morna corresponderia ao feminino da palavra portuguesa morno, numa alusão ao carácter suave e dolente da morna.

O regresso, a saudade, o amor à patria, o mar, a paixão que arde sem se ver. Temáticas variadas. O romantismo intoxicante dos trovadores que a cantam e a criatividade dos que a compoêm.

Na sua primeira fase, a morna tinha como características, segundo os seus estudiosos, um andamento mais rápido do que o actual e letras menos melancólicas e sentimentais.

É a partir do final do século XIX que, na ilha Brava, Eugénio Tavares, confere às cordas de uma guitarra portuguesa, um extremo lirismo, fixando os temas da morna em torno do amor, da idealização da mulher e da saudade.

É o poeta. É o compositor. É o contador das histórias que perduram à passagem das épocas. Hoje as suas composições são tocadas, cantadas, sentidas pelos mais diversos artistas de Cabo Verde.

Ninguem quer esquecer Eugénio Tavares e... ele também não quer se esquecido.

Já a partir de meados dos anos 20, com aquele que é considerado, ao lado de Eugénio Tavares, um dos maiores génios da composição em Cabo Verde, Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B.Leza, a morna vai receber uma outra alteração importante.
Neste caso, não no que se refere às letras, mas sim aos aspectos harmónico e melódico.
Influenciado pela maneira de tocar o violão dos marinheiros brasileiros que passavam por São Vicente, sua ilha natal, B.Léza introduz o meio-tom (acordes de transição) na morna, impregnando-a de uma certa dramaticidade que a partir de então passa a ser um dos seus elementos característicos.

Cabo Verde, recheado de grandes compositores. Lela d’Maninha, Olavo Bilac, Muchim d’Monte, Sergio Frusoni, Jorge Monteiro "Jotamont", Manuel d’Novas, Ano Nobo, Renato Cardoso e Betu. Todos trazendo a morna ao peito. É o seu emblema.
Sãozinha Fonseca... Homero Fonseca... Titina... Bana ... Helena França... Cesária Évora e os eternos Fernando Queijas e Ildo Lobo.

Nos últimos anos, a morna foi levada a ser conhecida internacionalmente por vários artistas, nomeadamente em França, nos Estados Unidos, em Portugal.

Enquanto Cesária Évora levou até ao Olympia, Carnegie Hall ou Hollywood Bowl a essência da morna, Ildo Lobo, encantou aqueles que ainda tiveram a honra de o escutar.

O homem de timbre forte partiu em 2004, mas deixou um legado de músicas que fazem questão de permanecer como o estatuto de memórias vivas.


Fernando Queijas. O primeiro artista caboverdeano que gravou discos em Portugal e a cantar na RDP e RTP. O homem que introduziu a orquestração ligeira na morna, conjugando instrumentos tradicionais e electrónicos. Ele e as mornas tornavam-se um só cada vez que subia a um palco.

Compositor e intérprete, Fernando Queijas deu a conhecer a Portugal um gênero musical que se assemelhava ao misterioso fado.

Apesar de ter deixado este mundo há , na sua residência em Lisboa permanecem o seu piano, o seu violino e violão que acompanharam-no durante anos a fio. Pacientes... como esperassem a cada minuto pelo o tal toque de anos.

Nomes que a história faz questão de não apagar. Rostos que expressam aquilo que lhes vai na voz, ao som de uma morna.

Tal com José Osório de Oliveira, amigo de Eugénio Tavares, disse um dia: “Nunca, com efeito, a alma de um povo encontrou, tão perfeitamente, a sua expressão, numa única manifestação de arte.

Pode afirmar-se, portanto, que a morna resume em si todos os sentimentos e condensa todas as aspirações artísticas dos cabo-verdianos”.

Morna é isto tudo e muito mais...

Programa Nha Terra Nha Cretcheu, quinta-feira, a partir das 19h00, em Cabo Verde e às 21h00 em Portugal.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Xinti




Sara Tavares no auditório da Assembleia Nacional, por ocasião do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Um único sentimento: Bom Feeling!!!
Um concerto para ficar guardado na memória.


Fotos: Pedro Moita

quarta-feira, 13 de maio de 2009

D´Jar Fogo

Rostos... simples rostos... de beleza, de esperança, de harmonia, de memórias... de Djar Fogo. Olhares que se tornam inesquecíveis para quem os encontra, sorrisos quentes, incandescentes, ligados para sempre à tal Morabeza.

Homens e mulheres, velhos e crianças, fazedores de histórias, carregam consigo lições, aprendizagens, vivências de um lugar onde a nostalgia nunca morre.

Gente que conhece em profundo as paisagens duras, imponentes, marcadas por um negro imenso e um horizonte digno de um cartão postal.

Rostos anónimos, desconhecidos, sem direito a pompas e cirscunstâncias nos livros da história, mas que são parte intrínseca de qualquer conto marginal.

Singulares mas únicas, humildes mas de uma nobre grandeza interior... simplesmente gentes do Fogo, a ilha onde o céu também é testemunha de muitas crónicas... de um tempo longíquo...

Não perder, Amanhã, quinta-feira, Nha Terra Nha Cretcheu, RTP Àfrica
Cabo Verde: a partir das 18h45
Portugal: a partir das 20h45

domingo, 12 de abril de 2009

Viva o sujar, comer areia, e fazer tudo o que uma criança tem direito!!!


Mais um dia de Páscoa, mas este ano com "algumas" ligeiras diferenças. Rodeada não pela família de sangue, mas por amigos que já fazem parte do álbum familiar.

Na mesa dos manjares, não houve lugar para as habituais amêndoas torradas, que todos os anos devoro em frente ao televisor a ver mais um filme de Domingo. Nem espaço para os ovinhos de chocolate, e nem para as iguarias tradicionais, como o Folar.

Houve antes muita praia, muito sol, muitas brincadeiras na areia e a seguir uma bela cachupada, que fez o meu estômago chorar de tanto contentamento e a minha balança gritar: "estás abusar".

Ka ten problema!!!! Como diz uma amiga minha quem não é para comer não é para trabalhar!

De manhã, a praia de Quebra Canela estava "sabi". Pouca gente, um areal bonito, um ambiente calmo e tranquilo. À beira-mar, juntamos as grávidas mais algumas mulheres para nos divertimos com as peripécias dos mais novos.

Quando de repente, um dos pequenotes decidiu premiar a banana que estava a comer com muitos grãos de areia, pois acho que seria o condimento necessário para tornar a fruta mais saboroso. O que deixou uma das raparigas preocupada pois "aquilo poderia fazer mal ao menino".

Sempre ouvi dizer: "o que não mata engorda" e actualmente o excesso de preocupação dos pais, tornando-se quase uma vontade obsessiva, faz com que o sujar, o brincar na terra, o colocar as mãos na lama, do antigamente perca a sua essência para o cuidado extremo do século XXI.

Esta situação fez-me lembrar um texto publicado pelo Nuno Markl, esse grande comediante que diz algumas boas verdades sempre com o tal sorriso nos lábios, que recebi via e-mail, aqui vai:

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.

'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?

A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...

E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!

E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.

Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.
Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.

Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.
Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?

E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.

Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'
(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)

Rir e relaxar...

Não resisti.... ehehehe

Algumas informações úteis sobre o corpo humano:

- A comida leva sete segundos para ir da boca ao estômago.

- Um fio de cabelo aguenta o peso de 3 kg.

- O tamanho médio do pénis é três vezes o comprimento do polegar.

- O fémur é mais forte do que o cimento.

- O coração da mulher bate mais rápido que o do homem.

- Existem aproximadamente um trilião de bactérias em cada pé.

- As mulheres piscam os olhos duas vezes mais que os homens.

- O peso médio da pele é duas vezes maior que o do cérebro.

- O corpo utiliza mais de 300 músculos para manter o equilíbrio quando está parado em pé.

- As mulheres que estão a ler este texto já terminaram.

- Os homens ainda estão ocupados a medir os polegares....


Via E-Mail

Cooperação Portuguesa - Nha Terra

Portugal e Cabo Verde. Intimamente ligados por fracções de sentimentos e contos, distribuídos por uma linha temporal inapagável.

1460 -data da descoberta das ilhas e 1975 -independência do domínio colonial unem estes dois países em momentos únicos.

Duas datas memoráveis, para Portugal e Cabo Verde que trilharam para sempre um caminho comum.

Portugal tem-se mantido como um dos principais parceiros para o desenvolvimento de Cabo Verde. O percurso de inter ajuda já é longo, desenvolvendo-se num quadro de excelente relacionamento.

Mudam – se os tempos, mudam-se as vontades... e as prioridades. Ensino, infra estruturas, pequenos “grandes” projectos, mecanismos de financiamento, acordo cambial. Algumas das áreas privilegiadas que com a evolução das ilhas crioulas redireccionam as suas finalidades... os objectivos ganham outra cara…


Nha Terra Nha Cretcheu
Próxima Quinta-feira - Cabo Verde às 19h30, Portugal às 21h30

terça-feira, 31 de março de 2009

Mulheres líderes

Desafiam o seu tempo. Aquelas por quem até o poder não fica indiferente. Estão além dele... além das limitações que lhes são impostas pelas épocas, por barreiras ou preconceitos da sociedade em que decidiram viver.

São rainhas... divas... governantes.... simples mulheres de armas. Na mente, um objectivo, uma meta, uma finalidade. Os sonhos que nunca adormecem. Aos poucos deixam a sua marca numa qualquer história, antes mesmo da chegada do adeus irreversível.

Visionárias, corajosas, determinadas, vencedoras... perdem batalhas e ganham guerras. Querem mudar o mundo... querem que o mundo mude por elas.

Mulheres líderes por uma razão, por um motivo, por uma causa. E essas permanecem para todo o sempre sempre!

Nha Terra Nha Cretcheu - RTP África, 20h3O em Cabo Verde, 22h30 em Portugal!
Não Percam...

quarta-feira, 18 de março de 2009

A polémica da cadeira




Relativamente à polémica do último jantar da comitiva do Primeiro-Ministro, José Sócrates, no restaurante Quintal da Música, na cidade da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde, faltava ouvir outras pessoas que também estiveram no dito acontecimento: o empregado e a dona do restaurante, D. Aida, que também assistiu à cena.

Segundo a proprietária, as mesas eram para serem colocadas em forma de “U,” mas a comitiva preferiu que fosse “à mistura”, para que houvesse uma interacção do grupo, sem distinguir ministros de jornalistas.

À chegada ao espaço, José Sócrates, em tom de brincadeira ou ironicamente - cada um dará o seu sentido -, afirmou: “Colocaram-me no meio de jornalistas, vai dar confusão, mas não há em problema”.

Entretanto, segundo a proprietária, o ministro Rui Pereira (que já tinha jantado no Quintal da Música numa outra noite) não estava presente, pois estaria com o Ministro da Administração Interna, Lívio Lopes, noutro local, tendo chegado mais tarde porque queria despedir-se da dona, já que tinha gostado imenso de ter jantado naquele restaurante.

Quando o ministro chegou, um dos lugares ao lado de José Sócrates já estaria vazio. Mas, de acordo com a proprietária, Rui Pereira chegou e esteve a conversar com ela, ficando de costas para o PM e ela de frente com ângulo de visão para José Socrates.

O Primeiro-Ministro deu a indicação à proprietária do restaurante de que queria falar com o ministro e esta pediu ao tal empregado para arranjar uma cadeira menor (em foto). Rui Pereira sentou-se ao lado do PM para então falarem sobre o assunto que José Sócrates tanto queria conversar.

Ainda de acordo com a dona, o jantar decorreu da melhor forma sem ter notado algum constrangimento ou mal-estar. Quando confrontada com a situação de que a “cadeira” teria sido geradora de polémica, a senhora mostrou-se surpreendida: “Se alguém poderá ser apontado por alguma coisa sou eu, pois fui eu que dei a ordem para colocar a cadeira entre o lugar vazio e o Sr. Primeiro-Ministro”.


Foto: Redy Wilson Lima – Obrigada pela ajuda :)

terça-feira, 17 de março de 2009

A gaffe de Sócrates

Na inauguração do Troço de Estrada do desvio de São Domingos, com a presença do Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves e do Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates, eis o final de um discurso que mais parecia uma campanha do que outra coisa:

"Viva São Domingos, Viva Cabo Verde, Viva a Ilha de S. Vicente", by Sócrates.


A gaffe rapidamente foi reparada com um sussurar do Primeiro de Cabo Verde ao ouvido de Sócrates ("é Ilha de Santiago")e depois uma "retirada em grande" do governante português.

"Desculpem, mas como amanhã vou visitar a Ilha de S. Vicente, é já uma homenagem antecipada".


Desculpas não aceites... Que mico Sr. Primeiro Ministro!!!!

Quando a luz se apaga e a torneira não corre



Era uma vez... Um lugar perdido em memórias medievais. Dá pelo nome de Matinho, no concelho de Santa Cruz, Ilha de Santiago.

Guardado pelo silêncio dos vales e serras, acolhe olhares cansados da escuridão do tempo e das secas constantes.

Não há interruptores, não há televisão, não há frigoríficos, não há fogões. A luz não se apaga nem se acende, a àgua só corre na nascente.

Apenas algumas velas ou candeeiros a petróleo iluminam o final de tarde naquela povoação. O sol é quem comanda a vida das três mil pessoas que vivem neste lugar do antigamente. Uma pausa prolongada numa linha cronológica.

Os primeiros raios anunciam o despertar. Começa um novo dia e as próximas horas são de grande esforço.



As mulheres preparam os burros, carregados com bidons, para irem até à ribeira mais próxima em busca de àgua. Os animais asssumem-se como a única forma de transporte.

Cinco quilómetros a pé em nome da sobrevivência, num percurso que demora cerca de trinta minutos. Por vezes, espera-se numa fila só para encher uma caneca.

Antes dos estudos, os mais novos ajudam na árdua tarefa, enquanto os homens tratam da agricultura local. Aqui é a Natureza que dá.

Maria Alice inicia o ritual diário. Depois da caminhada até à ribeira, dá banho aos dois filhos. Estes nem reclamam da temperatura fria, típica da água de nascente.
O banho tem de ser rápido, pois não há espaço para o desperdício.

Espaço Multiusos do Matinho. Um local com poucos meses de vida. Neste edifício, os habitantes de palmo e meio vivem a sua infância da maneira que é possível.



São escassos os brinquedos, são escassos os livros, e os bens necessários. A água não corre pelas torneiras e a sede mata-se com as poucas garrafas trazidas de casa.

O horário de entrada impõe-se às 8h30 da manhã, enquanto que a saída é uma incógnita. Tudo depende da chegada do pôr-do-sol. Tal como os seus pais, avós, irmãos, tios e primos, as 37 crianças aguardam a chegada da tal energia prometida.

Escola “A Turminha”, no centro da capital. Neste espaço, que acolhe cerca de 200 crianças, vive-se sem a preocupação de assistir a uma aula à luz das velas ou com o medo de não ter água para lavar as mãos.



Cada menino ou menina tem a sua própria garrafa e pode ir à casa de banho, tranquilamente sem encontrar um papel que indique “fora de serviço”.

No entanto, nos meses de Verão, a situação muda de figura. O contraste da ruralidade faz uma breve passagem pelo presente urbano. Apenas por alguns dias ou semanas, os cortes de água e de luz são uma constante (tornam-se habituais).

A escassez de água e a má política de gestão de recursos hídricos. A deficiência energética e a grande dependência de electricidade importada. Problemas espalhados pelas nove ilhas habitadas de Cabo Verde e uma só empresa para dar conta do recado.

A Electra, empresa de produção e distribuição de água e energia, nacionalizada em 2008, após a saída da parceira portuguesa EDP.

As dívidas elevadas da empresa aos vendedores de gasóleo, o não pagamento das facturas dos consumidores, a electricidade clandestina. Três causas. Vários culpados. A esperança na linha da frente daqueles que anseiam por energia 24 horas.

No meio rural mais de 51% dos agregados familiares, utilizam petróleo e velas para iluminação. 66% das famílias utilizam (recorrem à) lenha para cozinhar.
Pouco mais de três quartos da população tem uma fonte de água a menos de 15 minutos e nas localidades do interior apenas 22% tem acesso à água canalizada da rede pública.

Por isso, no Matinho o almoço é feito ao ar livre, sem energia, sem tomadas eléctricas, sem fogões ou microondas. A lenha aquece os tachos, os pratos lavam-se como se pode.

O tempo não volta atrás, o tempo não espera por ninguém e a população daquela terra olha para os ponteiros do relógio ou para as folhas do calendário na esperança de que um dia o seu tempo seja vivido de outra forma.

Em curso está o Projecto Integrado da Povoação do Matinho, uma proposta entregue à Embaixada dos Estados Unidos da América, que envolve um investimento de cerca de sete mil contos.

Abertura de furos, Instalações eléctricas de geradores, construção de três reservatórios são algumas das prioridades que constam no plano.

Em Fevereiro deste ano, foi anunciado que o Governo de Cabo Verde prevê aumentar a produção da energia no país, com a instalação de quatro parques eólicos, orçados em cerca de 50 milhões de euros.

Este programa insere-se numa aposta forte do executivo nas energias renováveis, com o objectivo principal de reduzir a dependência de Cabo Verde em relação aos produtos petrolíferos, passando primeiramente, pelo desenvolvimento massivo das energias eólica, solar e também das ondas do mar.

Chega-se ao fim de tarde naquela localidade que dá pelo nome Matinho. O Sol anuncia que a escuridão está mais uma vez a chegar. Hoje, antes de deitar (antes da hora de dormir) as preces de sempre, amanhã a mesma rotina que não quer ir embora.

Nos entretantos, espera-se que a luz esteja à mercê de um simples clique e que a água não fique para sempre à distância de muitos quilómetros.



Nha Terra Nha CretcheU - RTP Africa
Quinta-feira, às 20h30 Cabo Verde 21h30, Portugal
Programa: Energias Renováveis

segunda-feira, 9 de março de 2009

Férias para nove mais sete




Nove ministros e sete secretários de Estado a caminho de Cabo Verde. Que grande comitiva sim senhor! O nosso Primeiro-Ministro é de facto uma alma caridosa, como não gosta de desfrutar dos prazeres da vida sozinho, decidiu convidar o seu executivo para umas merecidas férias. Já que o trabalho em Portugal tem os deixado de rastos.

Um "patrão" assim é o que toda a gente deseja!!!!

domingo, 8 de março de 2009

A moment like this...



Paixão à primeira vista :)

O Picasso das calçadas

Julian Beever é um artista inglês de Chalk art (Arte com giz) que cria desenhos tridimensionais utilizando giz como material. Utilizando a técnica conhecida como anamorfose, Julian cria uma ilusão de óptica 3D quando a imagem é vista a partir de determinado ângulo.

Frequentemente, chamado de Pavement Picasso, os seus desenhos são minuciosamente projectados e milimetricamente executados. Pura matemática. Em média, o artista leva cerca de três dias para completar uma obra.

Aqui ficam alguns exemplos...









8 de Março. Em vez do Dia Internacional da Mulher deveria ser o Dia em que as mulheres deixaram de sofrer qualquer tipo de descriminação por esse mundo fora. Não faz qualquer sentido esta data. Como se costuma dizer Natal é todos os dias, e o tal Dia da Mulher também.

Mas como continua a ser comemorado, não poderia deixar de agradecer ao excelente cozinheiro e à sua equipa :) pelo almoço preparado neste dia, pelas surpresas e criatividade ao longo da tarde.

Três mulheres que foram totalmente apaparicadas antes do começo de mais uma semana de trabalho!

Obrigada meus queridosssssss...