Seguidores

quinta-feira, 4 de março de 2010

Fresquinhas!

Notícias do dia


Público: "Portugal está acima da média mundial relativamente ao número de mulheres em cargos parlamentares e supera a maioria dos países desenvolvidos do G8 na liderança feminina dos ministérios governamentais, revela um estudo internacional".

Uma boa notícia...

Jornal I: "A greve geral da função pública já está em movimento. Escolas, hospitais, tribunais e repartições de finanças deverão reflectir o descontentamento dos trabalhadores com o congelamento de salários dos funcionários públicos em 2010."

Como dizia o outro Está se bem aqui,tá-se tá-se!

Público: "Foi instaurado um inquérito sobre o caso de suicídio de uma criança de 12 anos em Mirandela. Colegas e familiares afirmam que o aluno era uma vítima de outros estudantes e até já identificaram os agressores"

bullying - "O termo “Bullying” compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adoptadas por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os actos repetidos entre elementos da mesma comunidade(colegas) e o desequilibro de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima da “brincadeira”, esta pode entrar em depressão" -

Visitem http://www.bullyingescola.com é importante ficarmos a par de uma realidade que qualquer filho, neto, primo, irmão pode se deparar na escola.


Jornal I: "São cada vez mais frequentes os casos de correios de droga que morrem durante a viagem de avião."

Uma peça a ser lida.

Diário de Noticias: António Vitorino desmente as afirmações feitas ontem por Manuela Moura Guedes em Comissão Parlamentar, segundo as quais o dirigente do PS teria pressionado a Prisa para afastar a apresentadora do jornal de sexta feira da TVI.

"Não querer saber é pior do que desconhecer", apesar da divulgação das escutas nos orgaos de comunicação ser uma violação, já que são do foro privado e não foram pedidas por nenhum juiz, vão me desculpar mas a VERDADE, neste caso, tem de superar a justiça que há muito anda de olhos fechados. Aqui é a jornalista que fala, que recrimina os actos de pressão feitos pelo Governo ou por qualquer outra instituição. Sabemos que as pressões acontecem em todo o lado faz parte... não há muito a fazer... mas tudo o que é em exagero cheira mal! Liberdade de imprensa já ouviram falar? Apesar de ser apologista da verdade não sou ingenua e as verdades podem ser muitas... acabando cada um por ficar com a sua verdade, e o povo com nenhuma.

Porém,não nos podemos esquecer que a história do good cop Bad Cop também faz figura no mundo do jornalismo... fazia muito bem a alguns pseudo-jornalistas darem uma vista de olhos no codigo deontológico, talvez todos os dias antes de se deitarem, para que durante a noite o cerebro assimile aquilo que durante o dia faz questão de esquecer!

Santos só no altar e até esses, procurando bem no fundo, irão encontrar alguns pecados para confessar!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura? Diga lá outra vez não percebi...

É a cultura que define o homem, une a nação e identifica o povo. É a maior riqueza imaterial do ser humano. É aquela que acontece a cada instante, bastando, simplesmente respirarmos ou existirmos.

Se o assim é porquê relegá-la para um plano secundário, longe do lugar em que merece estar, conquistado esse estatuto por mérito e notoriedade. Merecia continuar sozinha, única, e nao ser "deportada" para uma prateleira, onde terá ao seu lado o Ensino Superior e a Ciência. Companheiros esses, impensáveis, que também almejavam outro tratamento... como se diz "dividir as águas" não "colocando tudo no mesmo saco".

Ela irá agora dividir as poucas atenções que já tinha e no confronto das verbas e apoios, certamente, que não sairá vencedora, no momento certo "os seus companheiros" irão lhe pregar uma valente partida. E mais uma vez apesar de todos sabermos que ela é a tal maior riqueza imaterial do ser humano ficará confinada a um letreiro: “quando nos der jeito está ali bem arrumada”.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um hospital psiquiatrico, o teatro e varias maluquices

As vezes basta uma pequena reportagem, após o já habitual zapping, aquando o intervalo da novela, para a atenção ficar presa em histórias invulgares, mas carregadas de um impressionante realismo… vidas autenticas que não nos lembramos que podem existir.

O cenário e o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, antigamente conhecido como Júlio de Matos. Os actores são aqueles que pela esquizofrenia, esgotamentos, ou depressões “refugiaram se” naquele local para fugir a sociedade que os atormenta, tal como diz convictamente Estella uma das figuras principais, “não gosto das sociedades”, ou então como o cego Carlos, que há 14 anos frequenta aquela terapia teatral, e para isso diariamente, enfrenta a loucura do barulho e das enchentes de gentes nos comboios e, o stress dos passageiros nos autocarros, para simplesmente chegar aonde mais quer estar: No grupo de Teatro do Hospital.

Aqueles que são considerados por muitos como os “maluquinhos da sociedade” provam que a tal doideira, devaneios, demência, ou insanidade podem ser derrotadas, mesmo que temporariamente, por um simples encarnar de personagens, um magico vestir e despir personalidades… ou um libertar de expressões e movimentos, aprisionados num cérebro cansado, que não compreende a tal “sociedade”.

Eles são diferentes… como todos nos somos, cada um a sua maneira. Criem o seu próprio mundo e dele não saiem, só deixam entrar quem querem, mas isso não implica que não consigam fazer as mesmas coisas, ter os mesmos desejos, emoções, que os tais que vivem na sociedade.

Sentam se numa mesa quadrada para que todos se possam olhar e debater ideias. Os argumentos para as pecas são escolhidos por todos, juntamente com o encenador João Silva. Guiões que pactuam com a sua realidade, que neles transportam as mais diversas frustrações, fúrias, revoltas, medos, mas também, os sonhos mais resguardados ou paixões reprimidas.

Sobem a palco. Teatro Nacional. Espaço esse que acolhe uma peca da grande actriz Eunice Munoz. O receio esta presente nas mãos que suam, ou nos olhares assustados. Vários actores conhecidos marcam presença. Estella antes do final sai de cena. Não aguenta o confronto com a “tal sociedade” de que tanto foge.

Tal como ela diz “não estou preparada para as sociedades”, pois e uma pessoa “com feitio complicado e difícil”.

O outro dia. A imagem regressa ao inicio. Como tudo começou. A mesma rotina Estella passa a ferro, na Lavandaria do Hospital, a roupa dos seus vizinhos amigos colegas. Não abandona o seu mundo e o seu mundo não a quer abandonar. De vez em quando da permissão assim mesma para entrar no universo teatral, deixando a porta meio aberta. Assim sabe que poderá sempre fugir quando já não se sentir bem.

Sem duvida, o Teatro consegue despertar a mais revoltada e confusa mente, enquanto que uma pequena reportagem, sem espaço para muitos efeitos especiais ou muito dramatismo consegue despertar no telespectador sentimentos de pura alegria, de satisfação por estar a conhecer aquelas historias.

Tanto que não resiste longo no final da reportagem em pegar numa caneta e escrever este texto, para que hoje pudesse publicar no blog e partilhar estes trechos de uma reportagem que soube ser fiel ao seu conceito: captar a atenção, informar e no final levar a que se continue a pensar nela.

Nota: A reportagem passou ontem na RTP Africa, no programa 30 minutos, que costuma dar na RTP. Nao captei o nome da jornalista, do editor nem do reporter de imagem mas estao de parabens pelo excelente trabalho

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Porque estamos sempre a mudar...

Porque adoro mudanças...

Porque não há nada melhor do que algumas mudanças para alegrar o dia

Porque simplesmente não me assusta a palavra mudar...

E... também porque o meu cantinho das letras precisava já de uma mudança :) Eis que ela chegou!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um Bem Haja para a Casa do Cidadão

Porque as coisas boas também devem ser louvadas... Hoje de manhã estive na Casa do Cidadão, no Plateau, e de facto é de elogiar o serviço publico que ali é prestado. Todos os sectores bem divididos, um acompanhamento desde o momento em que se entra, o atendimento é optimo e principalmente rápido, já que os funcionários sabem do que estão a falar e respondem prontamente a todas as questões que lhes são feitas. Não há muito tempo de espera.

Espero que com o passar do tempo continue-se a manter este nivel de atendimento e a boa organização, porque de facto todos nós merecemos serviços assim.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Os Kassabudi" do meio ambiente

Aqui vai a malta num belo passeio pelo interior de Santiago. Objectivo: desfrutar de um pic nic “à moda di nhos”, com direito a tudo, desde a famosa sandoca, à bela da cervejinha, marmelada, pastéis de nata, um manjar propício para um domingo de bom convívio e de descanso.

Destino: Ribeira da Barca, concelho de Santa Catarina. Localidade piscatória, com difícil acesso mas que vale a pena conhecer. Agora não é para falar da convivência dominical que este post foi pensado, mas sim denunciar aquilo que já tantas vezes foi falado, mas ao que parece as autoridades fazem "ouvidos moucos". É o poder dos grandes grupos, das grandes empresas que fala mais alto. A cor do dinheiro que é mais valioso que qualquer destruição paisagística, que qualquer atentado ao ambiente.

Mas vamos aos factos, que esses é que valem por si.

Praia da Ribeira da Barca, ali está para quem quiser ver! Em plena luz do dia, sem medos nem constrangimentos, como se tratasse de um trabalho normal, digno e respeitado… pois lamento informar… a extracção de areia é ilegal. Uma coisa, meus caros, é ouvir falar, outra é presenciar, acreditem que não é um cenário bonito de se ver.

Primeiro take: várias mulheres daquela zona, onde a idade não é importante, por cerca de 10.000 contos por grupo, enchem de segunda a segunda, diversos camiões com areia daquela praia. A famosa lei da sobrevivência entra agora em cena. Sem terem nada para fazer numa localidade fustigada pelo desemprego, enquanto os homens sentam-se à mesa de um qualquer bar para “concorrerem” ao “quem é o campeão do grogue”, elas por sua vezes são aliciadas para realizarem aquele trabalho ilícito, todos os dias, varias horas seguidas, pois o importante é o camião ficar cheio.

Segundo Take: Os condutores dos tais camiões, após cumprirem com a sua "demanda", transportam a areia para as grandes empresas de construção onde esta é vendida a um preço mais baixo do que se fosse exportada. Houve quem me dissesse que não… o preço é o mesmo, mas só que desta forma ilegal dá menos trabalho. A lei do menor esforço prevalece à destruição do meio ambiente.

Terceiro Take: A praia fica digna de um postal envenenado, sem cor, sem magia, despida daquilo que a mãe natureza lhe deu, a perder as qualidades que outrora faziam dela uma paisagem inesquecível.

Ao que apurei o ICIEG está a realizar formações para estas mulheres que se dedicam a este tipo de “trabalho”. É lhes dado um subsídio durante a iniciativa, para que não voltem a recorrer à apanha da areia e no início de cada formação é feito um estudo com as mesmas, de modo a analisar os seus gostos, para depois as direccionar para o curso mais indicado.
Informaram-me também que as mulheres que têm frequentado este tipo de formações estão todas a trabalhar e não voltaram à extracção de areia.

Como se costuma dizer corta-se o mal pela raiz. Mas o grande problema reside no facto de serem as grandes empresas que praticam estes actos vândalos. Sim também as podemos considerar como os “Kassabudi” do meio ambiente, já que vivem sob os mesmos princípios daqueles que roubam diariamente nas ruas da capital.

Lá está… Quem do Governo vai se colocar contra aquelas empresas que muitas vezes são parceiras em varias construções ou que “contribuem” para o desenvolvimento de Cabo Verde?

Retirar as mulheres daquele trabalho já é um começo… um inicio a destacar. Ataca-se de alguma forma o problema, agora não se pode é ficar à espera que um dia por obra do espírito santo a situação se resolva (melhor dizendo que as situações se resolvam já que Ribeira da Barca não é o único exemplo), por isso meus caros nem com as ajudas de todos os santinhos isso vai acontecer… e depois dá-se o inevitável um Cabo Verde a preto e branco nos cartões postais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Beber um chá com...

Um novo blog para seguir... http://omeuchaverde.blogspot.com/ O nome não podia ser mais sui generis: chá verde. Não fosse ela de S. Miguel, que tem das únicas plantações de chá da Europa. Um bem haja aos Açores e a ti Claudia por brindar-nos com a tua escrita que é sempre um prazer ler.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Momento enriquecedor

Ao estilo de uma tocatina onde a música é rainha, o Liceu de S. Domingos prestou uma homenagem ao mestre das sonoridades, Fulgêncio Lopes Tavares, mais conhecido como Ano Nobu, na noite de ontem, 13.

Seis anos após a sua morte, amigos, convidados e familiares recordaram as suas composições que sobrevivem à passagem do tempo.

O espaço era singular, sem ser necessário muita pompa e circunstância. Uma sala, várias cadeiras expostas em direcção ao palco e diversas mesas com comes e bebes para os convidados. Um espaço sem muitos requintes, mas em que o essencial estava lá: alegria, boa disposição, muito convívio e o espírito de Ano Nobu em cada música tocada, em cada voz sentida.

O cavaquinho, a viola e o violão foram os primeiros a entrar em cena, por volta das 19h30, conduzidos por Flávio Tavares, mais conhecido como “Furacão” (filho de Ano Nobu), Joaquim Leal e Idílio Leal, as mornas e os funanás eram progressivamente recordados, com um sentimento de nostalgia e emoção à mistura.

Tal como o discípulo Manuel de Candinho referiu: “cada vez que subo a um palco para prestar-lhe uma homenagem sinto a sua presença. Não é por acaso que se gosta tanto dele. Ano Nobu dava a toda a gente aquilo que não tinha”, referiu o músico.

Fui somente para observar, escutar, ouvir, sentir. Ali ninguém me conhecia. Não havia pessoas famosas... Não havia vestuário requintado, as palavras entoadas em conversas não eram "caras", falava-se antes a lingua do povo, das gentes, sem medos, sem constrangimentos.

Respira-se ao convivio da pura paródia, quer-se ouvir música pelo simples de se gostar. Todos se sentem à vontade, porque as aparências não se sentam nas cadeiras disponíveis.

Ri-se com o poema da "Julia" dedicado ao Ano Nobu, comove-se com a maneira de Pascoal cantar, gosta-se do que o Manuel de Candinho exprime quando pega na viola.

Todos participam, todos se exprimem da forma que querem, sem estarem preocupados se estão a fazer bem ou não. Estão apenas a divertirem-se a prestar uma homenagem a um homem que adorava estar rodeado de amigos.

Uma salva de palmas para estes momentos que se repetem um pouco por todo o Cabo Verde...

Basta ir à procura e sair daquela concha em que estão fechados, deixando de lado os grandes eventos, os grandes concertos de circunstância, onde às vezes vão sem terem conhecimento de causa, vão porque a moda é ir, porque fica bem aparecer.

E fechamos muitas vezes a porta a riquezas culturais como esta, onde se tem a hipótese de descobrir histórias antigas, partilhar experiencias e acima de tudo ouvir sons improvisados. Isto também é cultura!

Venham mais!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ano Nobu - Homenagem ao mestre

O liceu de S. Domingos, em parceria com a fundação Ano Nobu, vai organizar, um espectáculo de homenagem ao grande músico e compositor Ano Nobu, já na próxima quarta-feira, dia 13, a iniciar por volta das 18h30, naquele estabelecimento de ensino.

Da lista de artistas fazem parte a actuação em conjunto de Manuel Candinho, discípulo do malogrado artista, com Paulino Vieira. Esta iniciativa intitulada "S. Domingos canta Ano Nobu", irá também contar com a actuação de alguns grupos locais, que tiveram como "mestre" Ano Nobu.

A não perder a homenagem ao homem que possui mais de 500 composições, em que segundo Manuel Candinho ensinou música a todos os que o procuravam, foi o professor e um humilde servidor de todos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um comentário

O crime violento ocorrido no "Voz di Povo", um sítio que frequento ultimamente às quarta-feiras para o "Win and Cheese", provocou uma onda de revolta.

Muito se tem falado agora. Uns argumentam que afinal o irmão de Steffani, Carlos Albino, mais conhecido como Bino, também foi cumplice na morte de Dudu. Outras testemunhas alegam que após a primeira briga ter-se iniciado entre Stefanni e Dudu, este ultimo contou com a ajuda de dois amigos para espancar Stefanni, levando este a ir buscar a casa uma arma para se vingar.

Muito se fala, muito se diz, é normal nestes casos. Somente os que estiveram lá é que presenciaram a tragédia é que poderão relatar os factos.

Agora o mais importante é saber essa verdade, nua e crua, doa a quem doer. Porque ninguém em lugar nenhum do mundo, seja alto, baixo, gordo, magro, de pais pobres, de familias ricas, tenha ou não formação tem o direito de tirar a vida a alguém. Seja qual for o motivo. Por vezes perdemos a cabeça é certo, mas não podemos chegar ao cumulo de matar alguém. Qualquer dia o que é excepção torna-se uma mera rotina e assassinar alguém ao desbarato vira moda.

Mesmo que a culpa da primeira briga tenha sido de ambas as partes, mesmo que seja veridico de que Dudu juntamente com mais duas pessoas tenha espancado Stefanni nada justifica que se vá buscar uma faca e se entre num bar com o intuito de matar.

A Justiça tem de funcionar!!!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Praia está de luto... E perde-se assim uma vida!

Noite violenta no pub “Voz di Povo” com uma morte

05 Janeiro 2010

Stefanni Mandela Santos, filho de Miluci e Jacinto Santos, é apontado como tendo esfaqueado mortalmente Dudu Teixeira, e dois outros indivíduos, dentre eles o próprio irmão Bino, na sequência de uma briga no pub “Voz di Povo”, propriedade do jornalista Tony Teixeira. Os pormenores do incidente ainda não são de todo conhecidos. Fala-se numa outra vítima internada no Hospital Agostinho Neto.
A cidade da Praia amanheceu hoje sob o impacto da notícia de uma briga entre os frequentadores do pub “Voz di Povo”, propriedade do jornalista Tony Teixeira. Informações várias referem que Stefanni Santos, filho de Miluci e Jacinto Santos, apunhalou mortalmente esta noite Dudu Teixeira, irmão do dono do bar na sequência de uma briga. Fala-se em duas outras pessoas, dentre elas o próprio irmão Bino, e ainda de Naco, filho do conhecido Gil "Tchibita" Fernandes. Bino e Naco estão internados no Hospital Agostinho Neto.

Dudu Teixeira, por seu turno, vive nos EUA e encontrava-se de férias junto da família. É o "codê" dos vários filhos de Ovidio e dona Niquinha. Esta é a terceira morte, em três anos, que abala a familia Teixeira, depois de Lúcia Anjos e Ovidio Teixeira.

As razões que levaram a este incidente entre Stefanni e Dudu não estão ainda de todo apuradas. Os nossos esforços para obter informações mais fidedignas revelaram-se em vão, uma vez que as nossas fontes na policia estão no terreno a tratar do caso. Por isso, assim que for possível, apresentaremos mais elementos sobre este caso que vem entristecer duas conhecidas famílias desta cidade: os Teixeira e os Santos.

Situado no rés do chão do edifício do antigo jornal “Voz di Povo”, daí o nome do pub, este espaço foi inaugurado há poucos meses, tornando -se em pouco tempo um lugar de referência para os frequentadores da “night” praiense. O mesmo é frequentado sobretudo por jovens, nomeadamente, estudantes e quadros.



Fonte: A Semana Online


A Droga não escolhe raça. cor, nem estatuto social. Isso é um facto incontestável. Pode acabar com uma vida em minutos ou com uma familia em segundos. Num simples piscar de olhos. Segundo algumas vozes não foi a primeira vez que Stefanni viu-se envolvido em desacatos com maior gravidade. Tudo por causa do estado inalterado em que se encontrava.

Ao que se consta o autor do crime, um rapaz de boas familias, estaria a fazer necessidades à porta do estabelecimento, tendo sido repreendido pela vitima para nao o fazer. Contrariado avançou para a vitima, para lhe dar com uma garrafa de cerveja mas o falecido conseguiu mobiliza lo.


Não satisfeito foi a casa buscar uma faca e sem meias medidas entrou novamente no Voz di Povo esfaqueando um homem que se encontrava com a esposa e Dudu. O irmão do criminoso, tentou impedir o irmão tendo sido também esfaqueado.

Hoje a Praia está de luto... É inconcebivel uma pessoa que mata sem pensar duas vezes ainda estar a conviver em sociedade. Nao há ninguem acima da lei, faça-se agora justiça!

Animais ferozes que assassinam sem pensar nas consequencias devem estar enjaulados. Nao há desculpas possiveis, nem perdoes porque ninguem vai conseguir apaaziguar o coraçao daquela mae que perdeu um filho!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um novo começo.. tudo a postos! Levantar voo!

6 anos de idade... a caixinha mágica tinha várias luzes luminosas que eu adorava observar. aquelas cores, imagens, bonecos mexiam com a minha mente, fazendo me voar para outros mundos, onde eu era a única que tinha a chave para entrar.


8 anos de idade... a minha mãe entrava no quarto e ria-se com o facto de eu estar com o comando da televisão a fingir que era um microfone, a olhar para um espelho a pensar que era uma camara e a imaginar que estava a relatar uma notícia... tentava imitar tal iqual, aquelas senhoras e senhores que apareciam na televisão por volta das 20h00, de microfone em punho a falar só para mim, sobre algo que poderia ser dito de uma forma trágica, alegre ou simplesmente sem qualquer tipo de emoções.

Já na hora de escolher o curso nao tive dúvidas... aos 20 anos queria que no futuro as minhas reportagens marcassem a diferença, desejava estar nos cenários de guerra pela adrenalina, ambicionava mais do que tudo na vida ser jornalista simplesmente pelo facto do amor à profissão.

E claro acabei por seguir aquilo que por vezes tira me horas de sono, que me deixa sem horários para nada, que me oferece um cansaço e um stress inexplicavel, mas que me dá acima de tudo felicidade, prazer, alegria.

Nunca fui pessoa de ficar muito tempo no mesmo lugar... acho que quando sentimos que não estamos a evoluir ou que estagnamos nas teias da profissão temos de partir rumo a outro desafio. Gosto de sentir que estou aprender e não acordar e sentir que naquele lugar já encerrei a minha missão.


Quando assim o é agarro na minha caneta e parto em busca de outra escrita, de outra informação, de mais uma redacção com todas as suas carecteristicas, qualidades, defeitos e feitios.


No começo de um Novo Ano... encontrei novos obstaculos para ultrapassar, novas montanhas para escalar e novos mares para domar...

Deixo a Agencia Caboverdeana de Imagens (ACI), onde recebi os instrumentos, ferramentas conhecimentos sobre como é trabalhar na televisão, um lugar onde tive a oportunidade de em equipa conceber reportagens das quais orgulho-me muito, para regressar à minha velha e querida escrita, ao trabalhar em mais uma publicação, chamada A Semana.

Quem me conhece sabe que tal como começei este texto a minha grande paixão é sem duvida a caixinha mágica e como tal não poderia "abandona-la" por isso os projectos em televisão irão continuar, agora numa versão mais independente.

Porque uma coisa é certa, parar é morrer e, eu sem duvida, nunca vou parar neste mundo chamado jornalismo.


Disso podem ter a certeza!!!! :)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dê as boas as vindas à mudança




“Não quero amar pela metade, não quero viver de mentiras, não quero voar com os pés no chão... Quero poder ser eu mesmo, mas com certeza, que não serei o mesmo para sempre...", as bonitas palavras de um dos maiores poetas portugueses, Ary dos Santos, são um estímulo quando pensamos em abandonar, de vez, o chamado “medo da mudança”.

Quantas de nós já atingiu um ponto sem retorno, em que as sílabas da palavra ”mudar” tocam, vezes sem conta, à nossa campanhia, mas recusamo-nos a descer as escadas e abrir-lhe a porta...Não nos sentimos bem ou naquele sitio, com algumas pessoas, com exageradas regras e com certas condutas... e de um momento para outro, pouco a pouco, deixa de fazer sentido estar naquele lugar, ou com aquele alguém, ou com determinados sentimentos...

O medo de alterar, falhar, de concretizar é maior do que a vontade de avançar, que nos visita todos os dias com uma simples, mas dura verdade. “Chegou a hora de tomar uma decisão”. Três mulheres, três exemplos... que tiveram a “ousadia” de receber gentilmente em suas casas a mudança mostram que está na hora de tomar o destino nas mãos e também convidar a coragem para a sua vida! Quem está mal mudou-se! Ouvimos diariamente no nosso quotidiano, por isso do que estamos à espera para subir a nossa taxa de felicidade!

Au revoir ao “excessivamente” trabalho

8h00... O telefone toca mas não há vontade de atender. Trimm....Trimm... A insistência daquele barulho faz a ceder. Após os primeiros minutos de conversa, dá-se conta que tem mais um problema para resolver. Há um segundo no meio daquela chamada onde a mente pensa apenas numa pergunta: “O que é que estou a fazer com a minha vida?” Desde o momento em que desliga, apenas toma um banho rápido, tirar a primeira coisa que lhe aparece no guarda-roupa e "voa" até ao trabalho.

Cinco minutos depois de estar no escritório, descobre que ao primeiro inconveniente da manhã junta-se mais dois ou três para solucionar. Olha para a sua equipa e percebe: "eles não sabem o que estão a fazer". Começa a trabalhar rapidamente, da melhor maneira possível, mas a satisfação tarda a chegar. A hora do almoço é uma ilusão. As gargalhadas e boa disposição dos colegas na copa, enquanto saboreiam cada garfada é uma cenário irreconhecível no seu quotidiano. Não há tempo... No período da tarde o telemóvel da empresa não pára de tocar, enquanto que o pessoal nem vibra com uma mensagem. "Os amigos já nem me ligam porque sabem que esqueço-me de responder aos convites". Tempo! não há tempo, o tempo escasseia.

20h00... o único barulho que se ouve é o teclado do computador. O corpo cede está na hora de ir para casa, apesar da cabeça querer ficar mais um pouco, "todos os segundos são sagrados", pensa. Já no doce lar, o frigorífico está muito longe para que se possa percorrer uma pequena distância e buscar qualquer coisa para “tricar”. Deitada no sofá, o sono chega não sem antes pensar: "O que é que estou a fazer com a minha vida? Enquanto um pintor busca pela a perfeição da sua tela, Beatriz anseia necessariamente pela perfeição profissional, onde o excessivamente anda lado a lado com a vontade de querer abrandar: Excessivamente motivada, viciada em trabalho, empreendedora, funcionária incansável, super-mulher, esta mulher de 31 anos é o exemplo real do desejo, da atitude, da procura pelo inatingível.

Uma perfeccionista sobrecarregada de trabalho, que se recusa a delegar tarefas já que ninguém consegue fazer as coisas de uma forma que a satisfaça. "Sempre fui assim, em todos os empregos por onde passei. Não admito sequer que posso falhar, porque sou forte, eu consigo". Produtora de eventos e espectáculos há cerca de 6 anos, Beatriz deixou de ter a vida social que sempre adorou, de ler um livro ao final da tarde, de ir ao cinema numa bela tarde de domingo, em prol de uma carreira onde não há espaço para derrotas.

"Não tenho energias para os meus amigos, só de pensar em sair de casa agonia-me". Há cerca de três meses, o alarme deixou o último aviso: “dei por mim a trabalhar doente em casa com 38 graus, sem nada na despesa para comer. Foi o caos".

Algo tinha de mudar... E o primeiro passo era “dar ouvidos” à palavra que só de pronunciar a assustava-a: mudança. Escutando a voz quase esquecida na cabeça, a empresária nem pensou duas vezes, “porque se assim o fizesse tinha ficado na mesma”. Embarcou para a Polónia para visitar alguns familiares, acabando por tirar umas férias que andavam já prometidas há quatro anos. “Aproveitei esse tempo para recarregar baterias e reflectir... sei que a mudança começou ali ...

Ao regressar a Lisboa, Beatriz continuou a desformatar a velha e doente rotina, fazendo o delete dode vários “vírus doentios”. “Diminui a carga horário, em cada semana tenho um dia reservado para mim, para aquilo que gosto de fazer e outro para estar com os amigos. O mais importante é que comecei a delegar mais funções à minha equipa. Como dizia Fernando Pessoa agora “não me esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo e posso evitar que ela vá à falência... Tive coragem!”.



Um fogo que foi apagado para sempre!

O que faz com que um Homem corra para dentro de um edifício em chamas quando todos os outros de lá fogem? O que faz um bombeiro deixar a sua família todas as manhãs e arriscar a sua vida para resgatar estranhos? Todas estas perguntas perdem o sentido quando o amor à profissão é mais forte. Impulsionados pelo um sonho, uma vontade ou simplesmente pela coragem, muitos jovens optam por aprender gestos que salvam vidas. E isso era o que Rita mais desejava... vencer o fogo! Quis o destino que o pai fosse contra a sua vocação. “Desejava que seguisse os seus passos na advogacia... Dizia-me muitas vezes: ‘era o que faltava uma bombeira na família, és mulher não podes”.

Naquela altura, o quarto da adolescente estava repleto de posters alucidativos ao filme “Mar de Chamas”, em que se distinguia um capacete (dado por um “soldado da paz numa visita de estudo a uma corporação) que a jovem tinha orgulhosamente colocado em frente à cama, para que todos os dias ao abrir os olhos fosse a primeira coisa a ver.
Quando o pai da jovem destemida apercebeu-se que o interesse da sua menina mais nova por montar lances e subir as escadas de ganso estava deixar de ser um capricho de criança, resolveu intervir com a persuassão excessiva que lhe era característica.

“Comuniquei-lhe que gostaria de entrar para a academia de cadetes... Ficou branco, mas como sempre tentou não mostrar parte de fraco. Reuniu todos os elementos “sujos” para que desistisse, como levar-me a conhecer irmãos, pai e filhos daquelas que tinham perdido em incêndios. Fui fraca e resolvi ser a menina bonita do papa.”

Durante três anos, Rita acomodou-se por entre livros de direito e código civil, deixando de ser a rapariga extrovertida ciente do que queria, para uma mulher adversa à mudança. “Pensava muitas vezes, agora já nao vale a pena, tomei aquela decisão vou levá-la até ao fim”. Ao cansaço dos exames aliou-se a depressão... e todas as noites antes de se deitar a futura advogada arrependia-se da decisão tomada! Mas não havia como voltar atrás...

Até que dois anos antes de acabar o “tão detestável curso”, uma frase de um professor fê-la acordar: “Todas as profissões só são bem desempenhadas quando se gosta realmente delas. Quando estiverem em tribunal e, caso não acreditarem no que estão a fazer o vosso cliente será a principal vítima das vossas más escolhas”. “Nem mais” pensou Rita... No mesmo dia “alistou-se” sem pensar nas consequências que puderiam vir desse acto.

Hoje, apesar de o pai ter deixado de lhe falar durante dois anos, Rita já nota alguma cedência da sua parte. “Quando lhe contei informou-me que nunca me iria ajudar em nada, actualmente já me telefona para saber como estou”. “Alegando que há sempre uma luz ao fim do túnel, há é que sabe procurá-la”, orgulha-se de já ter ajudado num incêndio de escala menor, mas tem a certeza que as chamas maiores do seu “eu” já foram “apagadas” para sempre: o medo de mudar é agora cinzas!





Uma força da natureza

Desde míudos que se conheciam... Aliás eram vizinhos porta à porta! Quando os pais de Pedro saiam para o emprego, o menino saltava de imediato da janela, tudo em nome de Ana, a menina mais bonita do bairro e sua melhor amiga. Quando a fábrica apitava, dando por terminado mais um dia de trabalho, a jovem tratava de empurrá-lo com uma vassoura para dentro de casa, já que Pedro queria sempre ficar mais um bocadinho! Da cumplicidade nasceu o amor e aos 20 anos resolveram casar, nada que espantasse os mais chegados já que estava escrito no destino de cada um.

Chegou a guerra colonial e o jovem, como tantos, teve de partir, o Ultramar convocava-o para uma guerra que não era a sua. Ana esperou pelo amado tal como uma donzela espera pelo seu príncipe. Mas na vez do “cavaleiro andante” regressou um homem que agora a empregada de escritório desconhecia. “Vinha completamente diferente, os trabalhos que arranjava despediam-no sempre, ficava fora até altas horas da manhã, já não havia bondade dentro ele”.

Nem mesmo com a chegada da pequena Matilde as coisas mudaram. “Quando a filha nasceu tiveram que o acordar pois estava de ressaca. A droga tomou conta dele”. Um ano e meio foi o tempo que a mãe da bebé aguentou. “Por mais que o amasse não ia dar uma vida de horror à minha filha. Por ela e por mim deixei-o sem olhar para trás”. O caso de Ana é diferente de muitas mulheres, que aguentam anos infindavéis ao lado de alguem que não lhe traz felecidade. “Não tive medo de mudar, apesar de ter sido muito dificil criar a Matilde sozinha, sem ajuda de ninguém. Deixei muitas vezes de comer para lhe dar a ela. Mas voltava a fazer tudo igual. A minha filha é a minha razão de viver".

Hoje as duas mulheres vivem numa casa humilde, mas onde reina o amor. A rapariga hoje com 27 anos é uma escritora conceituada e até já tem argumento para o próximo livro. Ana: uma força da natureza!”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Criancinhas - by Miguel Carvalho



Um retrato fiel, nu e cru... Escrito por Miguel Carvalho na Revista Visão... que ao menos ajude certos pais a "wake up to reality"!

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comece a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo.

A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Brava uma prisão de portas abertas



Uma reportagem que me deu imenso gozo fazer, não só pelo facto de ter conhecido uma ilha lindíssima, mas também pela temática em si. Os repatriados. De quem é a culpa pela falta de integração na sociedade?

Nha Terra Nha Cretcheu - Amanhã, quarta-feira, dia 2 de Dezembro
RTP Afica - 22h15 (Portugal)
- 21h15 (Cabo Verde)

TCV - Sexta-feira - 21h15

O caminho é longo. Voa-se pelos céus, aterra-se sob o olhar atento do Vulcão, atravessa-se mares que por vezes vivem em conflito, para só depois se entrar noutra dimensão. A visão quer assimilar tudo…. Chega-se finalmente. Vários sentimentos são trazidos na pouca bagagem. Diversas emoções que carregam no coração. Poucas memórias tem-se daquele lugar, ou aquelas que ficaram perderam-se nas teias da emigração.


Regressar a um país onde a única ligação são os familiares distantes e um bilhete de identidade com a indicação: local de nascimento Cabo Verde. Retornar a uma ilha onde não há raízes, não há afecto, não há nada. Essa será a palavra mais acertada… nada.

Deixa-se uma América moderna, abandona-se forçosamente uma terra em que o dia de hoje é bem diferente do o de ontem. Recomeça-se uma nova vida numa ilha perdida no século XX, em que os dias do presente irão ser iguais ao do futuro. A ilha da Brava está assim…


Os repatriados. Aqueles que por um crime cometido noutro país são obrigados a regressar ao seu pais natal e a permanecer por um tempo determinado. Três, cinco, dez anos ou então para sempre. Porque quando é altura para regressar já não há mais forças.

Na Brava, a mais isolada das nove ilhas habitadas de Cabo Verde, 90 por cento dos que são mandados de volta provem dos Estados Unidos. Até porque desde o século XVIII que a emigração daquela ilha é quase toda para aquele país. Naquela altura, a pesca da Baleia era o motivo principal. Desde então, é sentar nnum dos sobrados da Vila de Nova Sintra e vê-los a partir.

Enquanto crianças, deixam a sua terra natal com os seus pais em busca do sonho americano. Mas basta um pequeno delito para serem deportados para um local que não conhecem nem lembram-se de conhecer.

Três histórias. Três exemplos de luta pela sobrevivência diária, sem perder a cabeça. O objectivo é viver sem pensar no amanhã, sem relembrar the old good days em Bóston ou Massuchetts ou noutro qualquer estado americano, e sem se debaterem consigo próprios que só estão bem aonde não estão e que só querem ir aonde não vão…