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terça-feira, 28 de julho de 2009

Hillary Clinton em Cabo Verde




Depois de visitar vários paises africanos, a secretária de Estado irá finalizar a sua "tour" em Cabo Verde, no próximo mês de Agosto.

O que se pode esperar desta visita, hein?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

What a fuck is this?

"Chegou ao hospital com a garganta cortada e a enfermeira virou-se para ela agressivamente e disse 'já não vale a pena, não tens remédio', ou "estava na maternidade e ouvi uma grávida a combinar com o marido o que ele devia trazer para o hospital: "Traz papel higiénico que aqui não há", ou "Mamãs com os seus filhos nas encubadoras a vigiarem-nos, umas sentadas no chão, outras a afastar as baratas que andam descaradamente por todo o lado, e sem outra alternativa, a fazerem turnos entre elas, de modo a garantir de alguma forma o bem-estar dos seus bebés, até que que uma delas se apercebeu: uma das incubadoras estava desligada".

São alguns dos episódios que me foram contados ontem enquanto tomava o lanche da tarde. Escusado será dizer que toda aquelas histórias macabras deram-me voltas sem conta ao estômago.

Local do terror: Hospital Agostinho Neto, principal unidade hospitalar da capital de Cabo Verde, Praia.

Não me venham com as habituais legalengas que estes factos acontecem um pouco por todo o mundo, pois nenhuma mãe merece ser tratada como um animal, qualquer ser humano merece ser tratado com dignidade e qualquer bebé tem direito à VIDA.

Não há reportagem que consiga através da sua escrita descrever o que certas mulheres, homens, crianças, já passaram naquele hospital.

A escrita pode ser apelativa pode levar a que o leitor imagine por uns instantes o "inferno" que algumas pessoas tiveram que passar. Mas não vai fazer esquecer, vai sim alertar e colocar o dedo na ferida para aquilo que é camuflado por não ficar bem no retrato.


As histórias destas pessoas vão ser contadas. Isso garanto!
Fica aqui o primeiro alerta!

Ferro Gaita faz anos. Será the final countdown?



A música e eu sempre andamos lado a lado, talvez devido à minha paixão fulminante desde "pequenota" pela dança. Sons, sonoridades, ritmos, batidas, bytes, sei lá mais o quê! O Universo da música sempre funcionou como uma terapia relaxante para aqueles dias que só me apetece gritar com o mundo, ou então, como banda sonora para comemorar algo de extraordinário!

Por isso, quando cheguei a Cabo Verde, e "bati os ouvidos" com Ferro Gaita foi "melodia à primeira vista".

Hoje, passados 13 anos da formação do grupo, Ferro Gaita completa mais um aniversário!!!

Está de Parabens!!! É sempre uma festa ouvi-los!!!!

Porém, apesar de vibrar com as suas músicas é notório que há um cansaço perante a persisência em aparecer em tudo o que é festivais em Cabo Verde.

Há um cansaço da imagem que deveria ser preservada para que conseguissem se manter mais tempo na ribalta.

Mas segundo ouvi dizer, Ferro Gaita já viveu melhores dias. O baterista e o baixista já abandonaram a formção inicial e resta saber que rumo irá este grupo que tanto já deu a Cabo Verde?

Será que conseguirá se manter à tona, ou irá adormecer no fundo do mar à espera de um salvamento, e à medida que o tempo passe, irá se refugiar nos tão conhecidos Best Of, ou nos DVD que contam os melhores momentos do grupo.

Divergências há sempre. Mas também os tais egos que falam mais alto!!! E são poucos aqueles que se conseguem manter unidos por longas e longas décadas!

Será que os Ferro já iniciaram a sua contagem decrescente?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fomos à lua ou não? Eis a questão...


O maior feito da humanidade no século XX já conta com 40 anos... O "pequeno passo" de Neil Armstrong foi visto por 1,2 biliões de pessoas.


No entanto há quem diga que tudo não passa de uma fraude. Uma encenação teatral!
Por detrás de um grande acontecimento há sempre uma bela teoria da conspiração...

"Não é nova a teoria de que o primeiro passo do homem no satélite natural da Terra foi forjado num estúdio de cinema, sob a direcção do diretor Stanley Kubrick ("2001 -Uma Odisséia no Espaço").

Segundo os defensores dessa teoria, amplamente difundida em livros, documentários e na internet, a chegada do homem à Lua foi uma montagem orquestrada pelo então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon.

O objetivo seria: em tempos de Guerra Fria, propagandear a supremacia americana frente à ainda existente União Soviética (URSS) na corrida espacial e, em segundo lugar, elevar o moral da nação, que estava em baixo após a traumática experiência no Vietnam.

O principal responsável pela lenda de que o homem nunca pisou na Lua é Bill Kays.

"We Never Went to the Moon" ("Nunca fomos à Lua", 1974) foi o livro que catapultou Kaysing como escritor e o elevou à categoria de "pai" da teoria da farsa lunar. Na obra, o engenheiro de formação reúne uma série de argumentos, todos usados até hoje pelos defensores da teoria.

O céu sem estrelas, as sombras convergentes que aparecem em algumas fotos, a bandeira tremulando num ambiente sem vento, a pegada perfeita da bota de Armstrong e a falta de uma cratera após a aterrissagem do módulo espacial são algumas das "anomalias" apontadas por Kaysing e repetidas por seus discípulos, entre eles Ralph Rene".

Fonte: EFE

Meninos de ouro e de prata

Cabo Verde está de Parabêns!!!! Ouro no futebol, prata no basket...



Está mais que provado que garra, determinação, dedicação não falta!!! Agora venham de lá mais apoios, mais estatutos, regulamentos, porque os atletas de Cabo Verde merecem isto e muito mais!!!

Parabens a Portugal por ter conquistado mais de 18 medalhas! :)

Foto: Retirada do site da bola

Cinco.... :)

Nelson Mandela está de parabens!!!




Mais um ano... Já lá vão 91 anos... 18 de julho... uma data memorável... Quase um século de luta pela liberdade!! Três décadas na prisão, contra a segregação racial na África do Sul.

Desconhecer a história de Nelson Mandela, que passa agora para as telas de cinema pela mãos de Clint Eastwood, tendo no papel principal o actor Morgan Freeman, é como viver na ignorância de não conseguir sequer admirar os feitos deste grande líder.

Libertado em 1990, guiou o seu país para um regime equitativo e democrático, durante um processo complicado de transferência de poderes.

Até 1999, foi o Presidente que ocupa agora um lugar honroso nos livros de história.

Prémio Nobel da Paz, Embaixador da Boa vontade da Unesco, incansável na busca da reconciliação entre as diferentes comunidades e em favor da democracia, da igualdade e da educação. Feroz na luta contra a Sida... (um dos seus filhos morreu com HIV)

"A história da sua vida por ser resumida nas próprias palavras de Nelson Mandela, sempre parece impossível até que é feito", tal como disse Barack Obama no espectáculo de comemoração dos seus 91 anos de uma vida inesquecível...

"Se o mundo tivesse que escolher apenas um pai, escolheria o Nelson Mandela"... Peter Gabriel

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Está quase!!!!




Faltam 17 dias para sentir o abraço da mãe, o carinho daqueles que nunca se esquecem, para deliciar me com o sushi, para passar horas a fio dentro de uma FNAC, para me perder nas compras e por fim para ter saudades de regressar!!!!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O adeus publicitário a Michael


“Mas apesar de todo o pesar e respeito manifestado por Jackson, o público - em especial a população de Los Angeles - sente dificuldade em reagir ao pandemónio que se instalou nos últimos dias, nas notícias, nas ruas, na Internet, por todo o lado. É o caso de Anthony Spearman, de 32 anos, que foi até ao Staples Center para levantar um cartaz dizendo: "Deixem de gastar os meus impostos com milionários". "Em vez da devolução do meu IRS, recebi um vale para levantar um IOU [uma nota de dívida do estado da Califórnia, que está em falência]. Se eu morrer amanhã, a minha família recebe 350 dólares. Estou prestes a perder a casa porque o meu trabalho foi reduzido para um dia por semana. Não acho bem que o meu dinheiro seja gasto neste funeral", resumiu. Segundo as estimativas da cidade de Los Angeles, a despesa pública com as cerimónias fúnebres de Jackson pode ascender a quatro milhões de dólares”.... in Público

Sensacionalismo... puro e duro. Mas já se sabia que o velório de Michael Jackson ia ser um circo mediático, com direito a toda a pompa e cirscunstância. Sou contra, enquanto jornalista e defensor do código deontológico e ético, mas também sou contra pelo lado humano... não gostei de ver o “showneral” (palavra dada pelo jornal o Público).

Mas a verdade é que é disso que o povo gosta... E confesso que enquanto parte integrante do povo, também dei uma espreitadela ao memorial e... voltei a dar. Tudo que tenha a ver com fins trágicos de idolos, rodeados de secretismos e de bons momentos à pelicula cinematográfica, sentamo-nos à frente do televisor com o saco das pipocas. Chocou-me a morte de Michael Jackson como à maioria das pessoas que cresceram a ouvir as suas músicas mas, chocou me ainda mais o que vi ontem... sem nunca conseguir tirar os olhos. Se não fosse um compromisso marcado tinha ficado a assistir... Shame on me!
Agora é totalmente condenável... todo o aparato, suspense, propocionado até pela própria família.

Michael Jackson nunca quis que invadissem a intimidade dos seus filhos, tomou até atitudes estranhas como lhes tapar a cara quando saiam à rua... mas será que iria gostar de ver a filha no palco do Staples Center a chorar e a afirmar o quanto amava o pai, como se tivesse que provar que apesar de todas as loucuras já feitas era um excelente pai?
A indumentária escolhida pelos irmãos, a luva branca e a gravata amarela, o caixão em ouro branco em frente ao palco, tudo pensado ao pormenor. Mas há que rentabilizar os espectáculos perdidos, já que o podutor dos shows do “regresso de Michael” foi o mesmo que organizou o memorial. Portanto tinha de ser algo em grande...
Marketing e mais marketing, agora, como nunca o nome Michael Jackson vai ser vendido até exaustão. Nada de novo... Foi assim com Elvis, Marylin Monroe, Freddie Mercury e vai continuar a sê-lo com os que vem a seguir.
A morte acaba por se tornar muito mais rentável para estas figuras que desaparecem envoltas ou em mistérios, ou em histórias dramáticas que são autênticos chamariz para os realizadores de cinema.

Não posso deixar de concordar com Elizabeth Taylor que afirmou: “Não acho que Michael quisesse que compartilhasse minha dor com milhões de pessoas. Como me sinto, é algo entre nós, não um evento público. Disse que não iria ao Staples Center e certamente não quero chegar a fazer parte de isso. Amava-o demais", disse.
E está dito...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os ventos da crise no Sal

Sal. Quem por lá passa afirma não ficar indiferente às praias, com extensos areais brancos e à água cristalina, carregando rasgos de sossego.



A vila de Santa Maria sempre movimentada, com a chegada e partida de centenas de turistas, que anseiam pelo tal descanso merecido, mas também, por alguma diversão fora de horas.

Ruas e vilelas cheias de gente, os hoteís a crescerem a “olhos vistos”, a rede imobiliária a agarrar cada oportunidade que surge e os comerciantes felizes e contentes com os seus negócios.

Deseja-se a vida turística de outros tempos... Recorda-se o passado áureo, critica-se o presente e... sonha-se com um futuro fora das teias da crise.



Exige-se um Sal digno de um cartão postal, que corresponda ao que é divulgado pelas agências de viagens.

Porém, as vivências de um passado “bon vivant” constrastam agora com uma ilha apagada, sem cor nem vida.

Uma... duas.. três... quatro.... cinco e.... muito mais. As obras estão paradas.... ou foram canceladas sem data prevista para retomarem. Os hoteís procuram sobreviver com os poucos turistas que recebem e as imobiliárias estão em situação de ruptura.

Quebra de vendas. Nítida inflexível. Muitos dos potenciais compradores de moradias e apartamentos nos resorts e complexos que estão a nascer no Sal, recuaram nos negócios dada a crise financeira e a dificuldade em obter crédito nas instituições bancárias internacionais.

Fala-se em catástrofe financeira, sente-se nos rostos com quem se fala que a situação é preocupante. O Sal está estagnado.


Os hoteis. Após percorrer uma estrada de cerca de dois quilómetros, cheia de buracos, em que os sobressaltos são uma constante, deparamo-nos com várias unidades hoteleiras. Cada uma com o seu toque, com o seu brilho, mas todos com um cartaz implicito a dizer “precisa-se de turistas”.

A crise bateu-lhes à porta e fez-se de convidada à força. Nos últimos meses, a taxa de ocupação caiu drasticamente. As unidades hoteleiras tentam arranjar soluções para cativar os turistas. Sobreviventes a um período em que as reservas de quartos são mínimas.

Enquanto isso quem mais sofre são os funcionários que todos os dias vão para o trabalho sem saber se será o seu último dia.

Na lista dos afectados pela crise está Salui Balé. Um guinense que escolheu Cabo Verde para viver e trabalhar... Já lá vão 25 anos.

Trazendo na bagagem um talento chamado culinária, Salui passou por vários restaurantes na Praia, até ser convidado em 1994 para dar a conhecer os seus dotes gastronomicos à ilha do Sal.

Depois de breves passagens por alguns estabelecimentos locais, acabou por ir parar à cozinha de um dos hoteis mais conhecidos da ilha.

Dedicou-se onze anos a preparar pratos de todos os feitios e maneiras. Até ao dia em que a tal crise chocou consigo de frente.

A viver num quarto com condições minímas, e a pagar uma renda mensal de 180 euros, Salui, desempregado há 6 meses, tenta diariamente que uma porta se abra.

Neste panorama as queixas tornam-se numa bola de neve... Um ciclo vicioso que toca a todos. Várias vozes levantam-se. Se por um lado a crise veio agonizar a situação na Ilha do Sal, por outro há aqueles que defendem que não há condições na vila de Santa Maria. Queixam-se de planos nunca concretizados, de promessas nunca cumpridas. Da falta de infra.estruturas, de iluminação nocturna, de diversão.


Os responsáveis dos hoteís alegam que os turistas não querem sair das unidades hoteleiras, porque não encontram nada na vila e pagam muito caro de taxi cada vez que se dirigem ao centro.

Os taxistas queixam-se de que não há turistas por isso aqueles que encontram tem de cobrar um valor mais alto, já que muito deles pediram emprestimos ao banco para saldar as dívidas.

Os turistas, esses, pagam uma semana por um pedaço de ceu na terra, mas acabam por não corresponder às suas expectativas, ficando confinados às unidades hoteleiras.


Com um lugar previligiado para o filme da crise, os comerciantes da vila também tem uma palavra a dizer. As caixas registadoras estão quase vazias, as despesas de funcionamento aumentam à passagem do tempo e as lojas perdem a graça pela ausência das gentes de outras paragens.

A acompanhar a crise, a falta de investimentos públicos e o abandono da vila, está a problemática do excesso de comerciantes vindos da costa africana. Os senegaleses.

Por todo o lado... em toda a parte. Uma presença que não agrada a todos.

Segundo alguns comerciantes caboverdianos, muitas vezes, mal o turista está a sair do taxi já está a ser abordado para comprar ou ser levado para uma das lojas africanas. E de acordo com algumas vozes "os turistas cansados de tanta pressão e incomodo não voltam à vila mais vez nenhuma".

O Sal, motor da economia caboverdiana, porta de entrada para o mercado europeu e durante muito tempo o diamante do arquipelágo, já viveu melhores dias.

A Boavista, ilha que se está a tornar cada vez mais um pólo de atracção turistica, também já sente os efeitos da crise, apesar de ser a uma escala menor.

Até a capital, Praia, já vive lado a lado com algumas dificuldades financeiras, fruto de uma crise internacional que não faz distinções.

As perguntas que imperam são muitas. Se tem se procurado combater a crise?
Se tem se aplicado boas políticas? E se tempos piores esperam-se em Cabo Verde?



Nha Terra Nha Cretcheu,quarta-feira, 8 de Julho, RTP Àfrica, a partir das 19h15 em Cabo Verde e em Portugal a partir das 21h30.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cidade Velha, Património da Humanidade


Quando ingressei no projecto Nha Terra Nha Cretcheu, no último mês de Janeiro, o programa dedicado à Cidade Velha foi o primeiro que acompanhei "in loco".

Pude conhecer a D. Rosalinda que na altura, entre lamentos e desabafos, queixava-se do abandono em que se encontrava aquele lugar. Na altura apelidei aquela senhora de enciclopédia viva que conhece melhor do que ninguém a primeira cidade europeia de África.

Há poucos dias, Cidade Velha esteve em êxtase: A Unesco considerou-a Património Mundial da Humanidade. Segundo algumas fontes, o processo foi dificil, já que na proposta dava-se muito interesse à parte turística e monetária que esta nomeação poderia trazer. Dizem que a nomeação esteve por um fio... Mas no fim conseguiu... ainda bem!!!!

Como arquivo de tempos remotos, que conta histórias que nunca deverão ser esquecidas. A época dos escravos, o nascimento do crioulo, o berço da Cabovernidade.
Como uma máquina de viagem no tempo que deve ser preservada. A Cidade Velha merece isto e muito mais.

Como espaço físico vão-me desculpar mas não... Simplesmente pelo abandono com que este lugar acorda e adormece todos os dias.

Pelo descuido, pelo desleixo em não cuidar de algo que é inapagável da história do mundo.

Cidade Velha merece pela história, vivências e experiências que carrega, mas os seus políticos não!

Os habitantes merecem sim... Aqueles que podem tomar as decisões de fazer algo por ela não...

Esperemos agora que a Cidade Velha não torne a mergulhar no esquecimento e que esses sentimentos de festa e felicidade impulsione os intervenientes a arregaçar as mangas e a colocar mãos à obra!!! Está na altura de despedirem-se do sedentarismo, porque agora já não dá para disfarçar mais!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nice to meet Michael Jackson



Sempre gostei de dançar... é um facto. Sei que se não tivesse escolhido a profissão de jornalista gostaria de estar ligada aos ensaios, às coreografias, aos plíes.

Alias na mítica pergunta da infância: O que queres ser quando fores grande? A minha resposta só era uma: bailarina.

Ainda me lembro quando no meu quarto colocava a música em altos berros e, durante horas a fio, dançava, dançava e dançava, imaginando que estava num grande espectáculo.

"Bill Jean", "Triller", "Black and White", ou "They don´t car about us", eram a minha banda sonora.

Não fazia, claro, os movimentos como o "Rei da Pop", mas as suas músicas inspiravam-me a sonhar. Eram simplesmente vibrantes, alegres... era uma emoção para mim com dez, doze, quinze, vinte e mesmo agora aos vinte e oito anos ouvi-las.

O legado de Michael Jackson revolucionou o mundo e a mim também... nem que seja no sentido de me oferecer uma pequena revolução dentro de mim, cada vez que dançava naquele meu quarto e deixava a minha mãe com os cabelos em pé por estar sempre a ouvir repetidamente.

"Billie Jean is not my lover
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son"


Tal como disse alguém, "há certos génios que aparecem de 100 em 100 anos... como o Michael nunca mais irá aparecer".

Rest in peace Michael - 1958/2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Morna é...




É inspiração de poetas. Princesa de serenatas. É o choro do violão que ao ouvi-la desperta do seu sono mais profundo.

Lamentos que se querem para sempre escutar. É a noiva sem grinalda. O tal expressar de almas. O reviver de sentimentos nostálgicos.

Simplesmente cantar o que o coração sente, e ir ao mais fundo dos fundos.
Para sempre a senhora de Cabo Verde.

É a morna...

Um símbolo nacional... do mesmo modo que o tango é na Argentina, a rumba em Cuba e o fado em Portugal. Um hino que atravessa mares e fronteiras.

Com um andamento lento, um compasso binário, e na sua forma mais tradicional, com uma estrutura harmónica baseada no ciclo de quintas...
Já a sua estrutura poética organizada em estrofes que vão alternado como um refrão.

Sempre a acompanhá-la estão o violão, os violinos, a viola de dez cordas, o cavaquinho,o piano... e uma voz dolente, emotiva, forte.

Nos anos 30 admitiu a entrada para a sua orquestra do clarinete e do trompete, nos anos 70 e 80 aparece com versões eruditas...

O único género musical que consegue ser largamente transversal a todos os grupos etários, que se gosta sem hesitar, que se escolhe para se caracterizar cada episódio da vida.

A sua origem não está esclarecida. Permanece num debate sem fim, rico em especulações. Os registos históricos não são abundantes e a transmissão oral foi o veículo que a fez chegar aos nossos dias.

A maioria alega que a illha da Boavista é a sua mãe. Outros dizem que foi criada no Mindelo, em S. Vicente. Alguns afirmam que o seu nascimento se deu na Brava. Mas nenhuma ilha revindica a sua paternidade...

As influências. Na hora de escolher a variedade impera.

Modinha brasileira, muito popular nas colónias portuguesas do séc. XVIII, fado, passando pelo lundum. Trazida pelos marinheiros, ou pelos escravos de várias regiões de África.
Várias teorias.

Há ainda quem defenda que a morna, como o fado, são descendentes de canções de escravos de SãoTomé e Príncipe.


O Fado e a morna. Muito as distingue e pouco as separa. Tem entre elas um amigável diálogo, uma até respeitável confraternização. Ambas se afirmaram como voz musical dos seus povos.

Há mornas ao jeito de fado e fados com cheirinho a morna. Mas saber se a musicalidade crioula nasceu dos acordes do destino português, para isso só há diversos pontos de vista.


A palavra. Para uns, deriva do inglês to mourn, que significa lamentar ou chorar os mortos. Para outros, a palavra tem origem no francês morne, que é o nome dado a colinas nas Antilhas francesas, onde são interpretadas as chansons des mornes.

Mas para uma grande parte, a palavra morna corresponderia ao feminino da palavra portuguesa morno, numa alusão ao carácter suave e dolente da morna.

O regresso, a saudade, o amor à patria, o mar, a paixão que arde sem se ver. Temáticas variadas. O romantismo intoxicante dos trovadores que a cantam e a criatividade dos que a compoêm.

Na sua primeira fase, a morna tinha como características, segundo os seus estudiosos, um andamento mais rápido do que o actual e letras menos melancólicas e sentimentais.

É a partir do final do século XIX que, na ilha Brava, Eugénio Tavares, confere às cordas de uma guitarra portuguesa, um extremo lirismo, fixando os temas da morna em torno do amor, da idealização da mulher e da saudade.

É o poeta. É o compositor. É o contador das histórias que perduram à passagem das épocas. Hoje as suas composições são tocadas, cantadas, sentidas pelos mais diversos artistas de Cabo Verde.

Ninguem quer esquecer Eugénio Tavares e... ele também não quer se esquecido.

Já a partir de meados dos anos 20, com aquele que é considerado, ao lado de Eugénio Tavares, um dos maiores génios da composição em Cabo Verde, Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B.Leza, a morna vai receber uma outra alteração importante.
Neste caso, não no que se refere às letras, mas sim aos aspectos harmónico e melódico.
Influenciado pela maneira de tocar o violão dos marinheiros brasileiros que passavam por São Vicente, sua ilha natal, B.Léza introduz o meio-tom (acordes de transição) na morna, impregnando-a de uma certa dramaticidade que a partir de então passa a ser um dos seus elementos característicos.

Cabo Verde, recheado de grandes compositores. Lela d’Maninha, Olavo Bilac, Muchim d’Monte, Sergio Frusoni, Jorge Monteiro "Jotamont", Manuel d’Novas, Ano Nobo, Renato Cardoso e Betu. Todos trazendo a morna ao peito. É o seu emblema.
Sãozinha Fonseca... Homero Fonseca... Titina... Bana ... Helena França... Cesária Évora e os eternos Fernando Queijas e Ildo Lobo.

Nos últimos anos, a morna foi levada a ser conhecida internacionalmente por vários artistas, nomeadamente em França, nos Estados Unidos, em Portugal.

Enquanto Cesária Évora levou até ao Olympia, Carnegie Hall ou Hollywood Bowl a essência da morna, Ildo Lobo, encantou aqueles que ainda tiveram a honra de o escutar.

O homem de timbre forte partiu em 2004, mas deixou um legado de músicas que fazem questão de permanecer como o estatuto de memórias vivas.


Fernando Queijas. O primeiro artista caboverdeano que gravou discos em Portugal e a cantar na RDP e RTP. O homem que introduziu a orquestração ligeira na morna, conjugando instrumentos tradicionais e electrónicos. Ele e as mornas tornavam-se um só cada vez que subia a um palco.

Compositor e intérprete, Fernando Queijas deu a conhecer a Portugal um gênero musical que se assemelhava ao misterioso fado.

Apesar de ter deixado este mundo há , na sua residência em Lisboa permanecem o seu piano, o seu violino e violão que acompanharam-no durante anos a fio. Pacientes... como esperassem a cada minuto pelo o tal toque de anos.

Nomes que a história faz questão de não apagar. Rostos que expressam aquilo que lhes vai na voz, ao som de uma morna.

Tal com José Osório de Oliveira, amigo de Eugénio Tavares, disse um dia: “Nunca, com efeito, a alma de um povo encontrou, tão perfeitamente, a sua expressão, numa única manifestação de arte.

Pode afirmar-se, portanto, que a morna resume em si todos os sentimentos e condensa todas as aspirações artísticas dos cabo-verdianos”.

Morna é isto tudo e muito mais...

Programa Nha Terra Nha Cretcheu, quinta-feira, a partir das 19h00, em Cabo Verde e às 21h00 em Portugal.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Xinti




Sara Tavares no auditório da Assembleia Nacional, por ocasião do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Um único sentimento: Bom Feeling!!!
Um concerto para ficar guardado na memória.


Fotos: Pedro Moita

quarta-feira, 13 de maio de 2009

D´Jar Fogo

Rostos... simples rostos... de beleza, de esperança, de harmonia, de memórias... de Djar Fogo. Olhares que se tornam inesquecíveis para quem os encontra, sorrisos quentes, incandescentes, ligados para sempre à tal Morabeza.

Homens e mulheres, velhos e crianças, fazedores de histórias, carregam consigo lições, aprendizagens, vivências de um lugar onde a nostalgia nunca morre.

Gente que conhece em profundo as paisagens duras, imponentes, marcadas por um negro imenso e um horizonte digno de um cartão postal.

Rostos anónimos, desconhecidos, sem direito a pompas e cirscunstâncias nos livros da história, mas que são parte intrínseca de qualquer conto marginal.

Singulares mas únicas, humildes mas de uma nobre grandeza interior... simplesmente gentes do Fogo, a ilha onde o céu também é testemunha de muitas crónicas... de um tempo longíquo...

Não perder, Amanhã, quinta-feira, Nha Terra Nha Cretcheu, RTP Àfrica
Cabo Verde: a partir das 18h45
Portugal: a partir das 20h45